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Ansiedade: como se manifesta, quando buscar ajuda e dicas para o dia a dia

Compartilhe:     |  26 de abril de 2021

Descubra até que ponto ela é benéfica, sua relação com a depressão, como identificar as crises, tratamentos e como evitá-las

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. Por isso, é cada vez mais comum descobrir que alguém que você conheça sofra de ansiedade excessiva (ou você mesmo).

Ansiedade (Foto: Anthony Tran/ Unsplash)

Quando a ansiedade está fora de controle é hora de buscar ajuda profissional (Foto: Anthony Tran/ Unsplash)

Os tempos atuais, em que vivemos praticamente todos os dias em um turbilhão de emoções, não ajudam muito, mas, saiba, que é possível prevenir crises e ter qualidade de vida. Para saber tudo sobre o assunto, falamos com duas experts em ansiedade: a psiquiatra Elka Oliveira, do Art Beauty Center, e a terapeuta corporal Daniela Cruz, do Kurma Spa. Veja abaixo!

O que é ansiedade?

“A ansiedade é uma resposta temporária, natural e completamente normal do corpo a situações que causam muito estresse“, explica Daniela. Por isso, é um sentimento que está sempre presente nos processos de mudança e novas experiências na vida do ser humano. “Inclusive, sendo útil na preservação da espécie, pois sinaliza sobre como agir diante de uma nova situação ou de um perigo iminente”, diz a terapeuta corporal.

Existe um nível de ansiedade bom para a saúde?

A ansiedade nos prepara para enfrentar diversas situações na vida. “Ela usa recursos internos para que a pessoa tenha um bom desempenho diante delas. Então, podemos definir que a baixa ansiedade não prepara a pessoa suficientemente para que tenha bons resultados quando necessário. Em excesso, prejudica essa performance. Então, é um grau equilibrado de ansiedade é bom para a saúde, pois deixa a pessoa preparada para enfrentar as situações, mas sem correr riscos”, explica Elka.

Daniela alerta, ainda, que a ansiedade possibilita ao indivíduo um estado de maior atenção para poder mapear critérios adequados na hora da defesa. “Um nível considerado bom para a saúde é quando a ansiedade impulsiona a pessoa e não quando a paralisa”, afirma.

Quais são os sintomas de uma crise de ansiedade?

Geralmente, a ansiedade quando está fora de controle, vem acompanhada de sintomas psicológicos e físicos. São estes:

Sintomas psicológicos: medo, preocupação demasiada (especialmente com o futuro), apreensão, angústia, dificuldade de se concentrar e não conseguir relaxar. “A pessoa tem a sensação de estar no limite”, explica Elka. A psiquiatra explica que podem ser considerados sintomas de ansiedade, “aqueles pensamentos em que tudo de ruim pode acontecer, inclusive com doenças, ou que algo ruim irá acontecer a qualquer momento”.

Sintomas físicos: os principais interferem na respiração, como a falta de ar ou a hiperventilação. Dor no peito e taquicardia (coração acelerado) também. “Algumas pessoas suam em excesso, apresentam formigamento, tremores e tensão muscular. Podem ter, ainda, ondas de calor ou calafrios. Dor no estômago também se faz presente. Podemos enumerar a sensação de desmaio e a tontura também”, detalha a médica.

Como saber se a ansiedade está prejudicando minha vida?

“É preciso se atentar à intensidade e com que regularidade os episódios estão acontecendo. Além disso, o que pode estar sendo gatilho para esses momentos e de que forma isso vem interferindo no dia a dia ou rotina da pessoa”, diz Daniela. Vale ressaltar que a ansiedade negativa é aquela que paralisa, trazendo prejuízos e não levando a uma preparação para lidar com situações novas ou ameaçadoras.

Além disso, Elka alerta que se a ansiedade está muito intensa a ponto de trazer sofrimento ou impedir a realização de tarefas, ela está num nível patológico e deve ser tratada.

Ansiedade (Foto: Steven Klein)
Crises de ansiedade podem desencadear sintomas físicos e psicológicos (Foto: Steven Klein)

O que pode causar crise de ansiedade?

crise de ansiedade é quando os sintomas se manifestam de forma muito intensa, como um conjunto: taquicardia, aperto no peito, respiração irregular e tremor no corpo. E as causas variam de cada um. “Podem ser gatilhos situações traumáticas ou estressantes. Nesse momento, a pandemia, o distanciamento, o confinamento e o medo de contaminação podem ser gatilhos”, explica Elka.

Daniela explica que as crises também podem aparecer por desequilíbrios químicos do cérebro, além de questões familiares, de relacionamentos, dificuldades financeiras ou no trabalho e também por uma mistura de fatores. “Além disso, é possível que uma pessoa com a condição manifeste crises por causa de gatilhos específicos, como consumo de cafeína, álcool, cigarro ou drogas. Além dos fatores já mencionados, insônia, estresse, sedentarismo e falta de lazer estão entre os itens que podem deflagrar as manifestações do transtorno”, conta.

Quais são os tipos de crises de ansiedade?

Existem alguns subtipos de transtorno de ansiedade. Os mais frequentes são:

– Transtorno do Pânico
– Fobia Social (quando a pessoa se sente intimidada, tem medo de ser julgada pelo próximo)
– Fobias específicas (medo de coisas e ou situações específicas como de animais, dentistas, sangue, altura, voo, entre outros)
– Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
– Transtorno de Estresse Pós-Traumático
– Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Crise de ansiedade e de pânico são a mesma coisa?

