Notícias

Acelerador de partículas brasileiro revela imagens de proteína do coronavírus

Compartilhe:     |  14 de julho de 2020

O maior acelerador de partículas do hemisfério sul está fazendo sua estreia em grande estilo. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron revelou as primeiras imagens em 3D feitas pelo Sirius, o maior acelerador de partículas do Brasil, inaugurado no final de 2018. As fotos mostram nada menos que as proteínas 3CL, uma das principais estruturas do novo coronavírus.

Os resultados fazem parte de um projeto do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que abre hoje (13) as inscrições para pesquisadores que quiserem estudar o SARS-Cov-2 no acelerador de partículas. Os interessados devem mandar propostas de pesquisa que serão avaliadas pelo CNPEM.

O centro procura reunir cientistas para compreender melhor as estruturas moleculares do vírus. A estação “Manacá” será dedicada ao estudo de proteínas e amostras relacionadas à doença.

A proteína 3CL, por exemplo, está relacionada ao mecanismo de replicação do coronavírus. Ao inibir a atividade dessa proteína, é possível interferir na reprodução do vírus – o que pode levar ao desenvolvimento de tratamentos ou medicamentos eficazes para a Covid-19.

Para chegar lá, os pesquisadores precisam entender a estrutura da proteína – ou seja, como os seus átomos estão organizados. A técnica de difração de raios X, usada no acelerador, faz justamente isso: detecta cada um dos átomos da proteína, formando um mapa em 3D deles, como o que você vê aqui embaixo.

Sirius/CNPEM/Divulgação

 

Com essas informações, é possível identificar “pontos fracos” na estrutura e criar medicamentos para bloquear a ação da proteína. O mesmo já foi feito com o HIV. Algumas das drogas usadas hoje para o tratamento da AIDS foram desenvolvidas com base nas informações estruturais do vírus e das proteínas.

Na prática, o acelerador de partículas funciona como um microscópio gigante – só que muito mais potente. Ele revela com detalhes as estruturas que um microscópio não chega nem perto, como moléculas e átomos. Para isso, não basta ampliar a imagem. É preciso jogar radiação nelas e ver o resultado.

As partículas circulam no acelerador até atingirem uma velocidade muito alta. O Sirius acelera apenas elétrons, que chegam a dar até 580 mil voltas por segundo lá dentro. Esses elétrons emitem uma radiação quando adquirem energia (a difusão de raios X, que mencionamos antes).

Enquanto isso, a proteína fica paradinha recebendo essa radiação, assim como você precisa ficar parado quando vai fazer um exame de raio X ou uma tomografia. Os raios atravessam a proteína com tanta precisão que fazem o “contorno” dos átomos, possibilitando aos cientistas estudarem a estrutura a fundo.

As imagens do 3CL produzidas pelo Sirius já haviam sido feitas por aceleradores de outros países, mas isso é um bom sinal: é uma confirmação de que o Sirius consegue gerar resultados com precisão, além de reforçar a credibilidade para a produção de pesquisas inéditas.

O Sirius possui 518 metros de circunferência, sendo um dos aceleradores de luz síncrotron (o nome vem de “sincronia” e “elétrons”) mais avançados do mundo. Ele começou a ser construído em 2014, foi inaugurado em 2018 e passou a funcionar em 2019. Ao todo, a construção custou R$1,8 bilhões, se tornando a maior empreitada científica do Brasil. Se quiser saber o motivo para tanto investimento, você confere uma matéria completa com todos os detalhes sobre o Sirius aqui.



Fonte: Superinteressante



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

“Comida de humanos” pode até matar os pets! Veja os riscos dessa prática

Leia Mais