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       Paraíba, 09-Set-2010
Projetos Ambientais
Fazenda da Graça PDF Imprimir E-mail

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Oficina Escola e Cimpor se unem para resgatar patrimônio histórico, cultural e arqueológico de João Pessoa

A Oficina Escola de João Pessoa e a Cimpor se uniram para promover o resgate do patrimônio histórico cultural e arqueológico da Capela de Nossa Senhora da Graça, localizada na Fazenda da Graça, propriedade da fábrica de cimento Cimpor, com apoio do Ministério da Cultura.

Dois projetos, ambos viabilizados por peio da Lei Rouanet de Incentivo Cultural, caminham em paralelo na Fazenda da Graça. O primeiro deles é o projeto de “Restauro da Capela de Nossa Senhora da Graça”, para o qual estão sendo disponibilizados recursos da ordem de R$ 1.031.430,79. O segundo é o projeto de “Pesquisa Arqueológica na Fazenda da Graça”, no qual estão sendo investidos R$ 142.373,58.

A Capela da Graça, edificação que é pouco conhecida em João Pessoa, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938, e graças à iniciativa da Oficina Escola e da Cimpor, encontra-se em processo de restauração, com incentivos da Lei Rouanet.

Além do resgate arquitetônico, o trabalho de pesquisa arqueológica tem como objetivo  fundamentar o valor histórico desta área, que também se configura como importante sítio de preservação permanente, rico em biodiversidade e belezas naturais, além de abrigar o único ninhal de garças brancas existente na área urbana da Cidade de João Pessoa.

GRUPO CIMPOR

A CIMPOR é um grupo cimenteiro internacional, que está entre os maiores no ranking mundial. Sua capacidade de produção é próxima dos 30 milhões de toneladas ano, com clínquer próprio. Suas atividades se estendem por diversos países como Portugal, Espanha, Moçambique, Marrocos, Brasil, Tunísia, Egito, África do Sul, Cabo Verde, Turquia, China, Peru e Índia.

 

O Cimento constitui o core business do Grupo. Mas a Cimpor também atua nas áreas de produção e comercialização de cal hidráulica, concreto e agregados, pré-fabricação de concreto e argamassas.

Pioneiro na adoção do conceito de Desenvolvimento Sustentável e assumindo-se como um dos maiores protagonistas, em nível mundial, do movimento de consolidação do setor, o Grupo Cimpor pretende seguir no caminho do crescimento e da internacionalização, mantendo-se sempre fiel a este conceito.

CIMPOR BRASIL

A CIMPOR veio para o Brasil em 1997. O que começou com uma fábrica hoje é um grupo constituído por 8 unidades de produção. Tendo o cimento como seu principal negócio, hoje, ela tem capacidade total instalada de cerca de 7.000.000 de toneladas/ano e sua participação no mercado a torna uma das maiores empresas cimenteiras do país.

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A Cimpor Brasil atua também na produção e comercialização de Argamassas, com uma linha que atende às diversas etapas de uma obra, no segmento de Concreto, com mais de 30 Centrais espalhadas pelo país e de Agregados, materiais que também são utilizados em todo o tipo de obra.

Os produtos da Cimpor já fazem parte da vida das pessoas, nos mais diversos estados do Brasil, contribuindo com o desenvolvimento e com a modernização da construção civil, gerando benefícios para a economia e qualidade de vida.

CIMPOR PARAÍBA

Presente na Paraíba desde 1999, a Cimpor é responsável pela geração de 115 postos diretos de trabalho e de outros 235 empregos indiretos. A unidade de João Pessoa fabrica o cimento CP II-F-32, ensacado e a granel, comercializado para todo o Brasil.

Não obstante sua importância para impulsionar a economia do Estado, a Cimpor vem ao longo do tempo promovendo ações de relevante impacto social. Eis alguns dos principais projetos:

• Amiguinhos do Meio Ambiente - é um dos projetos de maior destaque na atuação ambiental da CIMPOR Brasil. O programa, iniciado em 2003, na Unidade de João Pessoa, busca promover a conscientização ambiental de crianças alunas da rede pública da região e já atendeu mais de 8000 crianças, desde a sua implantação.

O programa foi desenvolvido com o objetivo principal de estimular o trabalho em equipe e aumentar o envolvimento dos alunos e professores na preparação para a visita à unidade, além de incentivar uma maior vivência com os temas relacionados ao meio ambiente, desenvolvendo a percepção acerca da importância da preservação ambiental.

