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Água subterrânea é alternativa para amenizar crise hídrica em São Paulo

Compartilhe:     |  22 de dezembro de 2014

A crise de abastecimento de água na cidade de São Paulo tem ampliado o interesse de empresas e pessoas físicas pela instalação de poços de abastecimento. Contudo, esta opção requer cuidados técnicos e uma série de procedimentos legais, para que os poços sejam instalados dentro das normas, a qualidade da água possa ser verificada e sejam evitadas ameaças às reservas de água, segundo alerta a consultoria ambiental Servmar, especializada em gestão de recursos hídricos.

A ordenação, gestão e exploração do recurso hídrico subterrâneo de forma adequada pode trazer uma contribuição significativa para a solução do problema de abastecimento em São Paulo, sem risco para o aquífero. “As matrizes hídricas devem ser estudadas e geridas como um sistema integrado, com a compreensão do comportamento da água subterrânea e sua interação com a água superficial”, afirma Emanuel L’Apiccirella, hidrogeólogo da Servmar.

Isto requer a realização de modelos matemáticos, que permitam gerir as concessões de água com maior eficiência. Segundo L’Apiccirella,  pode-se somar a isso também novos volumes obtidos com um melhor direcionamento de águas de chuvas e recuperação de águas de efluentes domésticos e industriais tratados.

“É certo que a região metropolitana de São Paulo está passando por uma das maiores estiagens de sua história, porém cientistas alertaram que estava por vir uma seca cíclica, que havia ocorrido pela última vez nessas proporções na década de 30”, lembra ele, ao destacar que deveria ter sido realizado um estudo mostrando claramente as vulnerabilidades e, sobretudo, o que fazer frente a diferentes cenários de estresse hídrico.

“Além do planejamento e construção de sistemas produtores de água potável, faltou avaliar as reais consequências que a população seria submetida frente a seca e, sobretudo, um plano de contingência para lidar com situações como essa que estamos vivendo hoje.”

Um recente estudo conduzido pela Servmar para a Fundação da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê mostrou que as águas subterrâneas são o quarto principal manancial de água para a região metropolitana de São Paulo, fornecendo mais de 10 m3/s. Entretanto, o mesmo estudo apontou que, em algumas áreas, a bacia já mostra sinais de exaustão, devido à grande densidade de poços que estão retirando elevada quantidade de água, como são os casos na região do ABC, centro-norte de São Paulo e Guarulhos, além de haver forte risco de contaminação em regiões como a do Jurubatuba, regiões da zona leste e o ABCD.

Há soluções até mesmo para uma região industrial como a de Jurubatuba, na zona sul de São Paulo, onde ocorre uma contaminação da água subterrânea das mais expressivas do mundo. Lá, a Servmar realizou um estudo para o DAEE que reordenou áreas de restrição de uso de água subterrânea, permitindo que, em certas áreas, onde havia proibição, o uso da água pudesse ser liberado sob condições específicas e de maneira controlada.

Ampliar o uso do Aquífero Guarani?

“O Aquífero Guarani, um dos principais do país, está muito longe da cidade de São Paulo para se aduzir água a um custo razoável, mas poderia ser usado para abastecer cidades que dependem do Sistema Cantareira, tais como Piracicada, Americana, Nova Odessa e Sumaré. Isso aliviaria o Sistema Cantareira e liberaria mais água para São Paulo.”

Cabe alertar que a utilização dos recursos hídricos de águas profundas – não renováveis – é um tema que tem sido debatido entre os especialistas. “Há escolas que defendem o uso do aquífero Guaraní como um recurso estratégico, que deveria ser reservado e aproveitado sob condições específicas, levando-se em conta a água como uma riqueza futura. Isto porque, com exceção das áreas de afloramento do aquífero Guarani, a recarga do aquífero não ocorre nas imediações de Ribeirão Preto e Botucatu, pelo fato de ser um aquífero confinado. Portanto, esta reserva não é renovável, na escala de tempo humana, o que requer cuidado”, explica o hidrogeólogo da Servmar.

O aquífero Guaraní já vem sofrendo o impacto de explorações que têm levado a um expressivo rebaixamento das reservas. Há regiões do interior, como o município de Barretos, no qual foram observados rebaixamentos de cerca de 100 metros de profundidade no nível d’água em poços de abastecimento público no aquífero Guarani. “Mesmo após terem sido observados estes níveis de rebaixamento, na última década foram concedidas licenças, no município, para irrigação em fazendas de produção de laranja e cana de açúcar”, observa ele.

Na avaliação do hidrogeólogo da Servmar, o aquífero Guarani poderia justamente ser protegido e utilizado prioritariamente para o abastecimento público, podendo ser acionado principalmente nos momentos de escassez de água.



Fonte: CicloVivo



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