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A forma como você lava a roupa pode diminuir a poluição no mar

Compartilhe:     |  9 de junho de 2020

Eles estão por toda parte. Estima-se que, apenas no oceano, tenha entre 90 e 240 mil toneladas de microplásticos. A principal fonte são as roupas de tecido sintético, como nylon e poliéster, que constituem 35% desse total.

Agora, um estudo feito pela Universidade de Northumbria em parceria com a multinacional Procter & Gamble (P&G), fabricante de produtos de limpeza, mostrou que, por ano, só a Europa lança 500 quilos de fiapos sintéticos durante as lavagens de roupa – eles acabam se soltando na lavagem e seguindo rumo ao mar. Não há dados sobre o resto do mundo, mas não há dúvidas que seja um número consideravelmente alto. Afinal, basta uma máquina de lavar e uma calça esportiva para o problema estar feito – do total de microfibras sintéticas lançadas ao mar, basicamente tudo vem de lavagens.

Os microplásticos são um dos principais, mais traiçoeiros, poluentes do oceano. Pesquisas sugerem que eles podem absorver produtos tóxicos encontrados no oceano, como pesticidas. O zooplâncton (o conjunto de microorganismos marinhos) e pequenos peixes acabam ingerindo as microfibras e, consequentemente, levando substâncias tóxicas para todo o resto da cadeia alimentar. Não é só isso. Esses pedacinhos podem prejudicar o trato digestivo de animais menores e levá-los à morte, o que diminui a oferta de alimento para o resto da cadeia.

Os microplásticos também chegam até nós, seja pela ingestão de peixes e ostras, seja pela de água doce contaminada por eles. Mesmo com todo o processo de filtração, as partículas acabam sendo pequenas demais para serem separadas do líquido. Em contato com os pulmões, a microfibra pode desencadear de ataques de asma até o desenvolvimento de um câncer. Uma pesquisa feita pela Universidade de Paris mostrou que, inclusive, existe microplástico caindo com a chuva. Haja onipresença.

Mas nem tudo está perdido – e você não precisa parar de lavar roupas para mudar a situação (ainda bem). Os pesquisadores mostraram que é possível reduzir em até 30% a quantidade de microfibras liberadas nos oceanos se a lavagem for feita em ciclos mais curtos (30 minutos) e frios (15 ºC). Para ter uma ideia, os ciclos convencionais duram 85 minutos e a lavagem é feita na temperatura de 40 ºC.

Além disso, quanto menor a proporção de água por tecido, menor a emissão de microfibras. Por isso, máquinas mais modernas de alta eficiência são vistas com bons olhos, já que usam até 50% menos água e energia do que as tradicionais. Usar a capacidade completa da máquina também é o ideal – nada de lavar meia dúzia de peças por vez. E uma boa notícia para os amantes de brechó: os pesquisadores perceberam que roupas novas liberaram mais microfibras nas primeiras oito lavagens do que roupas antigas.

Outra forma de reduzir o prejuízo é simplesmente evitar a compra de roupas de nylon e poliéster. Tente optar por peças de lã, algodão e viscose, que também soltam microfibras, mas de origem natural. Essas vão se decompor bem mais rápido no ambiente (meses, em vez de anos), o que diminui bem o impacto. Em qualquer situação, porém, vale seguir as dicas de lavagem citadas acima, já que a fibra natural também polui, e consiste em 96% dos fiapos que as máquinas de lavar enviam aos rios e oceanos.

John R. Dean, professor de ciências analíticas e ambientais e líder do estudo, sugere que é papel das indústrias têxteis e das fabricantes de eletrodomésticos inovarem em seus produtos visando a proteção ambiental. Em um comunicado, ele explica que “encontrar uma solução definitiva para a poluição dos ecossistemas marinhos por microfibras liberadas durante a lavagem provavelmente exigirá intervenções significativas nos processos de fabricação de têxteis e no design de aparelhos de máquinas de lavar”.

Introdução de sistemas de filtragem e revisão de tecidos são algumas mudanças que podem ser feitas a longo prazo. Por outro lado, a mudança de hábitos domésticos por cada família é algo simples e possível de fazer imediatamente. Pense nisso na próxima vez que colocar as roupas para bater.



Fonte: Superinteressante



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