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Antonia Frering reflete sobre a importância de viver o “aqui e agora”

Compartilhe:     |  28 de abril de 2021

“A próxima vez que você vir um pôr do sol, não pense em postar, só o aproveite. Não conte para ninguém, deixe-o para você. Onde você estiver, esteja presente no agora”, diz

Todos os dias, de uma forma ou de outra, a vida nos surpreende e nos dá um grande “olé” frustrando nossos sonhos e expectativas. Quando menos esperamos, e sem que possamos fazer qualquer coisa para mudar o curso da história, os problemas chegam sem pedir licença e nos deixam sem chão diante de determinadas situações. E, quando isso acontece, não há nada que possamos fazer a não ser seguir em frente e contornar a questão que se apresenta da melhor maneira possível. Afinal, qual a outra opção? Nenhuma, a não ser seguir em frente vivendo o aqui e agora.

Nesses momentos, sempre me lembro de uma história, da qual gosto muito embora desconheça a autoria do texto, que ouvi pela primeira vez de um diretor de cinema que conheci a bordo de um avião. Ela nos mostra o quanto precisamos receber o imponderável com sabedoria. Talvez, aquilo que num primeiro momento se apresente como um grande problema ou frustração ao nosso olhar, nada mais seja do que o prenúncio de algo muito positivo que está por vir depois de um dissabor. Por esse motivo reproduzo alguns trechos dessa história que considero importante para refletirmos juntas (os).

“Um dia um cavalo de um fazendeiro fugiu. Os vizinhos vieram visitá-lo e disseram: “Poxa, que coisa horrível”. E ele respondeu: “Não sei…”.

Alguns dias depois, o cavalo retorna com mais três cavalos selvagens. Os vizinhos novamente retornam à casa e dizem: “Que maravilha!”. E o fazendeiro responde: “Não sei…”

Dias depois, o filho do fazendeiro tenta domar um dos cavalos selvagens. Cai, quebra a perna e fica manco. Mais uma vez os vizinhos dizem: “Ohhh, que pena!”. E novamente o fazendeiro responde: “Não sei…”.

Dias depois o exército chega para convocar todos os meninos saudáveis para a guerra, e o filho do fazendeiro não é convocado por ter se tornado manco… e por aí segue a história.

Antonia Frering (Foto: Divulgação)
Antonia Frering (Foto: Divulgação)

E foi essa narrativa que algum tempo depois amenizou a frustração que senti ao ser preterida para um papel num filme do James Bond que seria feito pelo diretor que conheci no avião. Ao saber do filme, obviamente consegui convencê-lo a fazer um teste, mas quem conquistou o papel foi uma ruiva de olhos azuis completamente diferente de mim. Hoje, ao lembrar dessa história, penso que se tivesse feito o filme teria perdido outra grande oportunidade, muito melhor, que surgiu na minha vida logo em seguida.

É claro que na hora fiquei arrasada pelo fato de não fazer o filme. Tentava pensar na moral da história do “Não sei…”, e isso não me consolava. Mas a vida me mostrou que a gente tem que confiar no poder do agora, que dá nome a um livro, inclusive. Quando o li, senti uma diferença enorme, pois vivemos sempre querendo entender, organizar e programar o amanhã, quando o que importa mesmo é o agora. Fazer o melhor que nós podemos com o agora. Confiar no agora. Confiar em Deus, no universo, e em você mesmo. Que o agora é o melhor para você, que agora você está fazendo o que pode.

Seguindo essa linha de pensamento, acredito que o melhor a ser feito é adicionar uma boa dose de otimismo ao nosso cotidiano. Percebo, quando estou cabisbaixa e triste, que a energia muda quando consigo finalmente visualizar uma coisa boa. Conseguindo mentalizar o que quer, você vai começando a sentir aquilo dentro de você, tendo a certeza de que vai acontecer. O mais importante nesse momento é poder olhar para si mesma e ver essa força vindo de dentro de você, gerando uma compreensão maior do seu momento atual.

Desde a pandemia que se instalou entre nós, há um ano, aprendemos que, definitivamente, não temos o controle de nada. No atual cenário, o talvez é o melhor que temos agora. Talvez seja melhor mesmo ficar trabalhando de casa (será?). Talvez aprendamos a conviver mais com a família, e por aí vai. Esse talvez, hoje, me parece uma certeza, já que essa ninguém tem. Mas, de alguma forma, conseguimos empregar esse talvez ao nosso cotidiano, aceitando e entendendo (pelo menos, tentando). Talvez assim nossa vida fique mais leve e mais solta.

Dizem que a grande beleza do envelhecimento é a sabedoria. Às vezes, confesso, trocaria uma boa parte dessa sabedoria por um pouco mais de sono e energia, coisas que muitas vezes a menopausa tira de nós, mas que, com resiliência, vamos tentando driblar. Mas é inegável que essa sabedoria nos traz algo muito valioso, uma liberdade enorme. Que tal aproveitar essa liberdade vivendo o aqui e agora de maneira intensa a todo momento?

Uma coisa que nos tira essa liberdade, nos distanciando do agora, é estarmos sempre querendo postar, bolar uma super legenda…vivendo o virtual, esquecendo do real, desprezando o aqui e agora. Se você está comendo um brigadeiro maravilhoso e interrompe para fazer isso tudo, você perde o momento presente, a degustação, a alegria de estar vivendo aquela sensação, para fazer uma postagem. A próxima vez que você vir um pôr do sol, não pense em postar, só o aproveite. Não conte para ninguém, deixe-o para você. Onde você estiver, esteja presente no agora.

Penso que existe uma notícia boa e uma ruim naquela frase “tudo um dia acaba”. A notícia ruim é que tudo um dia acaba, e a notícia boa é que tudo, um dia, acaba.

Então, não se esqueça dessa máxima e viva o aqui e agora!



Fonte: Vogue - ANTONIA FRERING



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