Notícias

Agrotóxicos: uso desordenado será combatido na Paraíba com a fiscalização dos receituários agrônomos

Compartilhe:     |  17 de setembro de 2018

Por Anézia Nunes

Intensificar a fiscalização dos receituários agrônomos na Paraíba. Essa é uma das primeiras medidas a serem adotadas por um dos grupos de trabalho criados durante a reunião de reativação do Fórum de Combate ao Uso Indiscriminado de Agrotóxicos, que aconteceu no último dia 3, na sede do Procon Estadual, em João Pessoa. A informação é do promotor Raniere da Silva Dantas, coordenador do Centro de Apoio à Saúde, do Meio Ambiente e dos Consumidores da Paraíba.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em toda a Paraíba, há 17.689 Segurados Especiais (denominação usada para identificar trabalhadores do campo) afastados de suas atividades. Desse total são 11.801 em Campina Grande e 5.888 em João Pessoa. Dadas as condições de trabalho, suspeita-se que boa parte deles tenha adoecido em consequência dos efeitos dos agrotóxicos.

Na Paraíba, o agrotóxico está presente em diversas culturas, conforme dados da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado da Paraíba (Fetag). Embora não haja números concretos em relação ao adoecimento do homem do campo, o presidente da Fetag, João Alves, afirmou que a situação é muito preocupante. Reativado para tratar dessas e outras questões preocupantes, o Fórum de Combate ao Uso Indiscriminado de Agrotóxicos é formado por esquipes que fazem parte de uma união de órgãos e cada um tem seu conhecimento aprofundado em um ponto específico, com sua expertise, e contribuindo com sua área de atuação para fazer todo um grande trabalho.

“Reativamos o fórum há cerca de 15 dias e, graças a Deus, criamos vários grupos de trabalho. Um deles vai discutir o projeto de lei que está para mudar, em nível federal, a questão de rastreabilidade de alimentos”, explica Raniere. O promotor de Justiça explica que a rastreabilidade de alimentos, abrangendo toda a cadeia de abastecimento, do produtor ao supermercado, possibilita a redução da produção e distribuição de produtos não conformes ou de qualidade insatisfatória, diminuindo assim o potencial de publicidade negativa e recall de alimentos. A indústria de alimentos está se tornando gradativamente mais orientada para o consumidor e precisa de tempo de resposta mais rápidos para lidar com escândalos e incidentes de alimentos.

Segurança

A rastreabilidade é vista como um instrumento para cumprir a legislação e para atender aos requisitos de segurança e qualidade dos alimentos, considerada um sistema de segurança e acompanhamento efetivo da qualidade ao longo da cadeia produtiva e potencial para colaborar com a segurança, bem como para aumentar a confiança do consumidor e conectar produtores e consumidores. “Hoje, um dos nossos grandes problemas é a falta de rastreabilidade dos alimentos. Já detectamos que um produto está com excesso de agrotóxico, mas acabamos não sabendo de onde veio e quem é o produtor, pois não temos a rastreabilidade”, relata o promotor.

Segundo Raniere Dantas, com a formação de grupo no fórum, cada pessoa tem sua opinião própria e até então não está querendo abolir o uso dos agrotóxicos, e sim que ele seja utilizado como previsto em lei. “Se você está com uma determinada praga na sua lavoura, o correto seria o agrônomo detectar o problema e não fazer o uso abusivo de agrotóxicos, fazer apenas a utilização do que está sendo recomendado em carta para a sua lavoura. Nossa opinião enquanto fórum é bem clara, que não somos contra os agrotóxicos, apenas queremos que sejam usados nas lavouras de forma correta, dentro dos seus limites, se aplicado na dosagem correta. Com isso estamos satisfeitos”, diz Raniere.

Análises

A Agência Estadual de Vigilância Sanitária (AgevisaPB) irá contribuir para ajudar o fórum nos aspectos de sua competência, realizando análises de resíduos de agrotóxicos nos hortifrutis, no comércio, e comunicando os resultados para as instituições de interesse, como o fórum, afim de dar demais andamentos para inspeção de produtores no campo, por órgãos competentes da agricultura. “A reunião para a reativação do fórum foi muito produtiva, com estabelecimento de grupos técnicos por competência, para melhor proveito e estabelecimento de um cronograma de reuniões anual”, avalia Tatiane Lucena Galvão, engenheira de alimentos e gerente técnica da Agevisa.

No Brasil Cerca de um terço dos vegetais mais consumidos no Brasil apresentaram um nível de agrotóxico acima do aceitável. Foram analisadas quase 2.500 amostras de 18 tipos de alimentos pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos, da Anvisa. Entre os critérios do levantamento estavam a análise da presença de agrotóxicos acima do nível permitido e a presença de agrotóxicos não autorizados para o tipo de alimento.

Dependendo do tipo de agrotóxico ingerido pelo homem, ele pode sofrer graves danos de saúde e até mesmo morrer. Entre os problemas mais recorrentes estão as lesões nos rins, cânceres, redução da fecundidade, problemas no sistema nervoso, convulsões e envenenamento. Assim sendo, diante de tantos problemas causados pelos agrotóxicos, é fundamental que haja um descarte adequado e que a aplicação desses produtos seja feita de maneira prudente e rigorosa. Além disso, é importante que novas maneiras de proteger as culturas sejam criadas com vistas a diminuir os impactos ambientais e os riscos à saúde dos seres vivos.

Fique atento

Para detectar os alimentos que possuem mais contaminação, foram analisadas quase 2.500 amostras de 18 tipos de alimentos pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos, da Anvisa. Entre os critérios do levantamento estavam a análise da presença de agrotóxicos acima do nível permitido e a presença de agrotóxicos não autorizados para o tipo de alimento. A batata foi o único vegetal examinado que não apresentou nenhum lote contaminado. Em compensação, praticamente todas (91,8%) das amostras de pimentão apresentavam agrotóxicos acima do permitido. Morango, pepino e alface também estavam entre os itens mais contaminados, apresentando irregularidades em mais de 50% dos lotes examinados.

Saiba quais são as 10 frutas e legumes que contem mais agrotóxicos: em primeiro lugar o pimentão com 91,8%, em segundo o morango com 63,4%, em terceiro o pepino com 57,4%, quarto o alface com 54,2%, em quinto lugar a cenoura com 49,6%, em sexta colocação o abacaxi com 32,8%, no sétimo lugar a beterraba com 32,6%, oitavo o couve com 31,9%, em nono lugar o mamão com 30,4% e em décimo lugar, mas não o último, o tomate que leva 16,3% com percentual de amostras inadequadas para o consumo, segundo a Anvisa.

Dicas de como tirar os agrotóxicos dos alimentos: nem sempre é possível tirar os agrotóxicos dos alimentos, por isso, a melhor forma de se proteger e evitar a ingestão de agrotóxicos é optar pelos alimentos de agricultura biológica, que também são conhecidos por alimentos orgânicos porque estes não contêm nenhum tipo de pesticidas, mas se isso não for possível você pode:

• Descascar os alimentos antes de comer, o que nem sempre é possível e também não é muito bom porque a maior parte das vitaminas encontra-se na casca.

• Lavar muito bem todas as frutas, legumes, verduras e hortaliças antes do seu consumo, com água e sabão.

• Criar sua própria plantação em casa, no terreno ou em vasos de plantas.



Fonte: Jornal A União



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Estresse passa do dono para o cachorro

Leia Mais