Somente em 2009, foram realizadas 32 apresentações, envolvendo 1200 alunos das 25 escolas participantes do projeto. Mediante o sucesso alcançado pelo projeto, a CIMPOR Brasil decidiu, a partir de 2008, transformar o “Amiguinhos do Meio Ambiente” num programa corporativo.

• Restauração da Capela da Graça - A CIMPOR, em parceria com a Oficina escola de João Pessoa, desenvolveu um processo especializado de restauração da capela da Graça. Localizada na Fazenda da Graça, área de preservação permanente pertencente à CIMPOR em João Pessoa-PB, a capela da Graça é um monumento tombado pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde 1938. Construída no século XVIII, a capela é uma referência da cultura e da arquitetura da época.

• Comunidade Promovendo Vida - Desenvolvido pela Unidade de João Pessoa-PB, o projeto abraça várias frentes de atuação ligadas ao apoio à comunidade local. Uma de suas vertentes é a oferta de formação profissionalizante com cursos para cabeleireiro, serigrafia, informática, entre outros.

• Curso Pedreiro de Alvenaria - Desenvolvido em parceria com o Senai-PB, o projeto desenvolvido pela Unidade de João Pessoa, objetiva a formação profissional da mão-de-obra da construção civil, na região.

• Fazenda da Graça - Área de Preservação Permanente, de propriedade da CIMPOR, está localizada nas instalações da empresa, em João Pessoa - PB. Desde a aquisição, a CIMPOR revitalizou e mantém a área reconhecida por sua grande biodiversidade. Além de abrigar o único ninhal de garças brancas da área urbana de João Pessoa, a Fazenda mantém 200 ha de sua área cobertos por Mata Atlântica, manguezais e áreas verdes com fins paisagísticos.

• Viveiro de Mudas - Os centros de produção de João Pessoa-PB, Campo Formoso-BA e Cajati-SP mantêm viveiros de mudas dedicados às ações de reflorestamento realizadas pela empresa. As mudas cultivadas nos viveiros também abastecem iniciativas ambientais promovidas pelas comunidades vizinhas.

Fazenda da Graça

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Lugar de muitos encantos no coração de João Pessoa

A Fazenda da Graça, área de preservação permanente pertencente à Cimpor, abriga grandes tesouros em belezas naturais e biodiversidade. A Fazenda fica dentro da unidade da Cimpor na área central de João Pessoa e tem aproximadamente 400 hectares. Dentre os inúmeros atrativos da região, encontra-se a Capela da Graça.

Construída no século XVIII, a capela é um monumento tombado pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde 30 de abril de 1938. A capela é um marco não só arquitetônico, mas também cultural de sua época. Todavia, o longo período de inatividade e a falta de cuidados adequados a deixaram em estado precário de conservação.

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Por ser um patrimônio tombado, a capela não pode sofrer nenhuma reforma que não respeite seus elementos e suas características originais. Desta maneira, é necessária a realização de um processo especializado de restauração.

A Oficina Escola de João Pessoa, em parceria com a CIMPOR Brasil, aprovou junto ao Ministério da Cultura um projeto para a restauração da Capela da Graça e, paralelamente, outro projeto para promover a pesquisa arqueológica na Fazenda da Graça.

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Graças a esse esforço conjunto, a Capela da Graça será restaurada, de modo a somar-se ao patrimônio cultural e arquitetônico da Capital, já tão rico em história e beleza. Da mesma forma, as pesquisas arqueológicas lançam sobre o passado uma nova luz para reconstituição dos primeiros passos na antiga Philipeia de Nossa Senhora das Neves.

Biodiversidade

Com o intuito de a grande biodiversidade presente na Fazenda da Graça, a CIMPOR, em conjunto com a UFPB - Universidade Federal da Paraíba, realizou vários trabalhos voltados à catalogação de suas espécies animais e vegetais.

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Um dos principais trabalhos teve como foco a caracterização dos hábitos alimentares das garças brancas, pois a Fazenda da Graça abriga o único ninhal dessa espécie existente na área urbana da Cidade de João Pessoa. Na unidade se encontra ainda o Parque das Madeiras Brasileiras.

Restauração da Capela da Graça e Pesquisa Arqueológia

O Projeto de Restauro da Capela de Nossa Senhora da Graça teve início em Agosto de 2009, e tem como objetivo restaurar as características arquitetônicas originais da Capela de Nossa Senhora da Graça, e de seus bens integrados, e proporcionar ao monumento o retorno a sua função primitiva, o culto religioso, assim como torná-la um atrativo para o turismo histórico-cultural.

