Papagaio designou Brasil

02-07-2006
A antiga Cartografia designava o país como Brasilia Sive Terra Papagalorum ou “Brasil, terra dos Papagaios”.
Em 1511, entre as primeiras exportações comerciais do Brasil Colônia, estavam incluídos 15 Papagaios, que fizeram marketing da ave na Europa, conquistando os olhos ávidos de novidades dos nobres e da grande burguesia européia.

É a espécie de animal que mais impressiona os homens, não apenas por sua simpatia e inteligência, mas também pela beleza de sua plumagem. Destaca-se ainda pela sua mansidão, domesticidade e tagarelice, sendo hábil imitador da fala humana, assoviando canções e emitindo outros sons.

Esta capacidade de falar está associada ao formato da língua, pois todos os animais que possuem língua redonda são capazes de emitir sons bem articulados como a fala humana. O periquito, a maritaca, a cacatua e a mainá também são pássaros que possuem língua redonda, por isso conseguem imitar a fala.

O papagaio aprende e reproduz com facilidade os sons e frases que ouve, as músicas etc. Ele parece ter mais inteligência que as outras aves, pois suas faculdades intelectuais acham-se bastantes desenvolvidas. Nele, devido o desenvolvimento de seu encéfalo, encontramos atenção e memória, faculdades importantíssimas para o rendimento da inteligência.

A ave denominada de amazonas aestiva aestiva é o mais divertido e popular papagaio em nosso país, uma das 27 espécies do gênero, das quais 10 encontram-se no Brasil.

É caracterizado por uma bela plumagem verde com as penas dos encontros e as rêmiges primárias vermelhas; possuem bico forte e curvo, guarnecido na base de uma membrana, no meio da qual acham-se as narinas. Sua língua é carnosa como a dos quadrúpedes e seus dedos divididos em pares.

Seus caracteres zoológicos são distintos e diferentes de outras trepadoras, que alguns cientistas classificam como uma ordem à parte, o colocando à frente da ornitologia, o que pode ser aceito por sua fisionomia e pelos seus hábitos que são bastante favoráveis a esta classificação.

Zoologia a parte, que voltaremos depois, quem não conhece, pelo menos uma das inúmeras histórias do anedotário do papagaio, famosas pelas indiscrições da ave? O “louro” falastrão já ganhou até manchete na imprensa internacional porque foi pivô de uma separação conjugal na Inglaterra.

O caso foi assunto da BBC de Londres, segundo a qual Chris Taylor, de 30 anos, ficou desconfiado de que sua esposa Suzy Collins, 25, estava pulando a cerca depois de ouvir pela enésima vez o pássaro proferir o nome “Gary”. O marido, além de não conhecer ninguém chamado “Gary”, intrigou-se quando o pássaro começou a imitar o barulho de beijos e a repetir a palavra “Eu te amo, Gary”.

O bicho também faz parte do lendário indígena. Os Tupis e os Guaranis, por exemplo, atribuíam a um papagaio a sua definitiva distribuição na América do Sul.

Segundo a lenda, as mulheres desses dois irmãos disputavam um papagaio, razão pela qual não conseguiam viver em paz. A querela provocou a separação das duas famílias, estirpes das duas grandes divisões de etnias conhecidas por esses nomes, ficando os Tupis ao norte e os Guaranis ao sul.

Humboldt faz referência sobre uma lenda triste de um papagaio sobrevivente a extinção de uma tribo inteira. Conta o pesquisador que a ave conservava e repetia vocábulos da língua dos índios Atures, apesar de desaparecidos há muito tempo, o que a figurava como o último sobrevivente da tribo exterminada pelos Caraíbas.

Ela esvoaçava-se, entre as ruínas da aldeia extinta, solitária e triste, interrompendo aquele fúnebre silêncio, com reproduções de diálogos, talvez de seus antigos donos, articulando uma linguagem que ninguém compreendia, possivelmente da tribo extinta.

