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A fascinante história da água no Sistema Solar e no Universo

Compartilhe:     |  14 de abril de 2015

Dois átomos de hidrogênio, um de oxigênio – elementos químicos que estão entre os mais abundantes do Universo. É tudo o que a natureza precisa para formar uma molécula da substância mais preciosa de todas para qualquer ser vivo que já passou pela face da Terra. Se não fosse a existência de água em nosso planeta, eu não estaria escrevendo este texto, e você também não estaria lendo estas palavras. Apesar de ser a chave para a vida como a conhecemos, algo que parece raro no cosmos, os cientistas estão cada vez mais certos de que a água é incrivelmente comum. Para todos os lugares que olham, eles a encontram: em nuvens moleculares no espaço interestelar, em sistemas planetários recém-nascidos, nas atmosferas de exoplanetas gigantes e distantes. Ela está lá, seja em forma de gelo, de vapor ou de líquido.

“As atividades científicas da NASA forneceram em anos recentes uma onda de descobertas incríveis relacionadas com a água, que nos inspiram a continuar investigando nossas origens e as possibilidades fascinantes para outros mundos, e vida, no Universo”, disse a cientista-chefe da agência, Ellen Stofan, em um comunicado intitulado The Solar System and Beyond is Awash in Water (o Sistema Solar e além estão inundados de água, em tradução livre). O texto traça um panorama da presença da água no cosmos, e como ela cria pontes entre mundos que não parecem ter relação alguma entre si.

Agora mesmo, ao que tudo indica, oceanos salgados como os nossos podem estar fluindo sob a superfície congelada de luas como Encélado e Titã, de Saturno, e também por baixo da crosta de três satélites de Júpiter: Ganímedes, Calisto e Europa. Estes surpreendentes mundos aquáticos podem até conter organismos vivos em seus mares subterrâneos. “Durante nossas vidas, podemos muito bem finalmente responder se estamos sozinhos ou não no Sistema Solar e além”, disse Ellen. Em fevereiro fizemos um vídeo sobre Europa, que você pode assistir no fim do post.

Mas como as preciosas moléculas de H2O vieram parar na Terra? Os pesquisadores acreditam que elas vieram de carona em asteroides e cometas, já que na infância do Sistema Solar os planetas rochosos eram quentes demais para abrigar a água em estado líquido ou sólido. Mas, com o passar das eras, elas foram sendo trazidas, e sondas já comprovaram sua presença em lugares tão inóspitos quanto crateras de Mercúrio e da Lua.

Hoje também sabemos que, em um passado distante, Marte foi um mundo repleto de água líquida em sua superfície, e as condições ideais para a vida podiam ser encontradas ali. É impossível não se perguntar: para onde foi toda a água? Um pouco dela está congelado nas calotas polares do Planeta Vermelho, e uma outra parcela no subsolo, segundo os cientistas. Eles acham que a antiga atmosfera marciana foi desmanchada pelo vento solar, e que por isso o planeta secou.

Telescópios cada vez mais potentes conseguem observar como a água se comporta em sistemas solares que estão se formando – é um pouco como olhar para os primeiros tempos da nossa própria vizinhança. O telescópio espacial Spitzer, da NASA, flagrou cometas ricos em água bombardeando planetas jovens. A história se repete. A busca por exoplanetas pode levar, muito em breve, à descoberta de mundos cheios de água, como o nosso. Ou como conclui o excelente artigo da NASA, que pode ser lido na íntegra, em inglês:

“É fácil se esquecer que a história da água da Terra, de chuvas serenas a rios raivosos, está intimamente conectada com a história maior do nosso Sistema Solar e além. Mas nossa água veio de algum lugar – todos os mundos do nosso Sistema Solar receberam suas águas da mesma fonte compartilhada. Então vale a pena considerar que o próximo copo de água que você tomar pode, facilmente, ter sido parte de um cometa, ou do oceano de uma lua, ou de um mar na superfície de Marte que desapareceu há muito tempo. E note que o céu noturno pode estar cheio de exoplanetas formados por processos similares aos do nosso mundo natal, onde ondas suaves banham as praias de mares alienígenas”.



Fonte: Revista Galileu



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