Dicas de Praia

Alter do Chão, no Pará, tem apenas duas estações no ano e pode oferecer praia ou floresta alagada, a depender da época

Compartilhe:     |  9 de janeiro de 2021

Descubra o Brasil: série mostra destinos que merecem ser mais conhecidos, mas que ainda estão no radar apenas de viajantes que já buscam roteiros diferentes.

No oeste do Pará, a vila balneária de Alter do Chão tem atraído visitantes nacionais e estrangeiros com águas cristalinas, areia branquinha e o verde da Amazônia ao redor. A vila, que ganhou até o apelido de Caribe Amazônico, pode ser destino de praia ou de floresta alagada, dependendo da época do ano em que você a visita.

O Descubra o Brasil apresenta destinos que já estão no radar dos viajantes que buscam roteiros diferentes, mas que merecem ser mais conhecidos.

Alter do Chão não fica no litoral apesar de ser mais conhecido por suas praias que se formam no rio Tapajós apenas em alguns meses do ano. A vila, distrito de Santarém, virou um dos principais destinos turísticos paraenses.

Mas, se você chegar a Alter do Chão na época da cheia, a vila vai ter outra cara e a principal atração será a floresta alagada.

Para entender a mudança tão drástica na paisagem, vale lembrar que Alter do Chão está próxima da Linha do Equador, que divide o planeta nos Hemisférios Norte e Sul. Por ali não há primavera nem outono. Existem apenas duas estações: o inverno amazônico e o verão amazônico.

Seja inverno ou verão, a diferença na temperatura é pouca: um grau a mais ou a menos, com médias que variam de 24ºC a 33ºC. O que muda mesmo são as chuvas e, consequentemente, o nível dos rios, que sobem ou descem muitos metros ao longo do ano.

Praias no verão amazônico

É no verão, o período mais seco, que o rio recua e surgem praias de areia clara e água esverdeada e transparente. Mas fica o lembrete: o verão amazônico não coincide com o do verão do resto do Brasil. Esse período de seca começa em junho por ali, mas é entre agosto e novembro que o turista encontra as praias em seu melhor momento.

É também nesse período que a vila é mais visitada. A dica é fazer suas reservas com antecedência, já que na alta temporada — e em feriados como Réveillon e Carnaval — muitos hotéis atingem sua capacidade máxima de ocupação.

Em dezembro já começam as chuvas, mas, dependendo do ano, as praias resistem, com faixas de areia mais estreitas, até o começo de março.

Ilha do Amor, na seca e na cheia — Foto: Secretaria de Turismo do Pará

Ilha do Amor, na seca e na cheia — Foto: Secretaria de Turismo do Pará

A principal atração de Alter do Chão é a Ilha do Amor. Apesar do nome, o lugar na verdade é um banco de areia que fica bem em frente à vila, entre o Lago Verde e o Rio Tapajós.

Com barracas de comida, cadeiras e guarda-sóis à beira-rio, os turistas aproveitam a Ilha do Amor para curtir a paisagem e o sossego do lugar, com água na altura da canela.

Nos meses mais secos dá para chegar andando à chamada ilha, cruzando as águas a pé. No resto do ano é preciso recorrer a barquinhos chamados de catraias, que fazem a travessia em poucos minutos.

Floresta alagada

No chamado inverno amazônico, que começa em dezembro e dura até maio, os passeios são todos de barco.

Cruzando as águas do Lago Verde, as embarcações levam visitantes para conhecer a Floresta Encantada do Caranazal. É como fazer uma trilha pela mata, mas de dentro do barco. É uma espécie de labirinto que dá o efeito de encantamento do nome.

Desse jeito, dá para ver de perto árvores que passam seis meses do ano parcialmente debaixo d’água. É a oportunidade de admirar de outro ângulo a diversidade de plantas e animais da Amazônia.

A Floresta Nacional do Tapajós, também chamada de Flona, é outra atração imperdível. O melhor jeito de chegar ali é de barco, seja no inverno ou no verão. Por lá, há visitas a comunidades ribeirinhas e tribos indígenas, além de trilhas pela mata, observando fauna e flora.

Veja a seguir outros destaques:

  • A Ponta do Cururu é o lugar ideal para admirar o pôr do sol. Barcos levam os visitantes até a faixa de 1 km de areia que avança sobre o rio, só para encarar o espetáculo da natureza todo fim de tarde
  • .Para uma visão privilegiada e em 360º da região, vale subir até o alto do Morro da Piraoca. Uma trilha de nível fácil sai da Ilha do Amor e leva até o ponto mais alto da região, de onde você consegue ver as praias, o rio Tapajós, o Lago Verde, a vila e outras belezas do lugar.
  • A culinária local tem sabores imperdíveis, com os peixes de rio da região, frutas e temperos típicos, como o tucupi.
  • No mês de setembro a cidade sedia a Festa do Sairé, criada por padres jesuítas há mais de três séculos. O grande evento, que dura 3 dias, mistura rituais católicos e indígenas, música, dança e até uma disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa. A disputa foi introduzida em 1997 para retratar umas das mais tradicionais lendas da Amazônia.
  • Pertinho de Alter dá para presenciar o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas, que acontece na orla de Santarém. Os dois rios correm paralelos por alguns quilômetros, sem se misturar, até que as águas mais escuras do rio Amazonas dominam o Tapajós.

Origens da cidade

Habitada originalmente pelos índios Boraris, a região de Alter do Chão viu os primeiros portugueses chegarem ali há quase 400 anos, em 1626. Pouco mais de cem anos depois, em 1758, os europeus batizaram o lugar em homenagem a uma vila no interior de Portugal, também chamada Alter do Chão.

Nos séculos 17 e 18, jesuítas organizaram algumas missões religiosas para catequizar o povo indígena que ali vivia. Até o século 18, os índios eram a maior parte da população em Alter do Chão.

Já no século 20, durante o Ciclo da Borracha que atraiu até Henry Ford para a Amazônia, Alter do Chão foi rota para o transporte do látex que vinha de Fordlândia e Belterra — as cidades fundadas pelo empresário americano para a extração de látex das seringueiras.

Foi só a partir da década de 1990 que o potencial turístico deste distrito de Santarém passou a ser reconhecido e explorado.

Como chegar

Alter do Chão está a 37 km do centro de Santarém. Do aeroporto da cidade até a vila dá para chegar de táxi, ônibus ou carro em menos de uma hora. Para quem vai passar muitos dias na região, outra opção é fazer o trajeto de barco desde Belém, capital paraense, em uma viagem que leva pelo menos 24 horas, dependendo da velocidade da embarcação contratada e das condições do rio.

A vila de Alter do Chão tem mais de 50 hotéis e pousadas, com cerca de 1.500 leitos de hospedagem.

O sinal de celular das principais operadoras de telefonia é bom na região, mas pode oscilar em alguns pontos, como praias.

Apesar da maior parte do comércio local operar com cartão, é recomendado que o turista leve dinheiro em espécie nesta viagem. A vila possui apenas uma agência do Banpará e um caixa eletrônico do Banco24Horas. Você vai encontrar agências de outros bancos apenas em Santarém.



Fonte: G1 - Por Denise de Almeida



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