Denúncia

Aquecimento global põe espécies marinhas em risco de extinção

Compartilhe:     |  16 de dezembro de 2018

Cientistas apontam que o aquecimento global será a causa da “sexta grande extinção” das espécies, o maior evento de extinção em massa desde o período Permiano.

Devido ao aquecimento global, a quantidade de áreas sem oxigênio nos oceanos quadruplicou desde 1950, e as áreas com baixa porcentagem de oxigênio aumentaram em dez vezes. Os animais marinhos dos pólos são os mais significativamente afetados.

Peixes de várias espécies nadam em diferentes direções. No canto inferior esquerdo, corais.

Foto: UNDP in Somalia

Um evento de extinção em massa consiste basicamente em um período onde ao menos 75% das espécies do planeta morrem em um curto intervalo geológico de tempo. Cientistas alertam que o atual aquecimento global terá severas consequências para a vida no planeta.

Durante 540 milhões de anos, a Terra passou por cinco extinções em massa, e a mais fatal de todas aconteceu há 252 milhões de anos, ao fim do período Permiano. Mais de 90% das espécies marinhas e 70% das terrestres foram extintas. Levou cerca de 10 milhões de anos para o planeta se recuperar dessa catástrofe.

Os cientistas têm teorizado causas para essa extinção, mas pesquisadores americanos dizem que o que causou o fim da vida marinha foi um aumento na temperatura da Terra, que chegou a cerca de 10°C. Os oceanos perderam cerca de 80% de seu oxigênio, enquanto partes do fundo do mar o perderam por completo.

De acordo com o estudo, isso sugere que os animais marinhos não tinham o oxigênio necessário para a sobrevivência em seu habitat. “Pela primeira vez, temos plena certeza de que foi isso o que aconteceu,” disse o oceanógrafo Curtis Deutsch. “A causa está no aquecimento global e no esgotamento de oxigênio”.

Uma nova pesquisa publicada na revista Science mostrou que os animais marinhos mais próximos dos pólos são particularmente mais afetados pelo aquecimento dos oceanos. Estes resultados destacam o risco de uma futura extinção causada pela perda da capacidade aeróbica do oceano, o que já está acontecendo.

Jonathan Payne, da Universidade de Stanford, declarou que “quando a química do oceano muda rapidamente, é provável que as espécies não sobrevivam. Demorou milhões de anos para o planeta se recuperar do evento Permiano, o que é essencialmente um dano permanente do ponto de vista humano.”

Durante o século passado, o planeta aqueceu cerca de 1°C devido à liberação de gases de efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis. Esse aquecimento causa ondas de calor, enchentes e incêndios florestais em todo o mundo. Cientistas alertam que a temperatura pode aumentar 3°C ou mais até o final deste século.

“É assustador pensar que estamos em uma trajetória semelhante à do Permiano porque realmente não queremos seguir por esse rumo”, disse Payne. “Só o fato de chegar no meio do caminho seria motivo de preocupação. A magnitude da mudança que testemunhamos hoje é bem grande.”

“Estamos a cerca de um décimo do caminho para o Permiano. Quando chega a 3, 4°C de aquecimento, é uma fração significativa e a vida marinha estará em grandes problemas, para ser franco. Há grandes complicações para o domínio dos humanos sobre a Terra e seus ecossistemas,” Deutsch afirma.

Deutsch acrescentou que a única maneira de evitar uma extinção em massa na vida marinha era reduzir as emissões de carbono, posto que não há maneira viável de melhorar o impacto do aquecimento global nos oceanos usando outras medidas.

O grupo de pesquisa “fornece evidências convincentes de que temperaturas mais altas e níveis mais baixos de oxigênio no oceano são suficientes para explicar as extinções observadas que vemos no registro fóssil”, afirma Pamela Grothe, cientista paleoclimática da Universidade de Mary Washington.

“O passado é a chave para o futuro”, acrescentou ela. “Nossas taxas atuais de emissões de dióxido de carbono são a causa direta do aumento das temperaturas oceânicas e da redução do oxigênio em muitas regiões, afetando os ecossistemas marinhos.”

Se continuarmos nesta trajetória, com as atuais taxas de emissão, possivelmente veremos taxas semelhantes de extinção em espécies marinhas, como no final do Permiano, segundo o estudo.



Fonte: Anda - Yasmin Ribeiro



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