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Americanos fazem lobby para Plutão voltar a ser planeta do Sistema Solar

Compartilhe:     |  4 de outubro de 2014

Descoberto pelo astrônomo americano Clyde Tombaugh em 1930, Plutão passou os 76 anos seguintes considerado como nono e último planeta do Sistema Solar. Em 2006, no entanto, a assembleia geral da União Internacional de Astronomia (IAU), reunida em Praga, aprovou novos parâmetros para a classificação destes tipos de objetos, o que levou ao “rebaixamento” de Plutão à categoria então criada de “planetas-anões”.

A decisão, porém, não agradou parte do público e dos próprios astrônomos, em especial nos EUA. Afinal, Plutão era o único dos planetas descoberto por um americano. Assim, apesar de pelo lado da IAU a discussão ter sido dada como encerrada, ela continua a mobilizar os americanos, que lutam pela sua “reabilitação” ao status de planeta. Em meados de setembro, por exemplo, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian promoveu um debate em que três cientistas apresentaram suas posições e argumentos com relação ao assunto. Ao final, a plateia pôde participar de uma votação informal sobre como Plutão deveria ser classificado. Não surpreendentemente, a grande maioria dos presentes apoiou a afirmação de que Plutão é sim um planeta.

De acordo com a resolução aprovada pela IAU em 2006, para ser definido como um planeta um objeto celeste deve obedecer três critérios básicos: orbitar em torno do Sol; ter massa suficiente de forma que sua própria gravidade faça com que assuma uma forma esférica ou quase esférica; e ter “limpado” sua órbita de outros objetos de grande porte. Mas Plutão, apesar de atender aos dois primeiros, não se enquadra no último. Com uma órbita extremamente excêntrica na comparação com os demais planetas, ele regularmente cruza o caminho de Netuno em torno do Sol, tanto que só em 1999 o ultrapassou para se tornar, ainda então como planeta, o mais distante de nossa estrela.

Apesar de o resultado da votação promovida após o debate nos EUA não ter nenhum caráter oficial, já que não conta com o aval da IAU, os americanos esperam com isso tentar reabrir o debate sobre o status de Plutão no âmbito da organização. Mas segundo Fernando Roig, astrônomo do Observatório Nacional, a definição adotada pela IAU é razoável e não deve ser alterada. Roig, que participou da assembleia de 2006 e votou a favor do rebaixamento do planeta, lembra que a discussão foi acirrada. De um lado, conta, alguns cientistas, notadamente os americanos, insistiam que Plutão deveria continuar a ser considerado um planeta, enquanto do outro havia até os que queriam passar a classificá-lo como um “mero” asteroide.

– Assim, a ideia de criar a categoria de “planeta-anão” foi um compromisso razoável, o melhor encontrado na época para conciliar estas posições extremas – diz. – No final, os termos para a definição do que é um planeta no sentido clássico são muito bons e não vejo motivos para se rediscutir isso.

Para Roig, a descoberta de cada vez mais planetas extrassolares, isto é, que orbitam outras estrelas que não o Sol, também não deve afetar este tipo de classificação. Segundo ele, os argumentos apresentados por Dimitar Sasselov durante o debate do mês passado nos EUA, como o de que não conhecemos a configuração exata destes sistemas planetários distantes e assim também não poderíamos classificar estes objetos como planetas pelos parâmetros estabelecidos pela IAU, não se sustentam. De acordo com Sasselov, os planetas deveriam ser definidos apenas como “os aglomerados esféricos de matéria que se formam em torno de estrelas ou restos de estrelas”.

– É um argumento forçado e que não faz sentido, já que, em geral, quase todos os planetas extrassolares conhecidos são objetos bastante maciços que se espera que tenham de fato varrido suas órbitas de outros objetos. Não dá para imaginar, por exemplo, um planeta como Júpiter orbitando uma estrela em meio a um campo de asteroides. Sua gravidade simplesmente não ia permitir que isso acontecesse. Assim, a maioria deles é, com certeza, planetas de fato como definido pela IAU – explica. – Além disso, a detecção e estudo dos planetas extrassolares ainda é um campo muito novo na astronomia. Concordo que em algum momento a IAU vai ter que decidir como classificar estes objetos, mas isso também não significa que ela terá que voltar atrás numa definição que já existe e funciona muito bem para o Sistema Solar.

Por fim, Roig também vê na votação feita nos EUA um ímpeto nacionalista diante do fato de Plutão ter sido o único planeta descoberto por um americano.

– O resultado desta votação não deve ser levado a sério, já que este elemento de nacionalismo invalida uma discussão que deve ser estritamente científica – conclui.



Fonte: O Globo - Cesar Baima



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