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Anvisa inicia consulta pública sobre rotulagem de alimentos que provocam alergias

Compartilhe:     |  17 de junho de 2014

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) inicia nesta segunda (16) consulta pública para definir mudanças nos rótulos de alimentos que contenham ingredientes capazes de provocar alergia.

A proposta da nova norma está disponível no portal da Anvisa e as sugestões devem ser enviadas por meio do preenchimento de formulário específico. O prazo para o recebimento de comentários e sugestões será de 60 dias.

Entre as chamadas substâncias alergênicas que devem ser listadas nas embalagens dos produtos estão: cereais com glúten, crustáceos, ovo, peixe e amendoim; o leite, a soja, castanhas em geral, nozes e os sulfitos (presentes no vinho). Alimentos que contenham traços ou derivados desses ingredientes também deverão mostrar o aviso em seus rótulos. Após a decisão final da agência, as indústrias terão prazo de 12 meses para se adequar às novas regras.

Para a administradora de empresas Priscilla Tavares, uma das coordenadoras da campanha #poenorotulo, a consulta pública é um grande avanço porque mostra que o Poder Público inseriu o tema na agenda política. “A informação clara no rótulo vai melhorar muito a segurança alimentar. Essa nova regra também permitirá que as famílias tenham onde reclamar caso [a norma] não seja adequadamente cumprida”, disse.

A campanha #poenorotulo foi criada em fevereiro deste ano por cerca de 700 mães de filhos com algum tipo de alergia alimentar que já participavam de grupos no Facebook dedicados a conversas sobre a doença. Elas trocavam desabafos, receitas, dados conseguidos no SAC de empresas, tipos de alérgenos e de reações possíveis.

O objetivo do movimento foi justamente pressionar as autoridades para a importância de informações claras nas embalagens. Dependendo do grau de sensibilidade, o alérgico pode ter choque anafilático, fechamento da glote, além de outras reações graves que podem levar à morte.

Em pouco tempo, as mães conseguiram a adesão de celebridades, como Mariana Belém, Reynaldo Gianecchini, Mateus Solano, entre outros, e a página do Facebook já conta com mais de 61 mil seguidores.

No Brasil, 8% das crianças têm alergia alimentar, segundo estimativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia. A Anvisa reconhece que a atual rotulagem de produtos, muitas vezes, não traz a informação clara de quais substâncias alergênicas estão contidas no alimento. Palavras como caseína e albumina, embora corretas do ponto de vista técnico, não informam claramente ao consumidor que esses ingredientes são derivados do leite e do ovo, respectivamente.

Nos Estados Unidos, as indústrias são obrigadas a prestar esse tipo de informação desde 2006, na União Europeia, Austrália e Nova Zelândia, desde 2003, e no Canadá, desde 2011.



Fonte: Revista Crescer



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