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Aproveitamento do lixo reciclável chega a 62% no Distrito Federal

Compartilhe:     |  31 de janeiro de 2021

Separar corretamente o lixo produzido em casa é uma questão não apenas de comprometimento com o meio ambiente, mas também de cidadania. O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) coletou, entre janeiro e setembro do ano passado, 582,1 mil toneladas de resíduos domiciliares e comerciais, de acordo com o último relatório disponível. O valor representa 2,6 mil toneladas de materiais coletados por dia, em média. As cooperativas, por sua vez, comercializaram, entre doações recebidas e coletas próprias, 13,1 mil toneladas de materiais reciclados. Nesses locais, o aproveitamento do material reciclável coletado chega a 62%.

E no quesito separação, a população do Distrito Federal merece elogios. Maria Eneide Pereira Costa, presidente da cooperativa Recicle a Vida, em Ceilândia, afirma que 90% dos moradores da capital federal fazem a separação.“Facilita demais e ficamos muito agradecidos. É claro que ainda precisamos separar uma coisa ou outra, mas alivia muito”, afirma. Ela explica que a cooperativa recebe do SLU 1,9 mil quilos de material por dia. “Fazemos a triagem e os catadores ganham por produção. Tudo que chega é reciclado”, diz, acrescentando que a quantidade é pouca, perto do que eles poderiam produzir. “Nossa área de coleta é pequena, fazemos o serviço em apenas duas quadras de Samambaia, que é o que foi liberado pelo GDF. Somos 60 catadores, precisamos de mais rotas”, argumenta.

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(foto: -)

 

Com os resíduos que a cooperativa coleta por conta própria e aqueles que chegam por meio de doações, a quantidade total diária de material é de 5 mil quilos. Ela explica que, com a chegada dos resíduos, a separação é feita e os materiais vão para a moagem. “Os reciclados são entregues diretamente para fábricas em São Paulo e no Rio Grande do Sul, não temos atravessadores. Mandamos diretamente para a indústria”, destaca.

Iniciativa sustentável

Para que o serviço seja realizado da forma correta, o SLU orienta que os resíduos sejam separados em dois sacos, um para materiais recicláveis e outro para orgânicos e rejeitos. O primeiro, de preferência da cor verde ou azul, é para os recicláveis, como papel, papelão, plástico, isopor e metal. No segundo, preferencialmente preto ou cinza, devem ser colocados restos de comida, borra de café, fralda descartável, papéis gordurosos, lixos de banheiros, entre outros. A reciclagem de vidro no DF também está suspensa, por isso, o descarte desse material deve ser feito também com o lixo orgânico ou separadamente, em pontos de coleta específicos na cidade. O órgão ressalta que o mais importante nesse processo é entregar cada material no dia certo.

É o que ocorre na 113 Sul. Ex-prefeita da quadra, a administradora de empresas Rachel Andrade, 48 anos, implementou a coleta seletiva no local. Ela e a funcionária pública Rosimere Lacerda, 47, ex-vice-presidente, assumiram a prefeitura em 2018. A ideia surgiu após participarem de um encontro do projeto Lixo Zero, que tem o intuito de conscientizar sobre a separação correta e reaproveitamento dos resíduos, diminuindo a geração e o envio desses materiais para o aterro sanitário. “Conhecemos o conceito do projeto e entendemos que não é lixo zero literalmente, é ir para o aterro sanitário apenas o que não pode ser aproveitado. Gostamos da iniciativa e fomos atrás de uma cooperativa que fizesse esse trabalho de vir buscar os resíduos em nossa quadra residencial”, conta Rachel.

“Ninguém sabia como funcionava, fomos aprendendo aos poucos o que podia ser ou não reciclado. Na primeira coleta, nos deparamos com 60% de rejeitos. Realizamos uma palestra para moradores e estudantes da escola que temos aqui na quadra, em que mostramos a importância da coleta. Foi algo educacional. Aos poucos, tudo foi evoluindo”, completa.

