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A 100 metros de Brumadinho, análise da água apresenta resultado ruim

Compartilhe:     |  2 de fevereiro de 2019

qualidade da água nos arredores de Brumadinho já apresenta resultado ruim, segundo análise de especialistas da Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o laboratório de Poluição Hídrica da Universidade de São Caetano do Sul.

Em busca de mais informações sobre os impactos ambientais pela onda de lama e rejeito, em Brumadinho, uma expedição foi organizada pelo rio Paraopeba.

Malu Pinheiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica, conta que a equipe é composta por biólogos, advogados e geólogos. A expedição, que começou ontem, 31, já percorreu 45 km ao longo do Rio Paraopeba, visitando, até o momento, quatro pontos de coleta. A expectativa é a de que o trajeto seja percorrido até a próxima quarta-feira, 6.

Segundo Pinheiro, a qualidade da água de Brumadinho analisada no primeiro ponto apresenta aspecto tão ruim que não foi possível medir todos os 14 parâmetros de qualidade da água. “É algo realmente assustador, não tem nenhum organismo vivo”, disse em entrevista à GALILEU.

A expedição quer colher amostras em cerca de 20 pontos de análise e vai medir, em tempo real, índices de oxigenação, nitrato e fosfato. Após esses resultados, outros dados que levam mais tempo para serem processados serão apresentados nos próximos dias.

As ferramentas utilizadas para a coleta de dados são do Índice de Qualidade da Água (IQA), com base na resolução do Conama de nº357 de março de 2005. Resolução que estabelece os padrões para classificação de água no Brasil.

Expedição já percorreu 45 km ao longo do Rio Paraopeba (Foto: Gaspar Nóbrega/ SOS Mata Atlântica.)

Qual o impacto da catástrofe nas águas da região

Com extensão de 546,5 km, a bacia do rio Paraopeba, localizado em Brumadinho, corresponde a 5,14% da bacia do rio São Francisco. Desde o rompimento da barragem e da inundação por lama da região, o Paraopeba está indisponível para qualquer tipo de uso.

Independente do resultado das análises da água dos outros pontos da região de Brumadinho o tempo de recuperação será longo, conta Pinheiro. Ela, que esteve presente durante a coleta de dados na tragédia de Mariana, explica que o local ainda levará tempo para ser revitalizado. “Em Mariana, a tragédia sobre o Rio Doce atingiu a extensão da bacia inteira. Até hoje, passados três anos, não houve ainda uma recuperação do Rio Doce”, conta

Segundo a SOS Mata Atlântica, a previsão é de que a água do rio com rejeito chegue ao reservatório de Retiro Baixo, na bacia do Rio São Francisco, na terça-feira que vem, 5. Ainda não se sabe exatamente quais serão os impactos na foz do rio São Francisco, responsável por abastecer milhares de pessoas.

Pinheiro também conta que é muito difícil traçar um paralelo entre as duas tragédias. As diferenças não estão apenas na quantidade de lama, mas no clima mais seco e o rejeito mais denso de Brumadinho.

Depois da coleta e da análise dos dados, a intenção da expedição é de levar os resultados para as autoridades responsáveis. “Queremos levar esses resultados para comitês, órgãos da CIA e Ministério Público. Esperamos conseguir ajuda na recuperação”, diz.

4 especialistas compõem o grupo para a expedição pelo rio Paraopeba (Foto: Gaspar Nóbrega/ SOS Mata Atlântica.)


Fonte: Galileu



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