“Não, são bem diferentes. Na crise de ansiedade as causas podem ser reconhecidas e você pode ter uma previsão de quando vai começar, pois a pessoa vai passar por aquela situação que pode ser estressante. Mas no pânico, não. Ela pode estar numa situação que julga confortável e o ataque de pânico acontecer inesperadamente”, explica Elka.

Daniela afirma também que a síndrome do pânico pode ser considerada um tipo de transtorno de ansiedade. “Tem relação com episódios inesperados de medo, gerados por algum tipo de gatilho. A pessoa não se sente segura, o que a leva ao desespero, sem necessariamente haver um risco real”, diz. Os sinais podem ser físicos e psicológicos e prejudicam a continuidade das atividades normais de quem sofre com essa situação. Além da preocupação extra com a possibilidade de uma crise a qualquer momento.

Qual a relação da ansiedade com a depressão?

“A depressão e a ansiedade estão associadas com o equilíbrio e a modulação dos sistemas de serotonina e noradrenalina. A literatura sugere que a noradrenalina inicia uma série de eventos em cascata, que se manifestam como estados de ansiedade no início e evoluem, progressivamente, para estados depressivos”, explica a pisquiatra.

Segundo Elka, o ansioso de hoje, não tratado ou tratado de forma incorreta, será o deprimido de amanhã. “Vale ressaltar que na psiquiatria, a comorbidade é mais regra que exceção e que depressão e ansiedade frequentemente aparecem associadas. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo”, revela.

Já Daniela explica que, de uma maneira geral, a ansiedade está mais relacionada ao sentimento de medo e preocupação excessiva, enquanto a depressão está ligada ao sentimento de tristeza profunda, falta de prazer pela vida. “Essa tristeza acarreta diversas outras questões, como menos ânimo para atividades cotidianas e sensação de incapacidade. Pensamentos negativos constantes, que podem gerar culpa e baixa autoestima”, explica.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico dependerá do tipo de ansiedade, segundo Elka. A psiquiatra explica que tratam-se de diagnósticos clínicos, ou seja, feitos através de uma conversa detalhada com o médico, que se baseiam em critérios pré-estabelecidos para realizar os diagnósticos. “Até o momento, não existe nenhum exame, de sangue ou de imagem, que diagnostique a ansiedade”, afirma.

“Em alguns casos, também pode haver a necessidade de uma possível análise física através de exames, isso para descartar que qualquer outro tipo de problema esteja interferindo no diagnóstico”, completa Daniela.

Tratamento

Os tratamentos para transtornos de ansiedade podem ser farmacológicos ou psicoterápicos. “Os profissionais que podem ajudar muito são: o psicólogo e o médico psiquiatra. De um modo geral, o psicólogo fará a psicoterapia e o psiquiatra prescreverá as medicações. Esses profissionais de saúde mental farão uma avaliação diagnóstica precisa, para assim definir o melhor tratamento”, afirma Daniela.

“Com relação à abordagem farmacológica, temos, como principais estratégias, os antidepressivos e os benzodiazepínicos. Os benzodiazepínicos devem ser utilizados, quando necessário, apenas na fase inicial do tratamento. Já os antidepressivos devem ser utilizados a longo prazo”, explica Elka. Além de medicação e terapia, atividades físicameditação e outras terapias alternativas podem ajudar a amenizar os sintomas.

Ansiedade no dia a dia

É possível controlar os níveis de ansiedade no dia a dia, mas Elka sugere que, para isso, as pessoas “desliguem o automático e tentem vier o momento presente de forma plena”.  Realizar uma atividade por vez e tentem se conectar ao máximo a cada situação em que está vivenciando pode ser uma boa. “Refiro-me à coisas simples como escovar os dentes e observar o caminho por onde passa diariamente até a execução de tarefas mais complexas como as profissionais ou acadêmicas”, diz a psiquiatra.

respiração diafragmática, meditação, atividade física, contato com ambientes verde-azul, alimentação, momentos de descanso e o planejamento também são importantes no controle da ansiedade, segundo a médica. “Para quem não conhece, a respiração diafragmática é aquela em que inspiramos profundamente, tentando distender o abdômen, seguramos por alguns segundos e depois expiramos lentamente, relaxando o abdômen”, ensina.

Daniela dá ainda mais dicas para manter a saúde mental em dia e evitar crises de ansiedade:

– Busque uma alimentação variada e colorida, evite alimentos processados ou com aditivos químicos. Evite o consumo de cafeína, bebidas alcoólicas e cigarro.

– Movimente-se, faça atividades físicas e procure meditar.

– Respire profundamente e com consciência.

– Tenha um sono restaurador em tempo e qualidade.

– Faça automassagem e escalda pés.

– Passe mais tempo com pessoas que te incentivam a melhorar e proporcionam momentos de distração.

– Estabeleça ou busque separar um tempo para fazer atividades prazerosas.

– Invista no seu autoconhecimento: aprender a lidar com a ansiedade é uma forma importante para conseguir ter melhores resultados em todos os fatores da vida.

“Ao praticar o autocuidado, a produção de várias substâncias no nosso organismo são estimuladas, entre elas a ocitocina. Ela pode ajudar a reduzir o medo e a ansiedade, e também a neutralizar o cortisol, hormônio associado ao estresse”, finaliza.



Fonte: Vogue - NÁDIA SIMONELLI



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