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Amor de mãe pode reduzir riscos de obesidade, aponta estudo

Compartilhe:     |  17 de novembro de 2019

No Brasil, 13% dos meninos e 10% das meninas entre 5 e 19 anos sofrem com obesidade ou com sobrepeso, de acordo com dados do Ministério da Saúde. “Apesar do fator genético, que pode estar associado, existem fatores epigenéticos, que é quando o ambiente influencia no gene, e que aumentam os riscos de desenvolvimento da doença. Trata-se, portanto, de uma doença multifatorial que também é influenciada pela alimentação, pelo estilo de vida e por contaminantes externos”, explica a nutricionista materno infantil e colunista da CRESCER, Andreia Friques.

Pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, acompanharam 172 famílias que já enfrentavam fatores de risco significativos para a obesidade de seus filhos. Foi examinado se o comportamento de uma mãe poderia compensar os riscos de obesidade de seu bebê. Então, eles observaram mães brincando com seus bebês durante os sete primeiros meses de vida, analisando se os tons que elas costumavam falar eram grosseiros ou doces, além de suas posturas e toques físicos. Em paralelo, eles rastreavam o IMC dos bebês.

Na pesquisa, foi identificado que o ganho de peso estava superando o ganho de comprimento e isso estabeleceu uma trajetória preditiva para o projeto. Quando essas mesmas crianças tinham sete anos, mais de 36% eram obesas.

A conclusão foi de que as mães que falavam em tom afetuoso com seus bebês enquanto brincavam, eram menos propensas a ter filhos obesos. “A criança que recebe estímulos amorosos e não-ameaçadores, deverá ter um desenvolvimento positivo em relação às interações sociais e a sua confiança. Mas, na presença de mães hostis, que brigam, falam grosseiro e até batem, todo aprendizado do corpo da criança endurece; ela se torna mais reativa, menos confiante e menos empática. Tudo isso é decisivo em como a criança vai se relacionar com o mundo”, afirma Rita Calegari, psicóloga da rede de hospitais São Camilo.

Bebês cujas mães falavam em tom hostil, severo e agressivo mostraram sinais de que ganhariam peso pouco saudável. “Desde a gestação, a mãe já cria um vínculo com seu bebê. Tudo o que ela faz com o seu corpo também afeta a criança. Sejam alimentos, remédios, bebidas, drogas ou palavras, tudo isso influencia na forma como o bebê irá se relacionar com o mundo. Existe uma interdependência, pois são dois corpos coexistindo juntos, então se a mãe não tiver consciência do que ela ingere, isso poderá desencadear sérios problemas em seu filho”, comenta Rita.

A pesquisa ainda aponta que uma mãe que está acima do peso ou obesa durante a gravidez ou que fuma e se estressa neste período tem mais chances de ter um filho obeso.”Engravidar significa, em muitos momentos, abrir mão de suas necessidades, renunciar tudo aquilo que você está acostumada a fazer e que te dá prazer em prol do bem-estar do seu bebê. Ocorre a renuncia ao corpo, aos prazeres, ao tempo e até à carreira, muitas vezes. Quando o tom dessas renúncias é positivo e afetuoso, quando envolve amor e altruísmo, esses benefícios serão sentidos pelo bebê. Mas quando o tom é de privação, repressão, sofrimento, raiva e insatisfação, a criança também sentirá essas emoções da mãe. Essa troca de químicas e cargas de hormônio do corpo também chegarão à placenta”, afirma a psicóloga.

Quando o tema é alimentação, a doutora Andreia reforça a importância de se preparar para a gravidez antes da concepção. “Do ponto de vista nutricional, é necessário que antes da gravidez, haja uma consciência alimentar, para diminuir os riscos de sobrepeso da mãe e do bebê. Alimentar-se de forma saudável, equilibrada e ter um acompanhamento médico já reduzem as chances de desenvolvimento da doença no filho. Se a mãe se alimentar mal, isso afetará o DNA do bebê, pois o seu paladar se desenvolve desde o útero. Quando ele engole o líquido aminiótico ele já reconhece o sabor dessa substância. E esse sabor será influenciado pela alimentação da mãe: principalmente se for rica em açúcar, sal e gordura.

Para evitar este tipo de situação, a doutora Rita enfatiza a importância da consciência da maternidade. “É fundamental que a mulher que engravida se pergunte o que é ser mãe e como devo construir uma relação com meu filho? É interessante buscar uma rede de apoio, falar com outras mães e ler a respeito. É importante fazer escolhas melhores, mudar certos valores e não apenas se policiar com algumas atitudes sem uma mudança profunda”, comenta.

Além disso, a alimentação inadequada não agride somente o corpo da mãe e da criança, mas o emocional da grávida. “A alimentação rica em gordura, aditivos e açúcar também influencia na concentração da mulher, na qualidade do seu sono, na sobrecarrega dos hormônios e pode deixá-la mais irritada. Quem se alimenta mal, pode ter mais tendência a ter mal humor e mal funcionamento do intestino e isso também influencia na forma como a mãe vai conviver com o seu filho”, conclui Andreia.



Fonte: Revista Crescer



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