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Trata-se de uma capela (século XVI/XVIII), tombada pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; desde 30 de abril 1938, processo nº 45-T, inscrição nº 042, Livro das Belas Artes, vol.1, fls.8, situada na Fazenda da Graça, de propriedade da Cia Paraíba de Cimento Portland, no município de João Pessoa, no Estado da Paraíba.

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O presente projeto é fruto de uma pesquisa desenvolvida por Elisana A. Dantas da Silva para cumprimento da disciplina Trabalho Final de Graduação II, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba durante o período 2004.2, e que teve como tema a restauração da Capela da Graça. O restauro dos bens integrados da Capela é coordenado pela restauradora Maria da Piedade Farias.

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Este projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura para conceder incentivos fiscais aos seus patrocinadores, nas condições da Lei Rouanet e tem o patrocínio da Cimpor Brasil. Paralelamente à restauração da Capela da Graça, está sendo realizado o projeto de Pesquisa Arqueológica na Fazenda da Graça, também viabilizado pela Lei Rouanet e Cimpor e conduzido pelo arqueólogo sênior Dr. Antonio Canto.

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Instalando o canteiro de obras

Objetivos específicos:
1. Restaurar as fundações
2. Restaurar as características arquitetônicas, inclusive reconstituir as ruínas da sacristia e as fachadas da capela;
3. Consolidar ou recompor os bens integrados primitivos, incluindo o Forro da Nave, o Altar Mor e a Via-Sacra;
4. Reconstituir o volume da galeria da capela, que será destinada a montagem de um Memorial do monumento;
5. Implantar um sistema luminotécnico.

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Observações:
Para a elaboração deste projeto, fez-se necessário adotar uma metodologia de trabalho que desse subsídio e que obtivesse informações necessárias a um embasamento coerente da proposta desenvolvida. Desta forma, o ponto de partida para a pesquisa foi a coleta de dados, fundamental para a orientação do projeto de restauração, e que seguiu os estudos abaixo:
1. O levantamento histórico constou de visitas a órgãos de preservação Estadual e Federal com o intuito de obter maiores informações sobre o objeto de estudo; e pesquisas em bibliotecas, institutos e arquivos, em busca de bibliografia específica;
2. O levantamento fotográfico, constando de fotos atuais e antigas, teve como objetivo servir como registro da memória da edificação, e também como fonte de informação desta;
3. O levantamento físico contém todos os dados sobre a edificação em estudo, especificando os materiais utilizados na sua construção, levantamento cadastral (plantas baixas, cortes, fachadas, planta de coberta, etc.) e avaliação do seu estado de conservação.
O Restauro da Capela de Nossa Senhora da Graça irá devolver à comunidade de João Pessoa um monumento que testemunhou os primórdios da sua formação social, e fatos históricos importantes, sendo um patrimônio cultural da maior importância.

Considerações sobre a restauração dos Bens Integrados da Igreja do Antigo Engenho da Graça

Quando do início da obra de restauração da Igreja da Graça, encontramos, em condições de receber intervenção técnica, apenas um dos seus Bens: o Altar Mor.

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O Altar Mor em calcário apresenta sobre a mesa geometrizada, nicho único retangular com parte superior recortada e interior forrado por tabuado pictórico, encimado por coroamento exibindo alegoria à Virgem Santíssima em relevo. 

Bastante fragilizado, o seu estado de conservação inspirava cuidados, pois apresentava danos que comprometiam tanto a sua integridade física quanto a sua leitura visual, descaracterizando-a. Entre os danos mais graves encontramos as galerias de profundidade ocasionadas pelo ataque de cupins; queimaduras e carbonizações oriundas do tratamento para a retirada de maribondos e abelhas; oxidações de cravos de ferro e de pregos e presença de colônias de fungos provenientes da infiltração pelas partes faltantes e danificadas da coberta; perdas; aderência de excrementos de insetos, roedores e aves noturnas; acúmulo de poeira e de outros resíduos, fragmentações de bordas; repintura sobre a pintura figurativa do tabuado e sobre a pintura marmorizada da cercadura do nicho e pintura sobre as figuras em relevo do coroamento.

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A intervenção técnica de restauração, ainda em execução, resulta nos serviços de desinfestação de fungos e cupins, higienização, desobstruções de galerias, remoção de cravos e pregos oxidados, consolidação do suporte, reconstituições das áreas perdidas, nivelamento, remoção da repintura sobre a pintura no tabuado e na cercadura, refixação das áreas em descolamento na pintura do tabuado, reintegração cromática e remoção da pintura sobre a alegoria em cantaria.   

