Notícias

A região do planeta e a interação com o Sol determinam a cor da nossa pele

Compartilhe:     |  22 de outubro de 2020

Cada região do planeta gera uma pigmentação específica. A cor da pele não é uma questão de hierarquia evolutiva. Cientistas revelaram que os tons claros e escuros são frutos da interação com o Sol ao longo de milhões de anos.

A cor da pele foi determinada pelas regiões do planeta

Bill Nye é um notório cientista educacional, comediante, ator e escritor, que ficou conhecido por ter apresentado o programa infantil de divulgação científica da Disney/PBS “Bill Nye the Science Guy” (1993-98), chamado de “Eureka” no Brasil  (exibido no ano de 1994 pela Rede Globo).

Vale dizer que, em terras tupiniquins, “O Mundo de Beakman” (exibido pela TV Cultura) acabou fazendo mais sucesso. Bom… voltando ao assunto.

O cientista trouxe uma informação incrível em seu perfil do TikTok, baseado em estudos da cientista Nina G. Jablonski, sobre como a distribuição geográfica da radiação ultravioleta (UV) determina a distribuição da pigmentação da pele em todo o mundo.

Ou seja, os tons mais claros ou escuros da população em uma determinada região, foi determinada pela luz do Sol. Senta que lá vem história…

As cores do mapa demonstram áreas com mais ou menos incidência de raios UV.

Mas como isso acontece?

Por exemplo, em áreas que recebem maiores quantidades de UV, localizadas mais próximas ao Equador, as populações apresentam pele mais escura, enquanto em áreas que estão distantes dos trópicos e mais próximas aos polos (onde têm menor intensidade de UV), apresentam populações de pele mais clara.

A área central do globo é mais afetada pelos raios UV, por isso tendem aos tons de pele mais escuros.

Claro que tudo isso foi antes da invenção de barcos, trens, aviões e protetor solar.

Tudo começou na África.

Ao longo do processo de evolução, a pigmentação da nossa pele se deu pela seleção natural, essencialmente, para regular a quantidade de radiação ultravioleta que penetra na pele, controlando seus efeitos bioquímicos.

Ela sugere que as populações humanas nos últimos 50.000 anos evoluíram, adaptando a pele escura para pele clara e vice-versa à medida que migraram para diferentes zonas UV.

A teoria principal é que a cor da pele se adapta à intensa irradiação solar para fornecer proteção parcial contra a fração ultravioleta. Essa fração produz danos e mutações no DNA das células da pele.

Com alta quantidade de raios UV, folatos essenciais são quebrados. Com baixa quantidade de raios UV, exista uma carência de Vitamina D. Segundo o cientista, a pigmentação corrige justamente esses pontos.

Portanto, as pessoas que viviam em regiões equatoriais necessitavam de maior pigmentação, como se fosse um filtro solar natural.

Já nas regiões próximas aos polos, a incidência de UVB é quase totalmente dissipada pela atmosfera, e a incidência de UVA não tem capacidade de de produzir vitamina D na nossa pele. A falta de produção dessa vitamina afeta severamente o organismo.

Para se adaptar, foi necessário perder pigmentação para absorver maior quantidade possível de raios UVB. Por conta disso, nossos ancestrais que migraram para essas regiões foram privados dessa produção durante a maior parte do ano.

Veja o modelo apresentado no Ted Talks da Nina Jablonski:

E a melanina?

A melanina é o principal determinante da pele escura. Ela é produzida em células da pele chamadas melanócitos. Já a pele clara é determinada principalmente pelo tecido conjuntivo branco-azulado sob a derme e pela hemoglobina que circula nas veias da derme.

Observou-se ainda, nos estudos de Jablonski, que as mulheres, em média, são significativamente mais claras do que homens.

Isso se deve ao fato de que elas precisam de mais cálcio durante a gravidez e lactação. O corpo sintetiza a vitamina D da luz solar, o que ajuda a absorver cálcio. Dessa forma, elas evoluíram para ter uma pele mais clara.

A ciência da cor da pele e a ignorância humana

Em seu TED Talks, Nina Jablonski explica que esse processo não pode ser entendido dentro de uma hierarquia evolutiva.

Essas adaptações ocorreram a partir de processos migratórios e se desenvolveram ao longo de milhares de anos, em movimentos de clareamento e escurecimento, a depender dos fluxos. Segundo ela, devemos nos orgulhar dos processos que nos tornaram mais fortes e adaptáveis ao meio-ambiente.

Logo, o preconceito com tons de pele são questões meramente culturais. Como percebemos, esse tipo de conduta é baseada na mais pura ignorância.

A educadora queniana Angela Koine Flynn, em uma animação produzida pela TED-Ed Animations, propõe uma leitura social da ciência da cor da pele frente ao racismo:

“(…) a cor da pele é um pouco mais do que uma característica adaptativa para se viver em uma rocha que orbita o Sol. Ela pode absorver a luz, mas certamente não reflete o caráter.”

Assista ao vídeo (com legenda em português):

 



Fonte: Almanaque SOS



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Colecionadores de fãs, os siameses são inteligentes, comunicativos e brincalhões. Conheça curiosidades da raça

Leia Mais