Trilhas da Paraíba

Algodão de Jandaíra

Compartilhe:     |  22 de dezembro de 2018

O município de Algodão de Jandaíra fica localizado na região do Curimataú Ocidental paraibano, a 202.00 Km de João Pessoa, e limita-se com os municípios de Arara, Areia, Remígio, Pocinhos, Barra de Santa Rosa e Casserengue.

Dados Históricos

O município de Algodão de Jandaíra – PB tem sua formação histórica, política e social relacionada com o desbravamento do agreste paraibano por volta do século XVII. O nosso território abrigou tribos indígenas como Caxexa e Cariri, dizimados pela ganância e perversidade do homem branco, mas o sangue indígena ainda corre nas veias de muitos cidadãos algodãoenses, o traços indígenas ainda são vistos na face do nosso povo. O município de Algodão de Jandaíra pertenceu a Areia – PB antes de fazer parte do território de Remigio – PB.

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Em 29 de Abril de 1994, Algodão de Jandaíra foi emancipada chegando a condição de cidade pela Lei: 5.928 de 1994 e desde então, teve como Prefeito Constitucional Edvaldo Alves de Luna – gestão 1997- 2000 e 2001 – 2004, e Isac Rodrigo Alves 2005-2008, o ultimo foi reeleito e está atualmente em exercício.É de conhecimento de poucos o primeiro nome deste município, que antes de ser chamado Algodão de Jandaíra, chamava-se “Bons Ares ”.

Há muita especulação a respeito da origem do atual nome deste município, a hipótese mais aceita é que o nosso território foi um grande produtor da cultura de algodão, como também um grande produtor de mel de abelha da espécie jandaíra, dessa junção surgiu o nome Algodão de Jandaíra.Infelizmente, muitas informações sobre a formação do nosso município foram perdidas no tempo, a maioria dos moradores mais antigos já partiram, deixando poucos vestígios sobre a os primórdios de Algodão de Jandaíra.

Com o advento da eletricidade houve muita evolução, porém muito retrocesso, a tradição oral passada de pai para filho já não existe, a rodas de conversas iluminadas com lamparinas de querosene, onde eram contada a história dos nossos antepassados foram abolidas, dando lugar a luz elétrica e as estórias televisadas, as raízes de nossa história está sendo aos poucos soterradas pelas tramas televisivas e não há nada de mais lamentável para um povo do que não conhecer a sua própria história.

Mas nem tudo está perdido, está na hora de resgatar a nossa história, as nossas raízes, a nossa cultura para que possamos ao menos saber de onde viemos, quem somos, quem foram nossos ancestrais e acima de tudo como poderemos construir o nosso futuro conhecendo os erros e acertos do passado, podendo assim aprender lições com aqueles que viveram em épocas difíceis, vivendo um contexto social contrário ao atual, numa configuração totalmente distinta da nossa, e nem por isso deixaram de ser sujeitos construtores da historia, da sociedade e da cultura de uma época.

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Turismo

O município de Algodão de Jandaíra, distante 160 Km da capital João Pessoa, possui um complexo de Serras propícias à prática do turismo ecológico. No município estão sendo desenvolvidas ações visando o fortalecimento do Turismo na Região do Curimataú. A região possui características próprias, pois encontra-se cravado numa Região de clima seco e Semi-Árido. Nesse complexo de Serras existem vários paredões de rochas onde encontramos centenas de figuras deixadas por nossos antepassados. São imagens que retratam a vida animal e possivelmente elementos gráficos utilizados para marcar o Tempo. Estudos estão sendo feitos na região e em breve poderemos nos orgulhar de ter um Patrimônio histórico bem preservado.

Algodão de Jandaíra é detentor de um enorme potencial turístico, ainda pouco desbravado, o município possui imensas paisagens, que no período chuvoso nos leva a esquecer que estamos no semi-árido nordestino. A serra do algodão é de um bucolismo ímpar que nos remete a lembrar das belas paisagens européias, como também as lindas formações rochosas desenhadas pelas mãos do CRIADOR, especialmente para que a sua Glória fosse contemplada pelos homens. Além das histórias que estão relacionadas com essas formações rochosas, existem imensos paredões de pedras ideais para a prática de esportes de aventuras (rapel, escalada, etc.), como também existem trilhas propicias para caminhadas ecológicas, passeios turísticos entre outras atividades, ou simplesmente para contemplação da beleza encantadora do nosso município, sem esquecer do refrescante banho de açude que espera por cada visitante.Dentre os pontos turísticos catalogados no nosso território estão: Pedra do Caboclo, Pedra Furada, Pedra da Santa, Pedra da Letra, Cemitério em Jandaíra, Serrote da Acauã, Açude Municipal, entre outros.

Pedra do Caboclo

PEDRA DO CABOCLO

A Pedra dos Caboclos ou Gruta dos Caboclos – Localiza-se a uma distância de 4KM , da cidade, na Serra do Algodão, deste lugar vê-se uma beleza impar da paisagem do município. Conta-se que, nesse lugar, por volta do século XVIII, um grupo de índios perseguidos por ferozes capitães do mato, o se refugiarem na gruta os indígenas ficaram encurralados. Não permitiram que os seus perseguidores entrassem no local, travaram uma luta desesperada com eles mesmos, pois permaneceram lá sem aguaram e comida durante uma semana, depois foram morrendo lentamente. Aqueles que se desesperavam e ousavam tentar escapar da sede e da morte, foram abatidos a tiros na entrada da gruta, onde existe uma furna com paredões de aproximadamente 80 metros de altura. Esse episódio originou o nome Gruta do Caboclos. Um fato curioso relatado em entrevista a Maria Lucia Lucena Cavalcante, que escreveu uma monografia a respeito de Algodão de Jandaíra no ano de 2005, o Senhor Aprígio Manoel (in memorian), relatou que por volta do ano de 1927, quando ainda jovem, reuniu-se com uma turma de quatro amigos e adentraram na Gruta dos Caboclos e se depararam com quarenta e duas ossadas humanas. Estas apresentavam características de pessoas de pouca idade, provavelmente eram restos dos indígenas sacrificados pelos capitães do mato a mando dos colonizadores na luta pela terras. Encontraram também um cachimbo, um chicote e roupas tecidas a fio de caruá, uma planta nativa dessa região.

