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Açaí contaminado é o grande motivo por trás da Doença de Chagas

Compartilhe:     |  8 de dezembro de 2020

Os cientistas fizeram uma revisão sobre casos de Chagas aguda transmitida via oral desde 1965. “Foi aí que percebemos que a doença mudou de cara”, resume Silvestre. “E é fundamental que os médicos saibam disso”, completa Miguel Morita, cardiologista da Quanta Diagnóstico por Imagem e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que também assina o artigo.

Ora, sabendo dessa relação, há maior chance de os médicos diagnosticarem a doença precocemente, o que é imprescindível para evitar graves consequências lá na frente.

Na fase aguda, seja por picada ou ingestão de alimentos contaminados, o protozoário instiga sintomas como febre, lesões na pele, mal-estar e talvez falta de ar. “Às vezes, parece uma doença viral”, compara Silvestre.

Se a Doença de Chagas não for detectada nesse momento, há um grande risco de o quadro se tornar crônico e ficar um tempão sem dar mais sintomas. “Só que depois de dez ou 15 anos, o sujeito desenvolve uma insuficiência cardíaca para a qual não há um tratamento específico”, explica Morita.

Qual o problema do açaí

Os pesquisadores especulam que a encrenca está associada ao modo de processamento do alimento, que, em geral, acontece à noite. Isso porque o mosquito barbeiro é atraído pela luz. Voando por ali, o inseto deposita suas fezes onde o açaí é manipulado ou até mesmo é macerado junto ao suco da fruta.

De acordo com Morita, há maneiras de evitar que essa iguaria brasileira vire um reduto de Trypanosoma cruzi. “Uma das medidas é realizar o branqueamento, que nada mais é do que uma técnica que esquenta o alimento a 80 °C. Em seguida, ele é esfriado. Isso mata o protozoário”, ensina.

Agora, uma ponderação: embora seja o mais comum, o açaí não é o único alimento capaz de carregar o protozoário. Em Santa Catarina, por exemplo, já houve surto de Doença de Chagas por causa do consumo de caldo de cana contaminado. “Nem sempre é fácil identificar a fonte exata da contaminação”, observa o professor da UFPR. Por isso é tão crucial não menosprezar os sintomas típicos da fase aguda.

“Precisamos fazer algo em termos de prevenção e tratamento. Porque essa é uma doença que, depois de instalada, não tem cura”, reforça Silvestre. “Tentamos tratar suas consequências”, acrescenta.

Coisa que, diga-se de passagem, não é tão simples. Para ter ideia, a insuficiência cardíaca ocasionada pelo quadro anos mais tarde pode ser tão grave a ponto de exigir um transplante cardíaco. “Para evitar isso, temos que agir agora”, conclui Morita.



Fonte: Saúde - Por Thaís Manarini



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