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35 anos acorrentado: O sofrimento de Kaavan, o elefante mais solitário do mundo

Compartilhe:     |  13 de outubro de 2020

Depois de 35 longos anos, o elefanteKaavan, que viveu a maior parte da sua vida no Zoológico de Maraghazar, em Islamabad, capital do Paquistão, ganhou uma nova casa. Uma campanha enorme que mobilizou pessoas ao redor do mundo fez com que o animal, que já ganhou o título de “elefante mais solitário do mundo” fosse retirado do zoológico.

Segundo informações do UOL publicadas na última quinta-feira, 8, Kaavan será levado para o Santuário do Cambodja para Vida Selvagem. No local, ele terá muito mais espaço do que anteriormente, uma das maiores críticas feitas à instituição em que ele habitou por quase todos os seus anos de vida.

Essa mobilização põe fim ao sofrimento que o elefante teve durante muito tempo. Ainda assim, ela não apaga os traumas pelos quais ele passou e os quais ativistas continuam afirmando para que nenhum outro animal possa passar por esse tipo de situação novamente.

Trajetória

Crédito: Divulgaçao/Youtube

 

Nascido no Sri Lanka em 1985, Kaavan foi para o Paquistão por meio de um acordo peculiar. Ele foi dado como presente pelo governo de seu país natal para o então presidente paquistanês, Zia-ul-Haq. A ideia das autoridades cingalesas era homenagear a relação próspera entre os dois países, dando, assim, um “agrado” ao então governante.

No entanto, para o elefante, o resultado disso foi o pior possível. Logo no ano de seu nascimento, foi enviado para o Paquistão, mais especificamente para o Zoológico de Maraghazar, na capital do país, Islamabad, onde passaria a maior parte da sua vida, até os dias de hoje.

A situação no zoológico era precária. Ele era obrigado a permanecer em uma jaula muito pequena para o seu tamanho, com dimensões de 90m por 140m, claramente não o suficiente para que ele pudesse viver de maneira confortável. Além disso, a gaiola não possuía nenhum tipo de cobertura, ou ao menos árvores, para que ele pudesse se esconder do sol.

Isso tudo junto com o clima quente da capital paquistanesa, que pode chegar a até mesmo 40º durante o verão, gerando uma combinação que resultava em uma convivência insuportável para o animal. Essa foi uma das primeiras denúncias feitas sobre as circunstâncias pelas quais o elefante tinha que passar.

Mas, além disso, ele também sofria com maus tratos vindos de seus cuidadores todos os dias. O zoológico em específico foi acusado inúmeras vezes por comportamento inadequado e violento para com os animais que viviam no local, em especial Kaavan. Acredita-se que ele tenha passado muito tempo acorrentado nas grades da jaula, tendo apanhado inúmeras vezes dos tratadores.

Durante esse tempo em que o elefante permaneceu na instituição, outro elefante foi trazido para o mesmo local em que ele vivia. Até então, ele era o único elefante asiático no Paquistão, mas Kaavan ganhou uma companhia em 2002. Saheli foi levada de Bangladesh para o Zoológico de Maraghazar, para a mesma jaula que o antigo habitante.

A morte da companheira em 2012 fez com que o animal voltasse a viver sozinho, após longos anos um com o outro. Nesse momento, ele passou a ser considerado o “elefante mais solitário do mundo”.

Campanha

Foi em 2015 que uma das maiores mobilizações pelos direitos dos animais começou. Naquele ano, uma petição na internet começou a ser assinada por milhares de pessoas, em que pedia-se pela libertação de Kaavan. Ela foi levada até mesmo ao então primeiro-ministro do país em que o elefante vivia, Nawaz Sharif.

A campanha foi apoiada até mesmo pela cantora Cher, que pressionou as autoridades do país para retirar o animal das péssimas situações pelas quais ele estava sendo submetido por meio da ação #SaveKavaan. Assim, imagens que demonstravam a solidão vivida por ele também viralizaram nas redes sociais, aumentando o engajamento das pessoas.

No entanto, foi apenas em 21 de maio deste ano que o Supremo Tribunal de Islamabad aceitou o caso e afirmou que o elefante deveria ser retirado daquelas condições e levado para um santuário. Agora, depois de ficar acorrentado por 35 anos, Kaavan será recebido no Santuário do Cambodja para Vida Selvagem, que, além de ter mais espaço, também contará com mais companheiros da mesma espécie.



Fonte: Aventura na História



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