Geografia Ambiental

Agroturismo

Compartilhe:     |  3 de fevereiro de 2018

Para algumas pessoas, o termo “agroturismo” pode invocar imagens de turistas de colarinho branco pagando pela oportunidade de fazer trabalhos agrícolas. No entanto, mais pessoas do que nunca estão tirando proveito das diversas oportunidades fornecidas pelo agroturismo. Turistas ligados à agricultura podem passar férias em uma fazendo que produz azeite na Toscana, colher uvas nos vinhedos da Califórnia, comprar laranjas em uma banca na estrada ou se aventurar pelos labirintos de um milharal.

Festival abóbora

O agroturismo é a prática de atrair visitantes e viajantes para áreas agrícolas, geralmente com propósitos educacionais e recreativos. Devido às dificuldades econômicas e mudanças na agricultura e pecuária em todo o mundo, muitos fazendeiros – especialmente aqueles com pequenas propriedades – descobriram que através do turismo é possível complementar seus agronegócios e gerar mais renda.

Da mesma forma que a distância entre a produção e o consumo dos produtos agrícolas cresce, aumenta o interesse dos consumidores sobre a agricultura e a pecuária. As pessoas tentam se reconectar com a agricultura praticada no passado.

Essas duas necessidades caminham juntas no agroturismo que ajuda a reconstruir a relação entre produtores e consumidores desaparecida em função do forte crescimento da industrialização na agricultura.

Então, o que faz com que uma fazenda faça parte do agroturismo? Neste artigo, nós daremos uma olhada nos diferentes tipos de agroturismo.

O negócio básico da agricultura sempre foi o cultivo de culturas ou a criação de gado que podem ser vendidos diretamente como mercadorias aos consumidores ou como commodities para servir em outros processos – como o gado vendido para o abate ou as uvas vendidas para uma vinícola. No entanto, nos últimos anos, os custos dos insumos para a pecuária e agricultura têm aumentado e os preços das commodities, por sua vez, caíram.

Produção de azeite

Só isso já foi o suficiente para pressionar financeiramente muitos fazendeiros. Mas dois outros fatores também contribuíram para que alguns fazendeiros se sentissem forçados a encontrar novas maneiras de ganhar a vida:

– globalização: os fazendeiros estavam acostumados a enfrentar a concorrência apenas no mercado regional, mas a melhoria nos meios de transporte, comunicação e comércio internacional ampliou o mercado, colocando fazendeiros de lado opostos do mundo concorrendo entre si.

– industrialização: atualmente as pequenas fazendas se vêem forçadas a lutar também com a agricultura industrializada. Essas grandes empresas agrícolas são capazes de produzir mais produtos por um custo muito menor graças ao uso da tecnologia moderna que permite uma produção em larga escala.

Os agricultores em meio à luta pela sobrevivência, tiveram que escolher entre deixar o agronegócio e buscar um outro emprego ou descobrir novos usos para os recursos já existentes. E é aí que teve início o agroturismo. Muito pouco investimento teve que ser feito para que os agricultores começassem a colher os benefícios.

Agroturismo e a agricultura praticada no passado

Você gostaria de fazer uma viagem no tempo com o agroturismo? Alguns locais recriam fazendas de tempos atrás e conseguem imergir seus convidados em outros períodos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos possui e opera o Homeplace, no Lakes National Recreation Area, em Tennesse, onde foi recriada uma fazenda do século 19. O museu de história Connor Prairie, da indústria Fishers, vai além. O museu ao ar livre não dá apenas a oportunidade aos visitantes de verem como funcionava uma pequena cidade do século 19 como é possível explorar a agricultura da América naquela fase com o programa Follow the North Star. O programa permite aos visitantes experimentarem até mesmo o que era ser um escravo em funga.

Do ponto de vista do negócio, o turismo rural pode desempenhar três papeis básicos para o agricultor:

1.    Empreendimento suplementar – o agroturismo apoia a atividade principal da fazenda. A produção de mercadorias e commodities ainda gera a maior parte da renda enquanto o agroturismo, como visitas diárias de grupos escolares, fornece uma renda extra.

2.    Empreendimento complementar – o agroturismo e a agricultura tradicional geram a mesma renda para o agricultor. Um exemplo disso poderia ser uma fazenda que produz abóboras onde metade do cultivo é vendida para um atacadista (que por sua vez revende as abóboras aos supermercados), enquanto que a outra metade vai para os visitantes que pagam para participar de festivais e concursos.

3.    Empreendimento principal – o agroturismo ocupa o lugar central na fazenda. Um exemplo disso poderia ser uma fazenda que cultiva maçãs cuja renda vem em sua maior parte dos turistas que pagam para passar um final de semana nela, mas mesmo assim ainda vende parte de suas maçãs para aumentar o lucro.