Uma lenda peruana diz respeito à vaidade do papagaio do vale amazônico, que havia insinuado às demais aves que os homens o admiravam pela beleza de suas cores e que ele era o digno representante dos seres celestes, já que sua plumagem se encontrava nos templos dos Filhos do Sol e, com os sete raios divinos, só o próprio era capaz de vestir a divindade Wiracocha, razão pela qual o Grande Papagaio merecia ser o rei do céu.

Essa presunção provocou reações nas outras aves, ferindo-lhes o ego, pois todas ansiavam representar a própria realeza. A notícia gerou uma grande confusão e uma disputa envolvendo todas as aves, inclusive a Águia e o Condor, mas quem se saiu bem foi o Beija-Flor. Nessa lenda, o papagaio não se deu bem como nas outras, mas foi, sem dúvida, a origem dela.

As aves, tanto pela sua capacidade de voar, quanto por seu sentido místico são consideradas transmissores dos reinos dos céus. No Taoísmo, os Imortais tomam a aparência de pássaros para significarem leveza e a libertação da carga terrestre.

Entre os índios Bribi da Colômbia, por exemplo, o papagaio vermelho serve como guia para a alma do morto. Na mesma perspectiva, o pássaro pode ser também símbolo das faculdades intelectuais, como indaga o provérbio: “A inteligência não é mais rápida que os pássaros?”

Existe ainda simbolismo nas asas dos pássaros, que coincide com o desejo de elevação, de transcendência para alcançar o divino, além de implicar metamorfose.

História Natural – Em artigo intitulado “Papagaio Falante”, publicado no livro Chácaras e Quintais (1938), dá conta que o “papagaio, cujo nome científico é psittacus, pertence à ordem que o cientista Buffon impropriamente classificou de aves trepadoras e que alguns naturalistas, mais acertadamente, denominaram zygodactylos, que quer dizer pés aos pares, pois nem todas as aves desta ordem são trepadoras.

A laringe inferior do papagaio é mais complicada que a de qualquer outra trepadora, por ser guarnecida de três músculos particulares que lhe imprimem movimentos muito diversos, de onde resulta, para estes pássaros, a facilidade de produzirem sons variados que podem imitar a voz de muitos animais e mesmo a do homem. Esta facilidade de imitação é ainda aumentada pela forma do bico e pela natureza muscular da língua que se prestam admiravelmente a numerosas articulações de sílabas.

O papagaio é encontrado em bandos nas florestas do Brasil e de algumas outras regiões, pousando, de preferência, nas árvores mais elevadas. Trepadores por excelência, são vistos sem cessar passando de ramo em ramo por meio das patas e do bico.

Colhem frutos, cuja casca quebram para comerem a amêndoa. Aninham-se nos ocos das árvores e põem dois ovos, que o macho e a fêmea compartilham o choco. Este numeroso gênero de aves divide-se em diversos sub-gêneros, segundo a forma da cauda e o comprimento dos tarsos.

Diversos fatos provam a longevidade dessas aves, hoje averiguado que podem viver até a idade de 100 anos.

A ave existe em grande abundância no nosso país e o célebre pesquisador Agassis chegou a encontrar, nas margens do rio Amazonas, bandos de mil a dois mil papagaios, e embora o que as caçadas  se lhe tem feito, diminuído consideravelmente a população, encontra-se, no entanto, ainda em grande número.

Os nativos do Indostão utilizam um engenhoso meio para caçar e domesticar o nosso tagarelo psittacus, que é disparando-lhe flechas cujas pontas acham-se envolvidas em algodão. O choque atordoa a ave e a faz cair, porém não a fere.

Outro fato que ameaça a espécie, além do cativeiro, é a destruição de seu habitat, com as queimadas e poluição. Da mesma família do papagaio, o Brasil possui outras aves susceptíveis de domesticação, entre elas, a maitaca, o periquito e a maracanã.

Fonte: Amazon View
02.07.2006