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Acelerar processos naturais de intemperismo pode ser solução para captura de CO2

Compartilhe:     |  30 de novembro de 2016

Uma parte importante do ciclo do carbono é a transformação química das rochas que, pelo intemperismo químico, se tornam uma forma natural de remoção e fixação de CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico) da atmosfera. O intemperismo é o conjunto de alterações físicas e químicas de rochas expostas na superfície da Terra. Ele é causado pelo clima (chuvas, sol), relevo (alta declividade, baixadas), rocha-mãe (composição mineralógica), tempo (exposição), fauna e flora (matéria orgânica para reações químicas e remobilizando materiais). A parte do processo em questão – que é capaz de absorver CO2 – ocorre pela dissolução de silicatos minerais, que naturalmente demora milhares de anos para ocorrer. Como essa escala de tempo não é suficiente para compensar as emissões atuais e controlar o aquecimento global, especialistas criaram uma técnica que consiste em acelerar esse processo.

Carbonatação mineral

O princípio da técnica de aceleração do processo geológico natural é dissolver artificialmente silicatos minerais, proporcionando assim que a restauração geoquímica ocorra mais rápido, em uma taxa de 10 a 100 vezes mais rápido. Esse processo é chamado de carbonatação mineral – também chamado de sequestro mineral de CO2 ou de intemperismo acelerado.

Um exemplo é a olivina (um silicato). Esse mineral pode ser triturado e espalhado por áreas de agricultura em que o CO2 será convertido em carbonatos sólidos, removendo-os da atmosfera. Do solo, seriam transportados para rios e por fim chegariam ao oceano, onde seriam precipitados. O silicato também pode ser lançado diretamente nos oceanos e em praias. Existem técnicas que aumentam a velocidade do processo – elas consistem em alterar o tamanho do grão (granulometria) ou em adicionar de substâncias químicas.

Virando cimento

O método também pode ser aplicado diretamente na fonte poluidora, como em grandes indústrias. Nesse cenário, o processo se iniciaria do tradicional modo do CCS (captura e armazenamento de carbono), sequestrando o CO2 das emissões. Só que, em vez de injetar o CO2 em reservas geológicas, ele é transformado em matéria-prima para outros produtos. Como dito anteriormente, por meio do uso de minerais específicos, o CO2 pode ser convertido em carbonatos sólidos, esse material sólido seria reinserido na cadeia produtiva, podendo se tornar, por exemplo, cimento.

A aceleração do intemperismo de rochas pode remover e fixar significativas taxas de CO2 por períodos indeterminados nos oceanos e no solo ou transformá-lo em novos produtos. Os silicatos poderiam ser amplamente espalhados, principalmente nos trópicos úmidos, onde as taxas de intemperismo são maiores. Este é um método de geoengenharia recente, e os estudos estão apenas começando. É bastante possível que esta seja uma tecnologia muito eficiente na redução permanente de CO2 atmosférico. Ao contrário do CCS, não há o risco de vazamento do gás das reservas geológicas, pois estes serão convertidos em material sólido.

Porém, como é uma técnica estudada por poucos e difícil de ser aplicada na prática, seus efeitos e riscos são incertos. Pode haver mudança do pH de solos, rios e oceanos. Também são levado em conta os altos gastos de energia para a mineração do silicato ou de outro mineral a ser aplicado, além dos impactos ambientais atrelados à atividade de mineração e à liberação de CO2. Para compensar 30% das emissões mundiais de CO2, seria necessário espalhar cinco gigatoneladas de silicato no ambiente anualmente!

Portanto, esse tipo de captura de CO2 para compensar e neutralizar emissões tem capacidade de ser efetiva a longo prazo, mas ainda deve ser aprimorada para desenvolver métodos mais viáveis e entender todos os efeitos e riscos associados.

Veja o vídeo (em inglês) de uma empresa australiana que pretende aplicar a carbonatação mineral para indústria.



Fonte: Equipe Ecycle - IPCC



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