Pedra da Letra

PEDRA DA LETRA

Na Pedra da Letra pode ser encontrado vestígios rupestres, acredita-se que nesse local teria sido o alojamento urbanizado dos nativos da região. Está a 7KM da cidade no leito do Rio Curimataú.

Pedra Furada

PEDRA FURADA

A Pedra Furada está localizada a 7 km distância do perímetro urbano, em direção á Serra de Cima. Apresenta duas cavidades frontais, que muito lembram uma caveira (ver foto). Ao redor da Pedra Furada existem vestígios de antigas civilizações, diversas inscrições rupestres comprovam a existem de comunidades nativas em torno dessa formação rochosa.

Tanque da Serra

TANQUE DA SERRA

Com a freqüente estiagem que assolava a região, a comunidade aproveitou um lajedo para transformar-lo num reservatório de água, porém é de uma beleza rara e deslumbrante. Fica situada em cima da Serra do Algodão bem perto da Pedra Furada.

Pedra do Poço

PEDRA DO POÇO

A história dessa pedra é pouca conhecida, está localizada no Sitio Jandaíra, praticamente no meio do rio, no lado oeste pode-se notar registros rupestres de antigas civilizações, de tamanhos bem significativos. Antigamente foi construído um grande açude ao seu redor, porém foi destruído por uma grande chuva no passado.

Serrote do Acauã

SERROTE DA ACAUÃ

Essa formação rochosa ainda desconhecida da população algodãoense, localiza-se a aproximadamente 6KM da cidade. Está fixada no Sitio Jandaíra, e no seu livro “ MEMÓRIAS: ANTES QUE ME ESQUEÇA” , José Américo o cita o lugar como cenário de uma de suas aventuras de infância . RELATO DE JOSÉ AMERICO DE ALMEIDA A RESPEITO DO SERROTE DO ACAUÃ “Era fantástico o Serrote da Acauã, ninho da ave que lhe dava o nome. Ninguém se atrevia a ir lá. Ninguém pisava esse chão. O lugar era temido pela sua população criminosa, uma espécie de serpentário. Dei, enfim, com uma entrada. No ventre escuro jazia uma vida sonolenta que nunca foi revelada. Era uma furna! A bocarra escura e desdentada começava a devorar-me. Uma goela negra escancarava-se. Uma pequena caverna. Gritou a Acauã a repetir seu nome com uma voz chorosa e feia.” ( José Américo de Almeida- Memórias, Antes que me esqueça- 1976) Como está relatado nesse trecho do livro de José Américo de Almeida, até hoje escuta-se o canto da Acauã, o Serrote possui uma pequena caverna que abriga mamíferos, répteis e insetos, seus moradores mais ilustres são: lagartixas, cobras, abelhas, preás, mocós , etc.

Casa de José Américo de Almeida

CASA DE JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA

Localizada também no Sitio Jandaíra. Essa residência pertenceu a Família Américo de Almeida, nessa casa José Américo passou parte de sua infância, principalmente para fugir do inverno rigoroso de Areia-PB, onde eles tinham residência fixa. José Américo cita essa moradia em um de seus livros. Hoje quem mora nessa casa é o Senhor Cícero Ferreira Martins, vulgo “Cícero das Cordas”. . RELATO DE JOSÉ AMERICO DE ALMEIDA A RESPEITO DA CASA EM JANDAÍRA NO LIVRO “MEMORIAS, ANTES QUE ME ESQUEÇA” “Essa casa não se afogava no arvoredo. Tinha alpendres que a protegiam do sol, á caladas, abrigavam cabras que se esfregavam nas portas . Era também morada de maribondo amarelo e do caboclo, cujas ferroadas davam “ febre , frio e dor de cabeça”. Alta noite, ouviam-se o crótalos: a cascavel agitava seu chocalho. Antonio Batista, que acabou dono da fazenda, era vaqueiro de meu pai e pessoa de sua confiança. ( José Américo de Almeida).

Casa Monsenhor Walfredo Leal

CASA DO MONS. WALFREDO LEAL

Localizada no Sitio Jandaíra, foi uma propriedade do Monsenhor Walfredo Leal, o administrador dessa fazenda era o Senhor João Coelho e sua esposa Dona Isabel Coelho, mais conhecida como Zabé Coelho. Segundo relato da Senhora Josefa Farias da Silva que conheceu Dona Zabé Coelho, essa fazenda era refugio do temido cangaceiro Antonio Silvino ( contra a vontade do padre). Quando o Padre Walfredo sabia que o bando de Antonio Silvino estava próximo da fazenda, o mesmo fugia para João Pessoa, por temer as artimanhas de Antonio. Antonio Silvino se “hospedava” na fazenda e tinha por costume apelidar o Padre Walfredo Leal de “ Padre Três Mochilas”, o motivo do apelido é até hoje desconhecido.



Fonte: Famup - Blog Oficial



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