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98% dos peixes da Amazônia estão contaminados com plástico

Compartilhe:     |  27 de agosto de 2020

Não bastassem os peixes contaminados por mercúrio do garimpo no Amapá, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) encontraram seis tipos de plástico em 98% dos peixes da Amazônia. Grande parte desses plásticos são fibras de poliéster, as quais podem causar diversos danos para a saúde desses e outros animais.

Segundo informações da BBC News Brasil, foram encontradas 383 partículas de plástico em 67 peixes analisados pelo Laboratório de Pesquisa e Conservação da UFPA. A maior parte dessas partículas estava no intestino, enquanto que a outra foi localizada nas brânquias desses animais.

Não é a primeira vez que os pesquisadores realizam esse tipo de estudo. No ano passado (2019), eles identificaram que 25% dos peixes coletados no Xingu continham partículas de plástico no trato gastrointestinal. Isso acontece devido à quantidade de plástico que é despejada no Rio Amazonas, cerca de 39 mil toneladas, segundo estudo publicado na revista científica Nature.

Nas regiões de água doce com populações ribeirinhas, o tratamento de esgoto é inexistente e, o mesmo rio e riacho que serve de lazer, acaba sendo o destino de muitos dejetos. Essas práticas prejudicam o equilíbrio ecológico, porque muitos peixes são predadores de insetos ou servem de alimento para os sapos.

Cadeia alimentar em risco. Danos desconhecidos

O plástico ingerido pelos peixes pode causar a morte deles e prejudicar a reprodução das espécies, desequilibrando toda a cadeia alimentar. Dentre as espécies analisadas, a que continha mais plástico era o Crenicichla regani, que também é conhecido como jacundá ou joaninha. Esse peixe se alimenta de pequenos crustáceos e larvas de insetos.

De acordo com a publicação, o próximo passo é estudar o impacto dessa poluição na diminuição das espécies e também saber a origem das partículas. Existe a hipótese de que o material encontrado nos peixes seja oriundo de roupas sintéticas, pois 93% do material encontrado são fibras. Outros materiais como pneus, tintas e escovas de dente também estão na lista de contaminantes, assim como outros tipos de plástico que são descartados indevidamente.

Uma estimativa alarmante citada na matéria é sobre a quantidade de plástico que existe boiando no oceano Atlântico: 21 milhões de toneladas. Para ter noção do problema, esse montante é capaz de encher mais de mil navios-cargueiros só de plástico descartável.

Toda essa poluição vai se deteriorando e é consumida pelos animais marinhos. Consequentemente, as partículas que se formam podem chegar no corpo humano, assim como foi divulgado recentemente em um estudo, que identificou microplásticos em órgãos humanos (pulmão, fígado, rins e baço).

O fato é que o plástico encontrado nos peixes interfere na aptidão física deles, pois eles ficam sem energia para capturar alimentos e se reproduzirem. Além disso, as fibras de plástico dão uma falsa sensação de saciedade e podem ferir mortalmente os peixes por dentro.

Uma última curiosidade é com relação ao fato do plástico ingerido pelos peixes ter aparência e cheiro de comida. Isso ocorre porque as partículas são envolvidas por micróbios que liberam substâncias químicas, fazendo com que o plástico tenha gosto e cheiro de alimento para animais marinhos.

Contudo, os pesquisadores orientam que sejam desenvolvidas ações para evitar o aumento de plástico na bacia Amazônica com o envolvimento da população local, bem como iniciativas de educação ambiental e o engajamento de instituições públicas e privadas.

O intuito dessa e outras pesquisas realizadas em outras regiões, é alertar para os danos que o plástico pode causar na saúde dos animais como um todo, incluindo nós. Medidas de incentivo para a redução do consumo de plásticos descartável (cotonetes, canudos, etc) são bem-vindas por todos nós que temos real preocupação com a preservação com o planeta.



Fonte: GreenMe - Eliane A Oliveira



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