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17.000 toneladas de resíduos nucleares do Japão procuram um lar definitivo

Compartilhe:     |  12 de julho de 2015

Sejam bem-vindos ao Japão, a terra das flores de cerejeiras, do sushi e do saquê, e de 17.000 toneladas de lixo altamente radioativo.

É isso que o país tem em um armazém temporário de suas usinas nucleares. Os defensores da energia atômica dizem que ela é mais limpa para gerar eletricidade do que os combustíveis fósseis. Os detratores dizem que não há nada de limpo no que resta, e que parte disso continua sendo uma toxina mortal para o meio ambiente durante milênios.

Desde que a energia atômica foi captada pela primeira vez há mais de 70 anos, o setor vem tentando resolver o problema da remoção segura dos resíduos. O Japão foi empurrado para o centro da questão por ter decidido, há poucos meses, aposentar cinco reatores depois do desastre de Fukushima em 2011. Nesta semana, o país também decidiu reativar outra unidade, apesar da oposição pública.

“Faz parte do preço da energia nuclear”, disse Allison Macfarlane, ex-diretora da Comissão Regulatória de Energia Nuclear dos EUA (NRC, na sigla em inglês), em entrevista de Tóquio. “Agora, especialmente com a desativação de locais, haverá mais pressão para fazer algo com este material. Porque é necessário”.

Hoje, os 437 reatores ativos do mundo produzem cerca de 12.000 toneladas de resíduos radioativos por ano, o equivalente a cem ônibus de dois andares, segundo a World Nuclear Association.

Atualmente, a maioria dos países concorda com que enterrá-lo bem profundamente é a melhor opção. Outras ideias, como lançá-lo ao espaço ou jogá-lo dentro de um vulcão, surgiram e se dissiparam.

Os EUA, que têm a maior quantidade de reatores, gastaram a cifra estimada de US$ 15 bilhões em um local para resíduos nucleares em Yucca Mountain, Nevada. A oposição local desbaratou o plano, o que implica que cerca de 49.000 toneladas de combustível gasto estão nos tanques de esfriamento de usinas nucleares espalhadas pelo país.

Fukushima

O Japão enfrenta outro desafio. Quatro anos atrás, o país sofreu um acidente nuclear sem precedentes. Um terremoto e um tsunami transpuseram as defesas de engenharia da usina de Fukushima, ao norte de Tóquio, e provocaram a fusão nuclear de três reatores.

Serão necessários bilhões de dólares e tecnologia ainda não inventada para limpar Fukushima. Quanto tempo isso levará é motivo de disputas. A Tokyo Electric Power Co. estima 40 anos. O Greenpeace diz que poderia demorar o dobro.

Os 43 reatores ativos do Japão estão desativados desde setembro de 2013 para inspeções de segurança depois do desastre. O governo disse que a energia atômica é essencial para o fornecimento de eletricidade e que os reatores que cumprem os padrões de segurança poderão voltar a funcionar.

NUMO

A Organização de Gestão de Resíduos Nuclear do Japão, conhecida como NUMO, tem a tarefa de tratar os resíduos. A organização busca um local de armazenamento há anos. A princípio, convidou os distritos a se candidatarem como sede.

Agora, diante do fechamento acelerado de alguns reatores depois de Fukushima, a NUMO descartou em maio a ideia de esperar um voluntário. Em vez disso, cientistas vão nomear as regiões adequadas.

Desmontar um reator, processo conhecido como desativação, produz algumas toneladas de material altamente radioativo, normalmente o combustível usado e líquido de refrigeração. Os edifícios e o equipamento equivalem a milhares de toneladas dos chamados resíduos de baixa radioatividade.

Outro dificuldade para encontrar um local de descarte definitivo é que o Japão fica sobre uma malha de placas tectônicas em colisão, o que significa que ele é um dos países mais propensos a terremotos do mundo.

Macfarlane, a ex-diretora da NRC, que também é sismóloga, disse que isso não impossibilita a tarefa. Um depósito a centenas de metros sob o solo está parcialmente protegido contra terremotos, da mesma forma que os submarinos durante fortes tempestades, disse ela.

“Encontrar um local adequado abaixo do solo é melhor do que esperar pelo melhor lugar possível”, disse ela



Fonte: Uol



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