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A Indústria 4.0

Compartilhe:     |  7 de abril de 2019

Por Fernando Nazareno*

A Indústria 4.0, ou Quarta Revolução Industrial, é resultado de um Projeto Estratégico do Governo Alemão que, em 2012, criou um grupo de trabalho para pensar ações no sentido de tornar suas fábricas mais competitivas, face à crescente participação de concorrentes internacionais no mercado globalizado. Esta tarefa foi entregue a Siegfried Dais, CEO da Robert Bosch GmbH, tradicional indústria alemã e a Henning Kagermann, Presidente da Academia Alemã de Ciências e Engenharia. No ano seguinte, foi lançada oficialmente na Hannover Messe, a mais importante e vanguardista feira internacional da indústria.

A Primeira Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra em 1760 e foi marcada pela introdução do vapor, oriundo da queima de madeira, na operação de teares. Os ganhos de produtividade foram inimagináveis, em relação a anterior maneira de produzir artesanalmente. Os historiadores consideram que este é o marco histórico mais significativo para a humanidade, desde que o homem deixou de ser nômade e desenvolveu a agricultura e a criação de animais.

A Segunda Revolução Industrial mudou seu eixo geográfico e foi acontecer no Novo Mundo, mais precisamente nos Estados Unidos, a partir de 1850. Foi marcada pelo desenvolvimento e utilização da eletricidade nos meios de produção, além da substituição da madeira pelo carvão mineral. Também pelo desenvolvimento de produtos notáveis que mudaram a maneira de viver da humanidade, como a lâmpada elétrica, o automóvel, o avião, o refrigerador, etc. Seus expoentes foram grandes engenheiros e inventores como Thomas Edison, Nikola Tesla, Richard Westhinghouse, Henry Ford, Frederick Taylor, entre outros.

É produto da Segunda Revolução Industrial o grande avanço na medicina com as descobertas e o desenvolvimento de vacinas e antibióticos. Além dos avanços científicos e tecnológicos, houve uma grande conquista na organização da produção, através do taylorismo, que foi como tornou-se conhecida a utilização da Organização Científica da Produção por Frederick Taylor e sua imediata aplicação por Henry Ford na produção dos seus carros.

A Terceira Revolução Industrial tem sua data de nascimento em 1969 com a invenção do CLP, Controlador Logíco Programável pela Bedford Associate para a General Motors. A partir daí a automação industrial e a tecnologia da informação passaram a ser utilizadas em grandes escalas no Sistema Produtivo da Indústria. Significativos ganhos de Qualidade e Produtividade são as marcas deste período, com significativos avanços na eletrônica através dos semicondutores, nas comunicações com o uso dos satélites, na medicina com os diagnósticos por imagem e na utilização de energia nuclear nos tratamentos radioterápicos.

Finalmente chegamos à Quarta Revolução Industrial, que representa o somatório de todos os avanços tecnológicos vivenciados ao longo da história. É uma revolução baseada em automação, robótica, impressão 3D, compartilhamento de dados em nuvens e inteligência artificial. A interação entre máquinas, fábricas distantes umas das outras e homens, já é uma realidade. As máquinas já conversam entre si e tomam decisões referentes a produção, sem a interferência dos homens. A produção além de altos padrões de qualidade e produtividade experimenta significativos avanços nos serviços, como por exemplo, a customização que já é uma realidade.

O grande progresso da medicina vai ser ainda na evolução de equipamentos para diagnóstico por imagens, como o desenvolvimento de equipamentos de pet scan ainda mais avançados, órgãos artificiais para transplantes, além da realização de cirurgias robóticas à distância. São tempos de significativos avanços em todas as áreas do conhecimento humano, principalmente na medicina, nos transportes, nas comunicações, no fornecimento de bens e serviços e na integração entre os povos. O grande desafio a ser encarado por governos e sociedade, é o fim de muitas profissões tradicionais atuais e o surgimento de novas atividades laborais, o que demandará grandes esforços em Educação.

*Fernando Nazareno é engenheiro eletricista com especialização em Gestão Empresarial pela Universidade Federal da Paraíba e consultor de empresas.



Fonte: Revista Espaço Ecológico



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