Obesidade infantil

20-03-2006
{mosimage}Número de crianças obesas cresce 240% no Brasil. No mundo, o total de jovens obesos dobrará até 2010. Um relatório divulgado na última semana traz uma previsão assustadora.

O documento, preparado pela International Obesity Task Force (IOTF), uma força-tarefa montada por especialistas de diversas nações para estudar meios de combater a obesidade, informa que o número de crianças obesas no mundo, hoje em torno de 155 milhões, irá se expandir de modo dramático até 2010.

Segundo a entidade, a proporção de jovens com excesso de quilos irá quase dobrar em quatro anos. O cálculo se baseia em estudo que comparou estatísticas apresentadas entre a década de 90 e 2003. De acordo com essas contas, a cada ano a Europa terá mais 1,3 milhão de garotos acima do peso, o que totalizará 26 milhões de gordinhos. Na América do Sul, 15,2% da meninada estará com obesidade.

{mosimage}Só no Brasil, hoje, a cada dez crianças, três têm obesidade. E, por aqui, o crescimento do problema é devastador. “Em 20 anos, a taxa subiu 240%. Nos EUA, o aumento foi de 66%”, diz o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Federação Latino-Americana de Sociedades de Obesidade.

Esses dados deixam os especialistas em alerta máximo, e com razão. A obesidade é uma doença que pode deflagrar outros males. “Isso significa uma geração condenada a ter problemas cardiovasculares e diabete, por exemplo. Já é comum crianças de sete anos, obesas, terem essas doenças”, lamenta o endocrinologista Alfredo Halpern, de São Paulo.

Por isso, há um esforço mundial para reverter esse cenário. Na semana passada, foi lançada a Aliança Brasileira Para Prevenção da Obesidade e Doenças Associadas. A iniciativa é de sete sociedades médicas, como as de cardiologia e hipertensão.

O objetivo é propor medidas educativas e legislativas para impedir que mais pessoas engordem, principalmente as crianças. “É preciso intervir agora. Quanto mais cedo uma pessoa se torna gorda, menos anos ela vive.

Se nada for feito, esta será a primeira geração em que a expectativa de vida será menor que a de seus pais”, ressalta o inglês Philip James, presidente da IOTF, que esteve presente no lançamento. Segundo ele, um obeso de 40 anos vive sete anos menos do que alguém saudável. No caso de um obeso de 20 anos, sua história de vida ficará 15 anos mais curta.

Entre as sugestões dos especialistas está a restrição da publicidade da indústria alimentícia para evitar que os pequenos sejam bombardeados com comerciais capazes de fazê-los salivar diante da tevê. Iniciativas como essa, inclusive, começam a sair do papel.

A pedido do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, as associações das indústrias de refrigerantes e alimentícia criaram um código, que deverá entrar em vigor este ano, com regras para propaganda.

“São medidas como a limitação de situação que induza a criança a trocar a comida pelo produto apresentado”, diz Hoche Pulcherio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerante.

Discussões do gênero também ocorrem em outras esferas. Em São Paulo, foi aprovada em fevereiro uma lei que determina a criação do Programa de Combate à Obesidade.

“Queremos propor saídas para que as famílias, os profissionais do ensino público e os alunos saibam como se prevenir. Uma delas pode ser abolir das cantinas os alimentos gordurosos e os refrigerantes”, afirma o deputado Simão Pedro (PT/SP), autor do projeto de lei.

No Rio de Janeiro, em Brasília e em Florianópolis há uma determinação para que os colégios públicos não sirvam produtos desse tipo. Refrigerante, aliás, é um dos responsáveis pela explosão de obesidade no mundo. Uma pesquisa americana feita com 103 jovens revelou que uma lata da bebida por dia equivale a um ganho de cerca de seis quilos em um ano.

De fato, envolver as escolas é essencial. “No colégio, a criança pode ter informação”, afirma o pediatra gaúcho Nataniel Viuniski. Na escola Carlitos, do estudante Dave Neumann, 12 anos, de São Paulo, lanches perderam espaço para sucos e salgados assados.

E a galera não reclama. “Não é só proibir. Explicamos, por exemplo, os benefícios da fruta”, explica Simonne Zaterka, diretora da escola. Quanto aos pais, é essencial dar o exemplo. “Não adianta o pai pedir para o filho andar de bicicleta se ele próprio fica na frente da tevê”, diz a nutricionista Roseli Sarni, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Fonte: Revista IstoÉ
20.03.2006