Essa variedade de níveis de envolvimento torna o agroturismo uma possibilidade e tanto para todos os agricultores já que o custo do investimento e seu escopo podem variar drasticamente. Além disso, assim como o ecoturismo envolve a preservação dos habitats naturais pelos viajantes ecologicamente corretos, o agroturismo também não provoca impacto algum na área. Isso significa que a maioria dos fazendeiros que deseja entrar no agroturismo não precisa se preocupar com o grande número de visitantes em suas propriedades e instalações.

O agroturismo dá aos fazendeiros a oportunidade de educar os visitantes sobre seus modos de vida e dividir o que sabem sobre a agricultura com os outros. Na próxima página daremos uma olhada nas várias formas que o agroturismo pode tomar.

O âmbito do turismo rural varia drasticamente dependendo do tipo de fazenda, propriedade disponível e quanto do negócio estará voltado para o agroturismo. No entanto, essas várias formas podem ser subdivididas em três grupos básicos:

1.    Agroturismo voltado diretamente ao mercado: se você já se deparou com uma banca na estrada que vende produtos agrícolas, você viu o agroturismo voltado ao mercado. Os agricultores vendem sua produção, itens enlatados e outros produtos orgânicos diretamente aos consumidores seja em bancas nas rodovias ou em estandes localizados dentro das próprias fazendas. Os agricultores podem vender produtos orgânicos similares ao que os consumidores encontrariam em um supermercado, mas seus produtos contam com o apelo de vir diretamente de uma fazenda local. Para chamar ainda mais a atenção dos consumidores, os produtos vêm com rótulos de “orgânicos” e/ou “naturais”.

2.    Agroturismo educacional: essa forma de agroturismo inclui colher a sua própria maçã, excursões pelas fazendas, saborear um bom café-da-manhã na fazenda e a entrega de kits que ensinam um pouco sobre como funciona a vida na fazenda. A fazenda em si já é um destino turístico. Os agroturistas pagam para colher as frutas, degustar vinhos ou simplesmente desfrutar da agradável atmosfera do local. Além disso, na hora de ir embora muitos acabam comprondo os produtos agrícolas.

3.    Agroturismo recreacional: embora ainda considerado como agroturismo, esta modalidade tende a colocar a terra agrícola disponível para usos comerciais. Festivais de colheitas, labirintos de milharais e casamentos realizados na fazenda são atividades que acontecem com frequencia nas fazendas. Outras atividades como acampamento, tiro com arco ou passeio a cavalo também são oferecidas. Assim como acontece nas outras modalidades de agroturismo, esta também deixa os clientes tentados a comprar os produtos agrícolas.

Toscana

Uma vez estabelecida a ligação entre o consumidor e a fazenda, as visitas tendem a se repetir. Essa lealdade do cliente é a chave de sucesso de muitos negócios que envolvem o agroturismo. Nos Estados Unidos existe até a Community Supported Agriculture (CSA). Através da CSA famílias ajudam manter a agricultura local assinando um compromisso financeiro com determinada fazenda em troca de visitas regulares ou produtos e mercadorias. Algumas CSAs exigem pagamento antecipado enquanto outras pedem apenas que os assinantes participem do cultivo e colheita de suas culturas. Nesse caso o alimento tem um valor especial para as pessoas – já que elas sabem de onde eles vieram.

Mas, quem são os agroturistas? Na próxima página entenderemos qual o apelo que o agroturismo tem sobre os viajantes.

Agroturistas podem ser as mais diferentes pessoas, mas quem realmente paga por um final de semana em uma fazenda para colher frutas?

Assim como em um museu de arte ou um ponto turístico, o agroturismo oferece aos visitantes uma experiência educacional. Mas no lugar de proporcionar aos visitantes um inserção na história ou na arte, na fazenda as pessoas têm contato com os métodos de cultivo e a cultura agrícola. Além disso, assim como os ecoturistas procuram as belezas naturais, os agroturistas buscam descobrir de onde vem os alimentos ou ver como vivem as pessoas que trabalham diretamente com a terra.

Milharal

O agroturismo também atrai baby boomers urbanos e suburbanos e idosos que podem se sentir nostálgicos em relação à vida na fazenda. E quando eles conseguem levar seus familiares para perto das atividades agrícolas é como se mostrassem um pouco de seu passado. Além disso, os turistas acostumados a visitar países estrangeiros são mais interessados na agricultura do próprio país do que em outros destinos turísticos. Um bom exemplo disso é que, apesar de todo o glamour das praias do Havaí, o agroturismo naquele estado gerou uma receita de US$ 38,8 milhões em 2006 [fonte: Pacific Business News].

Quanto mais famílias se afastam das típicas férias de uma ou duas semanas e buscam viagens de finais de semana, o agroturismo local ou nas proximidades de casa pode ser uma boa opção em termos de valor. De acordo com uma pesquisa realizada pela Travel Industry Association of America , as atividades ao ar livre estão em terceiro lugar entre as atividades mais procuradas durante as férias dos americanos, logo atrás de fazer compras em shoppings e eventos familiares [fonte: Agricultural Marketing Resource Center].

 



Fonte: Howstuffworks



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