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Aquecimento global pode ser prenúncio de ciclones mais intensos

Compartilhe:     |  17 de março de 2015

O ciclone Pam, que devastou o arquipélago de Vanuatu, não pode ser diretamente atribuído às mudanças climáticas climáticas, mas o aquecimento global cria condições que favorecem a intensidade dos furacões: uma temperatura mais alta dos oceanos e mais umidade na atmosfera.

O ciclone Pam está ligado às mudanças climáticas?

Não é possível associar um determinado evento às mudanças climáticas, insistem os cientistas que distinguem a Meteorologia – ou seja, fenômenos na escala de alguns dias ou semanas – e Clima, que é “uma evolução das condições médias em décadas”. Um é um fenômeno instantâneo, o outro, uma tendência geral. “Trata-se de um evento raro que ocorreria de qualquer forma, ou de um evento cuja intensidade foi multiplicada pelo aquecimento?”, questiona a climatologista Valérie Masson-Delmotte. “Por enquanto, ainda não conseguimos responder”, afirma ela, que pondera: “mas os ciclones de uma intensidade maior são uma das consequências esperadas das mudanças climáticas”.

Os ciclones já estão sendo mais intensos? Mais numerosos?

Não há tendência geral que aponte para a frequência de ciclones em nível mundial, mas os ciclones muito fortes parecem estar ocorrendo com maior frequência, mesmo que continuem sendo raros. É o que explica o especialista em ciclones Frank Roux, da Universidade Paul Sabatier, em Toulouse, na França. É preciso ter cautela, em razão da falta de números sobre esses fenômenos, segundo o pesquisador, que lembra que Vanuatu já havia sido atingido por um ciclone fortíssimo em 1985. Uma relação mais precisa poderá ser feita “se durante alguns anos, tivermos fenômenos muito intensos que se repetem de forma sistemática”, alegou.

Há diferenças de acordo com os oceanos?

No Atlântico, há cerca de 20 anos, as condições são favoráveis ao desenvolvimento de ciclones. Entre 1970 e 1995, porém, era o contrário, com a atividade sendo estranhamente fraca, e achamos que, a partir de 2015, ela deverá perder força novamente nesta região, afirma Frank Roux. “Nós nos demos conta de que uma perturbação natural no Atlântico estava na origem dessas variações, e que isso não tinha relação com as mudanças climáticas”, disse. No noroeste do Pacífico, contudo, houve uma ligeira diminuição da atividade ciclônica entre 1980 e 2010.

Por que o aquecimento global seria propício aos ciclones de intensidade forte, como antecipam alguns especialistas?

Diversos fatores contribuem para a intensificação dos ciclones: a temperatura da superfície do mar, o vento e a taxa de umidade na atmosfera. Quanto mais a temperatura da água e as taxas de umidade aumentam, mais o ciclone pode ganhar intensidade. Mas “esses dois elementos ficam mais intensos com o aumento do efeito estufa”, ressalta Valérie Masson-Delmotte. “Consideramos que há 7% de umidade a mais na atmosfera para cada grau de aquecimento”, explica. “Em situações meteorológicas excepcionais, isto pode favorecer a intensificação dos furacões”, conclui a especialista em clima.

Existem outros fatores que contribuem para a formação de um ciclone de intensidade forte?

Se o aquecimento pode favorecer ciclones mais intensos, “deve-se também levar em conta as flutuações anuais da temperatura do oceano com fenômenos como El Niño, ou La Niña, e perturbações em escala de um mês, ou de alguns dias, que criam condições favoráveis ou desfavoráveis”, explica Frank Roux. “É a conjunção desses fenômenos que cria condições favoráveis para um ciclone, mas não podemos extrair uma dessas causas e dizer: ‘é essa aqui que é a responsável'”.



Fonte: Uol



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