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Araras-azuis sobrevivem ao fogo, mas alimento queimou e extinção é risco

Compartilhe:     |  5 de outubro de 2020

A população de araras-azuis no Pantanal de Mato Grosso, mais especificamente na Fazenda São Francisco do Perigara, em Barão do Melgaço (MT), que é considerado santuário da espécie, praticamente não foi alterada com a queimada no local em agosto. Apesar da devastação, os animais conseguiram se livrar.

Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul, voltou esta semana da fazenda, e contou que apesar do estrago provocado pelo fogo, os animais, assim como outras espécies de aves e mamíferos, estão conseguindo sobreviver. A dúvida é até quando haverá alimentos para todos.

Grande parte das árvores de acuri, palmeira cujo fruto é o principal na alimentação das araras-azuis, foi queimada com o fogo que devastou 92% do território da fazenda. Com isso, proprietários e o instituto têm recolhido cachos do alimento em outros locais e disponibilizado em alguns espaços para acesso dos animais.

Segundo Neiva, apesar da população no local parecer intocada após o fogo – a propriedade responde por pelo menos 15% de toda população de 6,5 mil araras-azuis no mundo – o risco de extinção permanece, já que o fogo colocou em risco a alimentação dessas aves.

Ela afirma que outro ponto negativo do pós-fogo na fazenda é a ausência de três dos seis ninhos de araras-azuis que foram identificados no local em 2018. No trabalho de campo realizado na semana passada, apenas três foram encontrados.

Área de alimentação das araras na fazenda completamente queimadas. (Foto: Instituto Arara Azul)

“O cenário (risco de estar ameaçada de extinção) não mudou, apesar das araras continuarem na fazenda. O fogo teve um impacto muito grande na área de alimentação desses animais, é imenso. As araras estão espalhadas e isso certamente vai afetar na sua reprodução”, afirmou.

Dessa forma, somente o trabalho a partir de agora vai mostrar se as araras-azuis serão capazes de sobreviver a esse momento de escassez e não entrarem novamente em risco de extinção, ou se sucumbirão. Até porque, há outros animais que dependem dos mesmos frutos e áreas de alimentação das araras e não se sabe se o que sobrou será suficiente para todos.

Em Mato Grosso do Sul, o Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda, é o principal local de reprodução da ave.

A população de araras-azuis no mundo é de 6,5 mil indivíduos, sendo cerca de 5,3 mil no Brasil, principalmente no Pantanal. Os demais estão localizados na Bolívia. –



Fonte: Campo Grande News - Lucia Morel



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