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A armadilha do longo prazo na sustentabilidade e questões ambientais

Compartilhe:     |  23 de setembro de 2020

Uma das principais verdades em sustentabilidade é também uma das maiores armadilhas para fazer com que ela avance de forma pragmática. Estou falando do entendimento de que as questões ambientais, sociais e de governança agregam valor no longo prazo.

Não por acaso, os investidores institucionais são atores que lideram esta agenda, responsáveis pela criação de iniciativas como o CDP (antigo Carbon Disclosure Project) e o PRI – Principles for Responsible Investment. Afinal, os fundos de pensão têm responsabilidade fiduciária pelos recursos que gerem, e precisam que eles estejam saudáveis e disponíveis décadas adiante, a fim de pagarem a aposentadoria de seus participantes.

Da mesma forma, introduzir a lógica socioambiental em sistemas, políticas e procedimentos não se faz da noite para o dia. Requer visão, planejamento, investimento. E, portanto, tempo. Concluo, então, que concordamos quando definimos sustentabilidade como geradora de valor no longo prazo para as companhias que a adotam.

Por outro lado, quando a vinculamos apenas ao longo prazo, não é comum surgir o pensamento: “Depois eu olho para isso. Vou tocar o ‘business as usual’ hoje e amanhã analiso essas questões”. Esta é a armadilha.

É importante, portanto, incluirmos no nosso discurso com as lideranças a perspectiva de que sustentabilidade traz valor, sim, também no curto prazo. Ora, os impactos são observados hoje, seja em termos de riscos ou oportunidades. Alguém tem dúvida disso? Que o digam uma pandemia imprevisível que colocou o mundo em lockdown, os desastres ambientais e as crises sociais que do dia para noite derrubam os papeis das companhias listadas em bolsa e arrasam sua reputação corporativa.

Por tudo isso, uma das pesquisas que mais me impressionaram e uso em minhas apresentações e diálogos é a “The ESG premium: New perspectives on value and performance”, realizada pela McKinsey&Company de 16 a 31/7 de 2019 e divulgada em fevereiro deste ano. Foram consultados 439 executivos C-level e 119 da comunidade de investimentos de várias regiões, indústrias e companhias. O estudo capturou a mudança de percepção desses profissionais em uma década – de 2009 a 2019 – em relação ao valor que as questões ambientais, sociais e de governança agregam aos acionistas no curto e no longo prazo.

A percepção de que esses fatores impactam no longo prazo, que já era alta em 2009, se tornou praticamente unânime em 2019. Até aí, nenhuma surpresa. Como já vimos, esse é o esperado quando falamos de sustentabilidade — se bem que sempre devemos celebrar quando não há retrocessos.

A boa notícia que a pesquisa nos traz, no entanto, é que a percepção dos entrevistados sobre a criação de valor da sustentabilidade no curto prazo aumentou muito:

Dois terços afirmaram que os programas sociais agregam valor no curto prazo, contra 41% há dez anos.
Sete em cada dez disseram que os programas de governança têm um efeito positivo no curto prazo, em comparação a 67% anteriormente.
Já os programas ambientais são o que apresentaram a mais baixa percepção de ganhos no curto prazo, em relação aos aspectos sociais e de governança. Por outro lado, tiveram um avanço importante em dez anos, passando de cerca de 30% para quase 60% dos respondentes entendendo que esta agenda tem impacto positivo já.



Fonte: Valor Investe - Sonia Favaretto



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