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A produção de sucos da floresta é uma das maiores potencialidades do Amazonas

Compartilhe:     |  30 de junho de 2014

Por Virgílio Viana*

Um dos maiores desafios do Amazonas é desenvolver uma economia que aproveite melhor as riquezas naturais do Amazonas. Essa é a melhor estratégia para lidar com o fato do Pólo Industrial de Manaus (PIM) estar sempre vulnerável a mudanças nas políticas tributárias.

Uma das maiores potencialidades naturais do Amazonas é a produção de sucos da floresta. Temos dezenas de espécies frutíferas que são nativas daqui: açaí, camu-camu etc. O problema é que essas frutas ainda têm um mercado muito limitado e ficam restritas a feiras locais, que pagam preços baixos aos produtores. Nem mesmo os supermercados de Manaus oferecem adequadamente as frutas nativas aos seus clientes. Isso desestimula o investimento na cadeia produtiva. Como resultado, o potencial econômico das frutas da floresta ficava apenas na teoria.

Acaba de ser lançado pela Coca-Cola, com a marca Del Valle, um suco de açaí com banana. Isso não é apenas um produto novo para o consumidor. É uma utopia que está se transformado em realidade. É um conceito novo de cadeia produtiva sustentável, feito com 100% de açaí produzido por agroextrativistas do Amazonas. Mais importante, trata-se de um projeto gerido por uma grande empresa com notável competência na área de tecnologia de sucos e é líder mundial na produção e no marketing de bebidas. Tem tudo para dar certo. Por isso o dia 17 de setembro de 2013, data do lançamento desse produto, é histórico.

Essa é uma história que começou com uma visão estratégica e um sonho. No final de 2002, o hoje senador Eduardo Braga havia ganhado a eleição para governador com uma plataforma chamada Zona Franca Verde. A proposta era gerar mais emprego e renda com base no manejo sustentável das riquezas naturais das florestas, rios, lagos e igarapés do Amazonas.

Numa atitude ousada, logo após as eleições de 2002, o então governador Braga liderou uma missão para apresentarmos a ideia de sucos amazônicos ao presidente mundial da Coca-Cola. Fomos até a sede da empresa, em Atlanta, nos EUA, numa viagem organizada pelo competente Jack Correa. O planejado era uma visita completa à empresa, que incluiria, no final, um breve encontro com o seu presidente. O que era para durar cinco minutos acabou se estendendo por quase uma hora, furando todo o protocolo e a agenda do presidente, que teve a clareza de estar diante de algo novo e potencialmente inovador para o futuro da indústria de bebidas.

De volta ao Brasil, demos inicio à implantação de dezenas de iniciativas para tornar essa utopia uma realidade. Fizemos a desoneração de ICMS para todos os produtos florestais não madeireiros, a primeira do Brasil. Uma batalha para a qual tivemos que convencer Brasília e o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Criamos mais de 12 milhões de hectares de Unidades de Conservação para que o uso da floresta pudesse valorizar o saber dos ribeirinhos, com base cientifica e em territórios bem definidos. Criamos instituições para a assistência técnica florestal, o que até então não fazia parte da história do Amazonas. Daí surgiu a Agência de Florestas (depois incorporada ao Idam, que mudou de nome e orientação) e a Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS). Por meio da Agência Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) foram financiadas as primeiras fábricas de polpa de frutas. Infelizmente, não tenho espaço neste breve artigo para descrever todas as iniciativas tomadas pelo Programa Zona Franca Verde e que criaram os pilares para essa história se desenrolar.

O lançamento desse produto, onze anos depois, reflete uma maturidade institucional que merece justo reconhecimento. No evento de lançamento do novo suco de açaí, o Governador Omar Aziz lembrou as importantes ações do seu governo, que deu continuidade ao projeto original. Cabe também merecido reconhecimento ao presidente da Coca-Cola Brasil, Xiemar Zarazúa, que montou um time competente para colocar esse projeto em curso. O desafio é estarmos todos unidos entorno de iniciativas que atendam aos interesses maiores do Amazonas: melhorar a qualidade de vida e conservar a natureza. Isso só se faz valorizando a floresta em pé.

* Virgílio Viana é superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e coordenador da rede SDSN-Amazônia.



Fonte: Mercado Ético - Envolvimento Sustentável - Jornal Diário do Amazonas



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