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Curriculum resumido da restauradora

Maria da Piedade Farias cursou Arquitetura e Urbanismo na UFPB onde foi bolsista do Programa de Iniciação Científica junto ao NEAU/Núcleo Experimental de Arquitetura e Urbanismo (Pesquisas: Geometria, forma e função e Processo Construtivo da Taipa) e monitora da disciplina Teoria da Arquitetura II. É Especialista em Conservação e Restauração de Pintura e Escultura em madeira policromada e dourada pelo Centro de Conservação e Restauração CECOR/EBA/UFMG.

Há 28 anos atua na área de Restauração de Bens Culturais Móveis e Integrados, iniciando sua vida profissional na Obra de Restauração dos Bens Integrados da Igreja franciscana de João Pessoa, onde prestou serviços ao SPHAN/PróMEMÓRIA; estagiou no CERBA/IPAC-BA (restauração das pinturas de cavalete da Igreja Senhor do Bonfim e do Forro pictórico da Antiga Igreja da Sé); prestou serviços à Comissão de Museus do Governo do Estado da Paraíba, à FUNCEP/ Fundação Cultural do Estado da Paraíba (restauração do acervo de Walfredo Rodriguez), à Pinacoteca da UFPB, ao Museu de Artes Assis Chateaubriand em Campina Grande/PB, à Oficina-Escola de João Pessoa (restauração dos Bens Integrados do Mosteiro Beneditino da Paraíba e das Pinhas em terracota vidrada do Sobrado Santos Coelho), ao Palácio do Governo da Paraíba (restauração das pinturas de cavalete), ao Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba (restauração dos elementos arquitetônicos em estuque dourado), à Prefeitura de Alagoa Grande/PB (Pintura Mural do Procenio do Teatro Santa Ignez), à Fundação Joaquim Nabuco/PE (restauração do Altar Mor do Mosteiro Beneditino de Olinda, do Painel cerâmico de F. Brennand no Aeroporto dos Guararapes e dos Painéis pictóricos e Retábulos da Igreja de Santo Antonio em Igarassu, pelo Projeto Continuidades Barrocas), à SR/IPHAN de Alagoas (Inventário dos Bens Móveis e Integrados do Museu de Arte Sacra de Alagoas em Marechal Deodoro e da Igreja de Nossa Senhora da Corrente em Penedo), à SR/IPHAN da Paraíba (Coordenação dos serviços de restauração dos Bens Integrados da Igreja Carmelitana e da Capela dos Terceiros Franciscanos e do Acervo Azulejar do Adro da Igreja Franciscana) e ao Consórcio GRIFO/GRAU (Inventário dos Bens Móveis, Integrados e Elementos Arquitetônicos do Palácio do Governo de Pernambuco), e ao IPHAEP/Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba. Montou e coordenou a Oficina de Restauração do Centro Cultural de São Francisco, foi Instrutora da Oficina de Bens Móveis e Integrados da Oficina-Escola de João Pessoa e, atualmente, presta serviços à COPAC-JP/Coordenadoria do Patrimônio Cultural de João Pessoa. 

Histórico das Pesquisas Arqueológicas

A nossa pesquisa teve início em agosto de 2009, com base na bibliografia disponível, na cidade de João Pessoa. As informações preliminares sobre o Sítio da Graça eram esparsas. Traziam apenas indicações de que a Capela existente na Propriedade teria sido, possivelmente, construída no século XVIII e que, posteriormente, o Engenho teria sido edificado.

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Com o aprofundamento das nossas pesquisas, continuamos acreditando que a Capela não teria sido construída como parte do conjunto de um engenho, mas sim, como um local de catequização dos índios existentes nos limites da propriedade.

Os indícios arqueológicos recuperados das escavações na Fazenda da Graça apontam que a área deste assentamento indígena apresentava, desde os tempos pré-coloniais, um excelente local para a captação de recursos, com a exploração concomitante de diferentes ambientes (rio, lagoa, canal, floresta), sem contar que a área disponibiliza um rico afloramento calcário (material construtivo da Capela da Graça), que até os dias atuais vem sendo utilizado pela Cimpor.

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Ainda sobre a localização da Capela, em tempos coloniais, é importante, também, destacar que, embora apresentando pouca precisão, as indicações geográficas, quando devidamente associadas ao texto dos viajantes, se complementam para ajudar na identificação do espaço.

