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A questão ambiental tem de ser uma obsessão do governo federal

Compartilhe:     |  1 de outubro de 2016

“O Brasil conclui um processo que exigiu não apenas árduas e extensas negociações com outros países, mas também um longo trabalho de formação da posição nacional.

Quero congratular-me com o Congresso pela  aprovação do Acordo em período tão breve. Graças ao engajamento dos parlamentares, a tramitação foi bastante célere. E a unanimidade prevaleceu nas duas Casas em um curto espaço de tempo, o que não é fácil de se observar com nenhum acordo, com nenhum projeto. Até a data de hoje, apenas 27 países já haviam depositado seus instrumentos de ratificação. O Brasil está, portanto, na primeira leva de signatários a concluir o processo interno de aprovação do Acordo.

A celeridade com que o tema foi tratado aqui reflete a importância que as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável desfrutam hoje na sociedade brasileira. Isso é indiscutível. Nós queremos um país com crescimento pautado na responsabilidade ambiental, econômica e social. Há um consenso nacional, enfim, de que é esse o caminho que nós devemos trilhar.

A escolha do deputado Sarney Filho pelo presidente Temer para  o Ministério do Meio Ambiente foi muito feliz. Eu convivi com o Zequinha, ele titular do MMA e eu ministro do Planejamento, no governo Fernando Henrique. Desde aquela época, venho assinalando minha opinião a respeito da excelente escolha. O Zequinha é um grande batalhador, agitador, dá nó em pingo d’água e sabe trabalhar em equipe.

Sob a sua liderança e apoio do presidente Temer, o Brasil tem um inegável papel de liderança nas questões da mudança do clima. Contribuímos ativamente em todos os estágios da negociação – desde a RIO/92, e agora somos uma das primeiras grandes economias a ratificá-lo, ao lado de outros 180 países  também signatários do Acordo de Paris.

Não há mais espaço no mundo hoje, sem qualquer sectarismo, para “climacéticos”, que vão, cada vez mais, sair de moda. Determos a elevação da temperatura média global, cujo impacto sobre a nossa gente, sobre a saúde de crianças e idosos, sobre nossos biomas, nossas cidades e nossa economia em geral, poderá ser devastador.

Esta negociação global gera compromissos, mas também um grande número de oportunidades. Poderemos ter investimentos em tecnologias que facilitem as ações de adaptação e de mitigação, atrair recursos resultantes da  conservação de nossas áreas verdes. Há uma fortuna de dinheiro para trazer se nós formos competentes.

Podemos avançar, inclusive, em modalidades de transporte menos poluentes e na construção de edifícios sustentáveis. Essa não é uma utopia de gente politicamente correta que está preocupada apenas com o ouvido da rãzinha no interior do país.

Nós estamos vivendo uma verdadeira revolução industrial menos dependente de combustíveis fósseis. O Brasil tem todas as credenciais para estar na vanguarda dessa revolução e dela obter resultados ainda mais promissores. Temos cerca de 75% de nossa matriz elétrica renovável; somos campeões mundiais nessa matéria. Alcançamos resultados expressivos para evitar o desmatamento da Amazônia e no desenvolvimento de uma agricultura sustentável. Essa questão bem presente precisa se transformar também numa obsessão de governo. Mais ainda, nós precisamos ter, acima de tudo, a ideia de que a questão ambiental é um ativo potente que se soma às vantagens competitivas naturais do nosso país. Isso significa vender nossa produção agrícola, o alimento brasileiro, como fruto de uma agricultura que pode ser mais sustentável no mundo. Isto é fundamental. Nós temos que impor e criar uma marca brasileira para isso. A marca da sustentabilidade ajuda a vender, agrega mais respeito à nossa conhecida qualidade.  Isto é, algo em que estamos todos unidos: a agricultura, a agricultura de exportação, os ambientalistas, os defensores do clima, o governo. Temos aí uma união potencial de interesses muito importante que precisa ser aproveitada.

Como dizia Winston Churchill, “estamos no começo do começo”. A ratificação do Acordo de Paris representa só o início de uma jornada. Não dá ainda para sentir o cheiro da vitória, mas dá para se ter a intuição de que ela virá. E esta vitória na batalha renhida contra a mudança do clima nos ajudará a ter um Brasil e um mundo cada vez melhores.

Aposta no etanol

Imagem: Siamig

“Temos igualmente um dos maiores programas de biocombustíveis do planeta. O Brasil já é, no contexto mundial, uma economia de baixo carbono. E a questão bioenergética, inclusive, é um cacife muito grande de que dispomos para trabalhar daqui por diante. Nós já estamos agindo, no plano diplomático, para incentivar e criar os canais para a difusão do etanol de segunda geração, o E2G. Temos que transformar o etanol numa commodity. Para o Brasil, não é ruim que outros países do mundo produzam etanol, seja o de primeira ou de segunda geração, este último, que é produzido a partir da celulose, em última análise, de resíduos. Por quê? Porque ao criarmos um mercado mundial de etanol: na medida em que mais países produzam – e nós vamos ser os líderes –, o etanol poderá transformar-se numa commodity, o que será uma grande vitória. Não apenas econômica  daqueles que faturam em cima, que produzem cana, que produzem resíduos, mas uma vitória do mundo e uma alavanca importante para que o Acordo de Paris possa chegar mais rapidamente aos objetivos a que se propôs. Isso coincide plenamente com o interesse econômico brasileiro.”

(*) Ministro de Relações Exteriores.



Fonte: Revista Ecológico



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