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Amamentação protege mãe da depressão pós-parto, mas ela precisa de apoio

Compartilhe:     |  28 de março de 2021

Ao primeiro olhar, a tarefa de amamentar um bebê não parece ter muito segredo: basta oferecer o seio —que estará cheio de leite— e ele vai abocanhar e sugar direitinho. Certo? Infelizmente, a realidade não é bem essa.

Embora seja algo natural e importantíssimo para a saúde tanto da mãe como da criança, é bastante frequente que o aleitamento materno venha cheio de obstáculos, como dificuldade na pega, dor, machucados e, em alguns casos específicos, até baixa produção de leite.

O problema é que, diante dessas dificuldades, e ainda em um momento tão delicado como o puerpério (como é chamado o período após o parto), as dificuldades para amamentar podem acabar gerando muita angústia e frustração —e funcionando como gatilho para o surgimento da depressão pós-parto.

“É preciso alinhar as expectativas”, avalia a obstetra Joice Armelin, de São Paulo.

Amamentação, assim como a hora do parto, não pode ser romantizada ou idealizada. Muitas mulheres terão problemas e precisarão de apoio para superá-los.

A dor de amamentar

Fisgadas enquanto o bebê suga (por conta da pega errada do bebê), fissuras que podem sangrar, ducto entupido, mastite (inflamação da mama), candidíase mamária. Essas são algumas das dificuldades que as mães podem encontrar durante o período de lactação.

Por vezes as mães acabam tão estressadas que desistem de amamentar; outras ainda vão sofrer tentando manter a prática, já que o cansaço e a dor impactam de forma negativa na produção de leite, reduzindo a quantidade produzida.

Há ainda outra questão que costuma ser pouco falada: a perturbação da amamentação, uma condição ainda pouco estudada e que geralmente é detectada após observação clínica. O quadro é caracterizado por sentimentos de angústia, irritação, raiva ou inquietação na hora de amamentar. A mulher pode, inclusive, querer parar o aleitamento por rejeitar a ideia de oferecer o peito ao filho e até sentir vontade de agredir o bebê.

“É uma condição que obviamente provoca muita culpa nas mães, pois elas esperam que esse momento seja especial na vida delas”, acredita a pediatra Patty Terrível, especialista em aleitamento materno do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros (SP) e membro do Departamento de Aleitamento Materno da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo).

“É importante acolher essa mulher, explicar que o puerpério é um momento de adaptação, que nem tudo é tão maravilhoso como as redes sociais mostram e que tudo bem sentir esse tipo de coisa, não é culpa dela”, afirma a especialista.

Acolhimento e superação

Mesmo não sendo tão simples como nas nossas fantasias, insistir na amamentação é fundamental: além de fortalecer a conexão com o bebê, melhorando seu desenvolvimento psicomotor, emocional e imunológico, a mulher também se beneficia da prática e tem sua saúde mental protegida.

Isso porque a ocitocina, conhecida como “o hormônio do amor” e responsável por estimular a ejeção do leite pela mãe, também provoca sensação de bem-estar e relaxamento. “Essa carga hormonal ajuda a mulher a se sentir mais feliz e também auxilia na recuperação do baby blues“, afirma Rossiclei de Souza Pinheiro, membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Para isso, é importante que a mãe se sinta amparada e tenha ajuda em casa e com o bebê, além de recorrer a profissionais de confiança (como o pediatra, o obstetra e até enfermeiras especializadas em aleitamento) para buscar ajuda, se precisar.

É a chamada rede de apoio —um círculo de pessoas que irá abrir os braços para que essa mãe possa falar o que sente sem julgamentos, além de ajudá-la a cuidar da saúde (se alimentando bem e dormindo mais, por exemplo).

“Esse auxílio é importante para que ela se recupere e consiga relaxar, favorecendo ainda mais a produção de leite e a manutenção do aleitamento”, acredita Patty Terrível.

Supere a depressão pré e pós-parto

Essa reportagem faz parte da campanha de VivaBem Supere a Depressão Pré e Pós-parto, que tem como objetivo chamar a atenção para o transtorno e os impactos que ele pode trazer para a mãe e o bebê.

Ao longo da semana, uma série de reportagens e conteúdos especiais foram e serão publicados com o objetivo de ajudar a identificar e tratar o problema. Confira todo o conteúdo da campanha aqui.

Fique ligado: a campanha é a primeira de uma série de VivaBem que, ao longo do ano, trará conteúdos temáticos para auxiliar no combate a problemas que muitas pessoas enfrentam no dia a dia e contribuir para que você tenha mais saúde e bem-estar.



Fonte: Viva Bem - Uol - Danielle Sanches



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