Estamos considerando que pequenos equívocos cartográficos tenham ocorrido na localização desta Capela, em função das técnicas de observação, apoiadas em instrumentos pouco precisos (com medidas planimétricas em braças e em léguas e os ângulos tomados com bússolas, cujas leituras raramente passavam do meio grau).

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Em nossas pesquisas observamos que o Engenho da Graça, por exemplo, é situado algumas vezes na Ilha José Velho (atual Ilha do Bispo), em Cruz das Armas ou até mesmo no Gramame.

Estas constatações não invalidam os textos dos cronistas e, ao arqueólogo também cabe a execução da arqueologia dos mapas e das paisagens quando, durante os trabalhos de campo, correlacionam acidentes geográficos contidos nos relatos ao que temos no presente.

Novas amostras estão sendo preparadas para datação e poderão elucidar pontos ainda obscuros na pesquisa realizada na Fazenda da Graça/PB.

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Dentre o material arqueológico recuperado das escavações estão: artefatos cerâmicos, tijolos com dimensões variadas, telhas, ferro (cravos, pregos, chave), faiança inglesa do século XIX, faiança portuguesa, cachimbos, ossos (restos faunísticos), material malacológico, vidros (envases para bebidas, vidro de perfume) e material em grés (garrafa para bebida).

ATIVIDADES DE LABORATÓRIO:
- Higienização dos artefatos recuperados nas escavações;
- Reconstituição das peças resgatadas das escavações. Podemos observar, em algumas peças semi-inteiras, a sua funcionalidade;
- Quantificação estatística dos vestígios arqueológicos, a fim de se obter gráficos do material analisado, por categoria.

TRABALHOS DE CAMPO:
- Levantamento Topográfico;
- Sondagens, Poços-teste, Escavações;

- AQUISIÇÕES GPR:

Os dados preliminares obtidos a partir do método de sondagem geofísica rasa denominado de método GPR (Ground Penetration Radar), ou simplesmente GEORADAR, vêm apresentando resultados consistentes.

Optou-se pela utilização do GPR, na tentativa de localizar estruturas arqueológicas em subsuperfície. Este método ofereceu a nossa pesquisa, uma alta resolução de imagens que permitiram a identificação de traços arqueológicos significativos.

Neste ensaio foram realizadas 12 sondagens verticais, com as antenas de 400 e 200 MHz, segundo uma malha retangular, posicionada ao lado da Capela da Graça, visando auxiliar o trabalho de arqueologia com a identificação de prováveis alvos de interesse. Estes alvos podem se constituir de artefatos coloniais ou pré-coloniais.

As profundidades alvo ficaram situadas em torno de um metro, com resolução suficiente para detectar objetos (ou aglomerados) com diâmetro superior a 10 cm. A identificação dos objetos é influenciada pelas características elétricas dos artefatos (líticos, cerâmica, ossos, objetos metálicos), quanto maior for o contraste com a propriedade dos sedimentos encaixantes maior será a probabilidade de sua identificação.

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Com base nos dados indicados pelas aquisições GPR, no Antigo Engenho da Graça, cinco sondagens com 1m de profundidade permitiram identificar as interfaces de reflexão. Um novo piso em tijoleira e uma série de artefatos arqueológicos pode ser encontrado através desta técnica. Amostras de tijolos e cerâmicas foram coletadas e serão enviadas para novas datações por TL. Os tijolos observados neste piso se diferenciam dos demais investigados até o atual estágio da pesquisa.

Datações Obtidas para o Sítio da Graça (Laboratório de Vidros e Datação/SP: 620±150 BP (LVD 2682); 250 ± 30 BP (LVD 2683); 170 ± 25 BP (LVD 2684); 215 ± 30 BP (LVD 2685); 195 ± 20 BP (LVD 2686).

Antonio Canto (Arqueólogo Sênior)
SAB (396).

Currículo Resumido do Pesquisador

Arqueólogo Sênior: Antonio Canto

Como arqueólogo participou, durante a sua graduação, em diversos estágios curriculares na linha de pesquisa antropológica, com área de concentração em Etnologia Indígena.

Em 1994, especializou-se em Arqueologia Pré-histórica. Ingressou no Mestrado em Geociências, em 1996, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na área de concentração em Geologia Sedimentar (Geoarqueologia), com o projeto de pesquisa financiado pelo CNPq, recebendo a menção de “Aprovado com Distinção” pela defesa da sua Dissertação em 1998.

