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Apesar dos incêndios, araras-azuis permanecem no maior refúgio da espécie do Brasil

Compartilhe:     |  7 de novembro de 2020

A Fazenda São Francisco do Perigara, no município de Barão do Melgaço, no Mato Grosso é o maior refúgio natural de araras-azuis do país. No local é observada a maior concentração dessa ave, a lindíssima Anodorhynchus hyacinthinus. Com plumagem de um azul intenso e uma auréola amarela na volta dos olhos, ela tem 1 metro de comprimento, da ponta do bico até a ponta da cauda, sendo assim, a maior espécie no mundo da família Psittacidae.

No começo de agosto, quando os incêndios começaram a devastar o Pantanal, o fogo atingiu a fazenda, como relatamos na época, nesta outra reportagem. Além da fumaça e das chamas, as aves também sofreram com a falta de alimentos e de água.

Pouco mais de dois meses depois, felizmente, boas notícias chegam da região. Já no final de setembro, uma equipe do Instituto Arara Azul, acompanhada por Pedro Scherer Neto, um dos maiores especialistas em aves do Brasil, constatou que as araras-azuis continuavam na Fazenda São Francisco do Perigara.

“Vimos grandes quantidades de araras-azuis na fazenda. Os números que contabilizamos são parecidos com os registrados no censo feito em agosto de 2019”, afirmou Scherer Neto, em uma live há cerca de um mês.

De acordo com a bióloga Neiva Guedes, fundadora do Instituto Arara Azul, apesar de as chamas terem atingido a propriedade, várias áreas não foram destruídas. Apesar de as aves não estarem mais sendo vistas no “dormitório” – onde costumavam se reunir para dormir no final do dia -, puderam ser observadas em outros lugares.

Há poucos dias, o instituto divulgou uma nova atualização sobre as atuais condições no refúgio das araras-azuis.

“Na fazenda, as chuvas significativas só começaram a ocorrer no dia 22 de outubro de 2020. Em dois dias choveu 120 mm. E aí, não só as araras, periquitos e papagaios, mas toda a fauna ficou em festa! Era cavalo correndo pelos campos, aves voando e vocalizando o tempo todo. A bicharada toda se movimentando, andando para lá e para cá, depois de quatro meses sem chuva. Quem conhece e curte o campo sabe o que estamos falando. É uma alegria só!”, a organização escreveu em suas redes sociais.

“A notícia mais importante e creio que todos estão ansiosos por saber, é que as araras-azuis continuam na propriedade. Alguns grupos estavam em alguns locais do campo, mas a grande maioria, em grande concentração estava numa baía, que não secou e que dispunha de vários frutos no chão, trazidos pelo gado. Além disso, cachos de acuri foram disponibilizados perto da sede e numa pequena torre, onde elas comem diariamente”.

O instituto disse ainda que os acuris estão rebrotando. A castanha desta palmeira e também, da bocaiúva, são o principal alimento das araras.

Aliás, esse é um dos temores dos especialistas. “A gente não sabe se os alimentos serão suficientes nos próximos meses porque muitas palmeiras foram queimadas”, afirma Neiva.

Todavia, após toda a tragédia que se abateu sobre o Pantanal, pelo menos há motivos para um respiro mais aliviado, pelo menos na questão da sobrevivência das araras-azuis. O impacto de longo prazo será analisado daqui por diante.

Na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de milhares de espécies de animais e plantas no planeta, a Anodorhynchus hyacinthinus aparece como “vulnerável” à extinção.

Fotos: reprodução Facebook Instituto Arara-Azul e Neiva Guedes

Suzana Camargo
Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.



Fonte: Envolverde - Conexão Planeta – Suzana Camargo



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