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Agenda ambiental faz parte de qualquer negócio, diz presidente da Abag

Compartilhe:     |  18 de agosto de 2019

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócios (Abag), Marcello Brito, disse, em entrevista ao jornal O Globo, que o agronegócio deve se enquadrar na agenda das mudanças climáticas e da preservação da biodiversidade ou ficará “fora do jogo”. Em entrevista publicada na edição deste sábado (17/8) do jornal O Globo, Brito reconheceu “muito anos atrás” o setor estava mais relacionado ao desmatamento e que hoje “isso não cabe mais”.

“A agenda ambiental hoje faz parte de qualquer negócios. É indissociável. A grande maioria dos empresários do setor já enxergou que a agenda ambiental da nova geração é completamente diferente da nossa. Ou a gente se enquadra nessa nova agenda mundial de mudanças climáticas e preservação da biodiversidade ou ficará fora do jogo”, disse.

Executivo da Agropalma, maior processadora brasileira de óleo de palma, Marcello Brito estimou que reduzir o desmatamento ilegal em 50% terá impacto positivo para a imagem do Brasil, o que pode significar acesso a mercados. Para o presidente da Abag, é preciso mudar o discurso de que, se o Brasil não participar do mercado, ninguém vai ter produtos. Porque, a partir do momento que o espaço é deixado, será preenchido por outro concorrente.

“O Brasil não é uma ilha paradisíaca produtora de alimentos para o mundo. A gente tem vários outros países que também tem condições”, afirmou. “A gente precisa saber acessar os mercados de uma forma mais profissional”, argumentou o executivo.

Em relação à agenda ambiental do governo do presidente Jair Bolsonaro, Brito avaliou que talvez, estejam sendo tomadas decisões sem as devidas informações sobre como o mundo está avaliando a situação do Brasil. Elogiando a atuação dos ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, ponderou, no entanto, que seria ruim acreditar que todo o governo é incompetente. E que a realidade terá mais peso do que a simples retórica.

Questionado sobre se concorda com o discurso oficial, de que há uma paranóia ambiental no exterior, Marcello Brito argumentou que os problemas relacionados ao meio ambiente são apontados pela ciência. E acrescentou que há a necessidade de se quebrar paradigmas nos atuais modelos de desenvolvimento.

“Se você é negacionista, pode achar que é paranoia, mas eu sou engenheiro de formação, acredito na ciência. E 99% dos climatologistas afirmam categoricamente a interferência humana nas mudanças climáticas. Prefiro estar ao lado da ciência que traz benefícios para o ser humano”, disse ele, acrescentando que que o Código Florestal não é um bloqueador, mas um impulso ao desenvolvimento e que pode ajudar a mudar esses paradigmas.

Mesmo dizendo acreditar que a realidade vai se impor à retórica política, o presidente da Abag alertou, na entrevista, que a postura atual pode colocar em risco, por exemplo, o recém-fechado acordo Mercosul e União Europeia. E que é preciso um “entendimento civilizado” para dar andamento ao acordo. E sinalizou o temos de embargos de outros países por conta da questão ambiental.

“Nosso namoro com o mundo estava muito adiantado a ponto de virar um noivado. Na hora de marcar o casamento, nós traímos a noiva. Todo relacionamento a ser reconstruído é muito mais difícil do que algo que começa do zero. Os danos à imagem do Brasil poderão sim, ser revertidos, mas a duras penas”, disse ele.



Fonte: Revista Globo Rural



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