Crônicas e Poesias

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Compartilhe:     |  22 de novembro de 2014


Água, água, água,
Vejo um mar de baleias com sede,
Vejo um deserto de águas retirantes,
Vejo o cinza a repintar o verde.

Água, água, água,
É o sal que fugiu da terra,
É o pó que espera pela vida,
É a paz com jeito de guerra.

Água, água, água,
O alento aos poucos se expira,
Na fanfarra cretina dos discursos,
Onde o homem é a grande mentira.

Água, água, água,
Vejo cemitérios de asas no chão,
Vejo alvoradas de poeira no ar,
Ouço um mutismo de silêncio-inação.

Água, água, água,
Não há tempo para lágrimas, morre o pranto,
O espinho sobrevive sem a flor,
O amor se esvai no desencanto.

Água, água, água,
Nem fauna, nem flora, nem essência,
O racional se opõe à natureza,
A duidade é quebrada na demência.
Horror insano e tão previsível
Numa voragem destrutiva insaciável
Mas, se o homem se vestir logo do juízo
Ainda poderá se despir do inevitável.

                                                                Francisco Simões

Fonte: BlocosOnline



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