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Alarmantes índices de suicídio crescem entre jovens de 15 a 25 anos

Compartilhe:     |  19 de setembro de 2020

Vivemos mais um setembro amarelo, desta vez em plena pandemia do coronavírus, embora tantas pessoas insistam em acreditar que já estamos vivendo o pós-pandemia. No centro deste marcador no tempo, estão os alarmantes índices de suicídio que só fazem crescer em todo o planeta, especialmente entre jovens de 15 a 25 anos.

Uma reportagem recente do The Intercept chamou atenção para o adoecimento em massa da população americana embasado por dados alarmantes como o fato de 10% dos americanos terem considerado a possibilidade de cometer suicídio nos últimos 30 dias, sendo que  o percentual sobe para 25% entre jovens de 18 a 25 anos (estudo da CDC: Centers for Disease Control and Prevention divulgado em agosto). Vale pensar sobre o que este dado diz a respeito de uma sociedade.

No mundo todo, segundo a OMS, só as mortes por acidente de trânsito matam mais jovens do que o suicídio. Um levantamento da agência Nova/SB comprovou o aumento de menções ao suicídio nas redes sociais, este ano relacionados ao isolamento social. Mundialmente, 800 mil pessoas tiram a própria vida, por ano, em decorrência da depressão – sendo que no Brasil estima-se que 12 milhões de pessoas sofram da doença. Tudo isso para chegar a um ponto inescapável: as pessoas estão muito frágeis. No mundo inteiro, a fragilidade e a vulnerabilidade ganharam proporções sem precedentes.

Não por acaso, é precisamente nesta era que as pessoas se tornaram presas fáceis das armadilhas viciantes das redes sociais, das fake news, de governos populistas e autoritários. E não por acaso, em diversos levantamentos e estudos, faz tempo empresas e marcas aparecem ocupando espaços mais importantes do que governos e instituições no imaginário coletivo. Repetidas frustrações levaram as pessoas a acreditarem muito mais na força das grandes marcas do que em seus governantes para ajudar a tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

Um estudo recente do grupo McCann, Truth about Culture and Covid, apontou o crescimento dos índices de ansiedade, da intenção de gastar o dinheiro de maneira mais consciente, da preocupação consigo próprio e com o sofrimento de pessoas próximas. A angústia e o medo em relação à incapacidade de prever o futuro só faz crescer. No Brasil, 66% dos respondentes da pesquisa afirmaram estarem preocupados em proteger, principalmente, sua saúde, suas casas, seus filhos, o planeta, sua liberdade, seu dinheiro (nesta ordem de grandeza).

Globalmente, políticos e governos aparecem como os que mais perderam credibilidade durante a pandemia. Empresas e marcas tiveram perdas de credibilidade em menor escala, na lanterninha, depois de governos, canais de notícias mainstream, redes sociais, pessoas do próprio país, pessoas de outros países. Perderam credibilidade na opinião de 18% da pessoas no estudo global, e 17% das pessoas no Brasil.

Ainda em abril, uma das primeiras ondas do estudo realizado pela McCann constatou que para 48% dos brasileiros, a melhor coisa que as marcas podem fazer durante a pandemia é proteger seus colaboradores. Globalmente, o estudo apontou que uma em cada 3 pessoas acredita que os CEOs das empresas devem fazer sacrifícios pelos seus funcionários. Estava dada ali a dica, escancarada, sobre como marcas e empresas deveriam se comportar e o que priorizar, especialmente durante os meses que viriam.

Cuidar, em todos os sentidos, tornou-se o gesto primordial. Colocar as pessoas em primeiro lugar deve ser a prioridade de empresas e marcas, mais do que nunca. Pessoas estas que estão à flor da pele, com medo do futuro, sem emprego ou trabalhando em home office sem muita certeza do que virá, ou saindo para manter jobs que exigem que se arrisquem diariamente.

Pessoas que perderam parentes e amigos para a covid-19. Pessoas que estão exaustas, impacientes e muitas vezes mal se reconhecem no espelho e na própria pele.

É com elas que as marcas tentam se conectar diariamente, é para elas que os sistemas de telemarketing das empresas de TV por assinatura, telefonia, cartão de crédito e outros seguem ligando insistentemente para vender serviços, é o conteúdo que elas assistem que as mensagens de comunicação interrompem incessantemente, são elas que precisam lidar com a precariedade dos serviços de atendimento e pós venda de tantas empresas que ainda não perceberam o que de mais essencial se espera delas, acima de qualquer outro valor. O que é esperado de empresas e marcas, hoje e para sempre, por favor, é simplesmente isso: cuidado.

*O título deste artigo foi uma gentil e certeira sugestão de Flavio Cordeiro.

**Claudia Penteado é jornalista, estuda comunicação, filosofia e literatura, mora no Rio de Janeiro e acredita em capitalismo consciente. É leonina, mãe da Juliana e prefere ler livros em papel.



Fonte: Época Negócios - CLAUDIA PENTEADO*



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