O intuito, agora, é retomar o serviço na quadra, interrompido temporariamente devido à pandemia. Síndico profissional, o novo prefeito da 113 Sul, Bruno Apolônio, 40, explica que a retomada do serviço está ocorrendo de forma gradual. Segundo ele, alguns moradores já voltaram a separar os resíduos, mas outros ainda apresentam resistência. “É um processo de formiguinha, precisa de comunicação, bastante informação. Precisamos reforçar essa conscientização. Mas contamos muito com o apoio dos funcionários dos blocos, que sempre que veem algo errado, nos avisam.” As informações são passadas por meio de cartilhas, mensagens em grupos de WhatsApp e conversas.

Na quadra, a separação é feita de três formas: materiais recicláveis, orgânicos e rejeitos. Os primeiros são entregues às cooperativas; os naturais são usados nos jardins da quadra; e o lixo é levado para o aterro sanitário. “Somos a única quadra que separa os resíduos em três grupos. Ainda tem os vidros, que separamos à parte também. A vantagem que vemos nesse processo é visualizar que tudo o que produzimos tem um retorno. O reciclado é doado para uma cooperativa e vira renda para os catadores. Vemos a economia circular”, celebra Bruno.

Andrea Garcia, 56 anos, uma das moradoras da quadra, elaborou uma cartilha para orientar os vizinhos quando a quadra começou a fazer a coleta seletiva. “Achei que as pessoas precisavam entender como separar o lixo e o que é o quê, porque eu mesma, antes, não entendia”, afirma a empresária. “Criar o hábito e a cultura é fundamental. Se não fizer a separação de maneira correta gera problemas e compromete quem vai receber o material. Quando você separa na origem, faz toda a diferença”, acrescenta.

Covid-19

Por conta da pandemia da covid-19, a coleta seletiva ficou suspensa por cerca de três meses no Distrito Federal. O trabalho de separação e recolhimento dos resíduos sólidos na capital foi interrompido, de acordo com o SLU, em 20 de março. A autorização para a retomada veio em 30 de maio, acompanhada de uma série de mudanças. As cooperativas precisaram se adequar às exigências e aprovar um plano de prevenção de riscos. Por isso, o retorno oficial ocorreu, de forma gradual, a partir de junho de 2020.

O SLU afirma que a regularização da prestação do serviço ocorreu apenas nos novos contratos de limpeza que entraram em vigor em outubro de 2019, apesar de, ao longo do tempo, o DF ter tido algumas experiências com a coleta seletiva. A contratação de cooperativas para realizar o trabalho começou em 2017, em algumas regiões. Hoje, segundo o serviço, 27 regiões administrativas da capital são contempladas. Estão de fora Arniqueira, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Jardim Botânico, Fercal, Planaltina e Sol Nascente. O intuito é estender o serviço a todas as 33 RAs, mas ainda não há uma data para atingir meta.

Composto orgânico é doado

O Serviço de Limpeza Urbana anunciou, esta semana, que doou mais de 21 mil toneladas de composto orgânico de lixo (COL) em 2020, o que representa crescimento superior a 25% em relação a 2019, quando foram doadas cerca de 15 mil toneladas. As doações foram feitas para pequenos produtores rurais do DF e dos municípios que compõem a Ride, que têm direito a uma cota de 90 toneladas por ano, de acordo com recomendação técnica da Emater-DF. Segundo o SLU, o composto é um dos melhores materiais advindos de resíduos sólidos da América Latina, e pode ser obtido pela compostagem dos orgânicos domiciliares da coleta convencional, além de utilizado em culturas e em jardins. O material é produzido nas Usinas de Tratamento Mecânico Biológico do SLU instaladas no Setor P Sul, em Ceilândia, e na Avenida L4 Sul, na Asa Sul.



Fonte: Correio Braziliense - Caroline Cintra - Ana Isabel Mansur



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