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A maior flor do mundo cheira a cadáver e é encontrada na ilha indonésia de Sumatra

Compartilhe:     |  19 de janeiro de 2020

“Bom dia com flores.” Manuel Peinado, professor da Universidade de Alcalá e doutor em Biologia pela Universidade Complutense de Madri, envia uma flor diferente todas as manhãs em um grupo de WhatsApp há dois anos sem jamais repetir. “Quero que as pessoas acordem com uma bela notícia. É uma maneira de alegrar o dia”, conta. Na terça-feira, 7 de janeiro, foi a vez da Rafflesia tuan-mudae, a maior flor do mundo que foi classificada até agora. A flor que desperta a curiosidade de seus amigos tem 111 centímetros de diâmetro e nasceu na primeira semana de 2020 na área de conservação da natureza de Maninjau, na ilha de Sumatra, na Indonésia. Durante a floração, a planta desprende um odor repugnante de carne podre, semelhante ao de um cadáver, para atrair as moscas que a polinizam.

Essa flor parasita, que parece um cogumelo gigante, tem uma vida de quatro a cinco dias antes de murchar. Possui cinco pétalas avermelhadas, nenhuma folha, pesa mais de 10 kg e é quatro centímetros maior do que a encontrada na mesma planta hospedeira em 2017. Aina S. Erice, autora de El Libro de las Plantas Olvidadas (O livro das plantas esquecidas, Grupo Planeta, 2019) e bióloga especializada no reino vegetal, explica que esse tamanho descomunal se deve à saúde da planta da qual se aproveita, geralmente do gênero Tetrastigma, uma espécie que cresce apenas em florestas do sudeste da Ásia. A planta não produz clorofila e rouba os recursos da hospedeira, por meio de uma transferência de seu material genético, para se desenvolver. “Formar uma flor desse tamanho é muito custoso. Desconheço se existe um limite, mas sei que ao mesmo tempo mudaria muito a existência da planta e já não seria viável”, comenta.

A cientista precisa que esses órgãos solitários se formam em ambientes “extremamente diversos”, em ecossistemas de floresta ainda inexplorados em comparação com as zonas do Mediterrâneo. Outra das curiosidades que Erice conta é que elas descendem da família de flores da ilha de Páscoa, que são pequenas e vermelhas. “É uma linha evolutiva impressionante com um desvio brutal e acredito, além disso, que é um dos exemplos de gigantismo mais extremos no reino vegetal”, confessa.

A história da descoberta

As 39 flores da espécie Rafflesia têm uma história que remonta aos séculos XVIII e XIX e se dividem em dois caminhos que fizeram a ciência avançar em paralelo: a viagem de Louis Auguste Deschamps, um botânico francês membro de uma expedição científica à Ásia e o Pacífico em 1797 e a descoberta dos britânicos Joseph Arnold e sir Stamford Raffles em 1818.

No entanto, em uma época de guerras e conquistas, as amostras do curioso espécime obtidas pelos franceses foram confiscadas pelos britânicos, como conta Peinado em seu blog Sobre Esto y Aquello. Em 1954, o Museu de História Natural de Londres divulgou todas as informações que haviam ficado na sombra. O curioso espécime era uma Rafflesia Patma. Mas sua prima, a Rafflesia Arnoldi, apesar de ter sido encontrada mais tarde, foi reconhecida e descrita oficialmente em 1821 por Robert Brown, um botânico escocês formado na Universidade de Edimburgo.



Fonte: EL PAÍS - AGATHE CORTES



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