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Após sentir queimação nas pernas, mulher descobre doença medieval

Compartilhe:     |  26 de julho de 2020

Os médicos da Faculdade de Medicina do Governo de Thiruvananthapuram, na Índia, se surpreenderam quando uma mulher de 24 anos apareceu por lá com ergotismo, uma condição comum durante a Idade Média. O caso foi compartilhado pela equipe na quinta-feira (23), no The New England Journal of Medicine.

A jovem contou aos médicos que começou a sentir uma queimação nas pernas que se estendia dos dedos dos pés até o meio das coxas. Além disso, os médicos notaram que seus pés estavam descoloridos e ela tinha dificuldade para andar. “A angiotomografia computadorizada (TC) revelou o estreitamento (…) das artérias nas duas pernas”, explicam os médicos no artigo. Após outros exames, a paciente foi diagnostica com ergotismo.

A condição, também conhecida como “Fogo de Santo Antônio”, é resultado do consumo de produtos contaminados pelo fungo esporão-do-centeio (Claviceps purpurea). O uso indevido de medicamentos a base de ergolina também podem causar o problema. Os sintomas são fluxo sanguíneo restrito, descamação da pele, convulsões dolorosas e até psicose.

Embora alguns casos raros de ergotismo ocorram ao redor do mundo, a condição era muito mais comum durante a Idade Média — há evidências de sua existência na Europa desde o ano 857. Inclusive, há especulações de que o “Fogo de Santo Antônio” tenha sido o responsável pela “praga da dança”, como ficou conhecida uma série de surtos que atingiram a Europa entre os séculos 14 e 17, em que várias pessoas começaram a dançar nas ruas até desmaiar de exaustão.

Neste caso mais recente, a jovem estava tomando um medicamento para enxaqueca com ergolina quatro dias antes do incidente — mas a droga por si só não causou o envenenamento. A paciente também utilizava ritonavir para combater o HIV, medicamento que inibe a CYP3A4, enzima importante na inativação de toxinas. Segundo os médicos, isso acabou contribuindo para que os níveis de ergotamina em seu corpo aumentassem e provocassem um efeito vasoconstritor.

Infelizmente, até procurar ajuda médica, um dos dedões da paciente gangrenou e teve de ser amputado. Ainda assim, duas semanas após o início do tratamento, o fluxo sanguíneo em ambas as pernas retornou e ela pôde se recuperar.



Fonte: Revista Galileu



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