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Aquecimento global faz com que maioria das tartarugas-marinhas seja fêmea

Compartilhe:     |  23 de dezembro de 2018

Tartarugas-marinhas enterram os ovos na areia da praia – de forma muito caprichada, é preciso admitir, tentando disfarçar que existe comida para predadores ali. Esse processo, no entanto, está sendo afetado pelo aquecimento global: estima-se que, nas ilhas do Pacífico, 99% das tartarugas-marinhas sejam fêmeas.

É o calor do Sol sobre a areia que aquece o embrião até que ele vire uma tartaruguinha, quebre a casca, cave até a superfície, descubra para que lado está o mar, percorra o caminho escaldante até a água, para sair em busca de comida e, quando crescer um pouco, fazer seus próprios filhotes.

Mas algo interessante acontece ainda dentro do ovo. Quem decide se aquele embrião ali vai se tornar um aventureiro ou uma aventureira é a temperatura: quanto mais quente, mais tartarugas fêmeas; mais frio, mais machos.

Pesquisas indicam que, se a temperatura ambiente estiver abaixo dos 27,7ºC, será maioria macho. Acima de 31ºC, maioria fêmea. Quando fica em um meio termo, o número é mais equilibrado.

A tartaruga não é o único animal que tem o sexo determinado pela temperatura. Isso também acontece em crocodilos, jacarés, e alguns tipos de lagartos.

Esse método estranho que a natureza encontrou vem dando certo: em tartarugas-verdes, uma das sete espécies de tartarugas marinhas, são 52 fêmeas para 48 machos, em média. O desequilíbrio vem quando o ser humano se intromete.

Aquecimento global

Conforme a temperatura do planeta aquece, mais e mais fêmeas nascem. Uma pesquisa a Universidade de Exeter e do Centro de Ciências Marinhas e Ambientais (Portugal) estima que, se a temperatura global continuar a aumentar, entre 76% e 93% desses animais serão fêmeas. E isso pode levar ao fim de todas as tartarugas-marinhas.

O estudo foi feito com base nas populações de tartarugas-verdes do Guiné-Bissau, na África Ocidental, mas serve de base para o mundo todo. Acha que isso é mais uma das suposições dos “alarmistas climáticos”? Isso já está acontecendo no norte da Austrália.

Tartarugas-marinhas fêmeas do maior e mais importante berçário de tartarugas do Oceano Pacífico, as ilhas ao norte da Austrália, superam o número de machos em 116 para 1. É mais de 99% fêmea, afirma a revista National Geographic.

Apesar de ser comum uma predominância feminina entre as tartarugas-marinhas, e um mesmo macho se acasalar com várias fêmeas, significa menos tartaruguinhas aventureiras e, muito, muito menos que conseguem chegar à vida adulta.

Elas povoam os oceanos há cerca de 100 milhões de anos, e campanhas de conservação tem ajudado a recuperação da população de tartarugas-marinhas em muito lugares. E no tempo todo que existem, a temperatura oscilou muito – mas nunca tão rápido, uma tendência que, ao que as evidências indicam, vai continuar em direção ao aquecimento do planeta.

De acordo com o estudo da Universidade de Exeter, medidas como proporcionar “temperaturas mais baixas no final da época de nidificação, como com áreas sombreadas, garantirão que alguns filhotes sejam machos”.

“Embora o aumento das temperaturas leve a mais filhotes fêmeas – e 32-64% a mais de fêmeas em nidificação até 2120 – a mortalidade em ovos também será maior nessas condições mais quentes. À medida que as temperaturas continuam a subir, pode tornar-se impossível que as tartarugas sobrevivam.”



Fonte: Anda - Revista Galileu



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