No ano 2000, ingressou para o Doutorado em Arqueologia na Universidade de Coimbra (Portugal) desenvolvendo, em convênio com o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um projeto de pesquisa que analisa as ocupações pré-históricas dos sambaquis Boa Vista (Cabo Frio – Rio de Janeiro).

Na sua função de pesquisador, já publicou mais de 60 artigos sobre arqueologia em jornais, periódicos e revistas de divulgação científica brasileira e estrangeira, abordando a pré-história e a história brasileira.

Na esfera internacional, tem trabalhos realizados e publicados em países como o Líbano, Portugal, China e Alemanha. É Sócio Efetivo de diversas Associações Científicas, dentre as quais: a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), Centro Brasileiro de Arqueologia (CBA), Associação Brasileira de Estudos do Quaternário (ABEQUA), Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) e União da Geomorfologia Brasileira (UGB).

É Professor Universitário, orientador de bolsistas e atua como Arqueólogo da Oficina-Escola de Revitalização do Patrimônio Cultural de João Pessoa. É Presidente do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas e Sociais (NUPAS).

Lançou, durante a XXII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro (2003), o seu primeiro livro: “TÓPICOS DA ARQUEOLOGIA”. Em 2004, o referido título foi um dos destaques da FLIP (Festival Literário Internacional de Paraty/RJ).

É coordenador de projetos arqueológicos licenciados pelo IPHAN/DF. Bolsista do CNPq. Em 2006, passou a ser Articulista da Revista Museu (RJ). Em 2007, assume a função de Colunista de Arqueologia do Portal Brasil Escola.com.

Em João Pessoa, já Coordenou Pesquisas Arqueológicas na Antiga Fábrica de Vinhos Tito Silva, no Antigo Engenho Paul e na Igreja da Misericórdia.

Oficina-Escola revitaliza o patrimônio cultural de João Pessoa

Criada em 1991, a Oficina-Escola de Revitalização do Patrimônio Cultural de João Pessoa tem por finalidade formar e capacitar jovens desempregados, em situação de risco social em trabalhos relacionados à reabilitação de contornos urbanos e do patrimônio cultural. Para isso, desenvolve ações pedagógicas baseadas na formação prática e teórica, em obras de restauração do patrimônio histórico e logradouros públicos, com vistas à inserção no mercado de trabalho.

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A Oficina-Escola é uma Associação Civil de Direito Privado, sem fins lucrativos com objetivos culturais e educacionais, uma entidade de utilidade pública. Localizada na Rua da Areia, no Varadouro, a Oficina-Escola já atendeu mais de 950 jovens, da população de baixa renda, na faixa etária de 18 a 25 anos.

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Atualmente, encontra-se em andamento a formação da XIX turma, composta por 60 alunos. Com a duração de dois anos, os cursos de formação compreendem a capacitação profissional relacionada à preservação do patrimônio construído e atividades voltadas para a formação integral. A Oficina-Escola oferece formação em: jardinagem, marcenaria, serralharia (forja), carpintaria, alvenaria e restauração de bens móveis e integrados. Conheça o programa de formação acessando www.oficinaescolajp.org.br

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A Oficina-Escola de João Pessoa já atuou no resgate de diversos monumentos históricos e logradouros públicos como: o Antigo Hotel Globo; a Igreja de São Bento; a Bica de Tambiá (no Parque Arruda Câmara); a Igreja de N. Srª do Carmo; a Praça Dom Adauto; dois prédios na Praça Anthenor Navarro; o Coreto da Praça Venâncio Neiva (mais conhecido por Pavilhão do Chá); o Casarão de Azulejos; a Antiga Fábrica de Vinhos de Caju Tito Silva & Cia; e o Altar Mor da Igreja de São Pedro Gonçalves e da Capela da Imaculada Conceição/Aparecida-PB, entre outros.

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A Oficina Escola é dirigida por NÁHYA MARIA LYRA CAJÚ - Arquiteta e Urbanista formada pela UFPB, com especialização em Revitalização do Patrimônio Natural e Construído, pelo Instituto de Cooperación Iberoamericana – ICI/Espanha.

Crédito Fotos: Restauro da Capela da Graça\Fotos_Germana Bronzeado
Pesquisa_Arqueologica\Fotos-Germana Bronzeado
Restauro dos Bens Integrados Capela da Graça\Fotos_ Germana Bronzeado

Fonte: Patrícia Teotonio
28.08.2010

 
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