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Água contaminada cria novo obstáculo para limpeza de Fukushima, no Japão, 8 anos após acidente

Compartilhe:     |  11 de março de 2019

Oito anos após a crise nuclear de Fukushima, no Japão, um novo obstáculo ameaça minar a grande operação de limpeza. Um milhão de toneladas de água contaminada precisa ser armazenada, possivelmente durante anos, na usina de energia.

No ano passado, a Tokyo Electric Power (Tepco) disse que um sistema que deveria purificar a água contaminada não conseguiu eliminar contaminantes radioativos perigosos.

Contador Geiger mostra nível de radiação em 54 microsievert por hora em um dos reatores nucleares da usina de Fukushima, no Japão — Foto: Issei Kato/Reuters

Contador Geiger mostra nível de radiação em 54 microsievert por hora em um dos reatores nucleares da usina de Fukushima, no Japão — Foto: Issei Kato/Reuters

Isso significa que a maior parte dessa água, estocada em mil tanques ao redor da usina, terá que ser reprocessada antes de ser liberada no oceano, o local mais provável para seu descarte.

O reprocessamento pode levar quase dois anos e desviar pessoal e energia do desmantelamento dos reatores atingidos pelo tsunami de 2011 – projeto que exigirá até 40 anos.

Não está claro quanto tempo isso adiaria a desativação, mas qualquer atraso pode sair caro. Em 2016 o governo estimou que o gasto total do desmantelamento da usina, da descontaminação das áreas afetadas e das indenizações chegará a US$ 192,5 bilhões – cerca de 20% do orçamento anual do país.

Risco de novo acidente

Trabalhadores da Tepco observam barreira para impedir vazamento de água contaminada na usina de Fukushima, no Japão — Foto: Issei Kato/Reuters

Trabalhadores da Tepco observam barreira para impedir vazamento de água contaminada na usina de Fukushima, no Japão — Foto: Issei Kato/Reuters

A Tepco já está ficando sem espaço para armazenar a água tratada. Caso aconteça outro grande terremoto, especialistas dizem que os tanques podem rachar, liberando líquido contaminado e lançando destroços altamente radioativos no oceano.

Os pescadores que lutam para reconquistar a confiança dos consumidores são veementemente contrários à liberação da água reprocessada no mar – procedimento considerado inofensivo pela vigilância nuclear japonesa, Autoridade de Regulamentação Nuclear (NRA).

“Isso destruiria o que estivemos construindo nos últimos oito anos”, disse Tetsu Nozaki, chefe da Federação de Associações Cooperativas de Pescadores da Prefeitura de Fukushima.

Terremoto seguido de um tsunami devastou a região de Fukushima em 2011 — Foto: Hiro Komae/AP

Terremoto seguido de um tsunami devastou a região de Fukushima em 2011 — Foto: Hiro Komae/AP

A coleta do ano passado foi só 15% dos níveis pré-crise, em parte por causa da relutância dos consumidores em consumir peixes fisgados nos arredores de Fukushima.

Durante uma visita à usina arruinada de Fukushima Dai-ichi no mês passado, viam-se guindastes enormes pairando sobre os quatro edifícios dos reatores à beira-mar e operários em cima do terceiro edifício preparando equipamentos para erguer bastões de combustível usados de suas piscinas de contenção, um processo que pode começar no mês que vem.



Fonte: G1 - Reuters



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