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Áreas verdes diminuem a incidência de doenças cardíacas e podem salvar vidas.

Uma extensa pesquisa comparou a incidência de doenças cardíacas, a quantidade de espaços verdes e a qualidade do ar em cada cidade dos Estados Unidos e conclusão que os cientistas chegaram é de que espaços verdes podem salvar vidas.

O mal causado pela poluição dos veículos e das indústrias à nossa saúde, em especial aos pulmões e corações, não é novidade. Assim como há muito tempo se sabe que a vegetação ajuda a combater a poluição. O grande diferencial deste estudo foi justamente cruzar os dados destas duas linhas de pesquisa.

Com os dados coletados por satélites da NASA, foi possível calcular as áreas verdes de muitas regiões dos Estados Unidos e comparar sua extensão com as taxas de mortalidade nacionais do Atlas of Heart Disease.

Outros fatores considerados na análise foram as medições de qualidade do ar da Agência de Proteção Ambiental em cada cidade e informações sobre idade, raça, educação e renda por município. Foto: Pixabay

Usando um sistema internacionalmente reconhecido para medir a quantidade de vegetação verde que tem como extremos a área árida de rocha (0,00 na escala) a densa floresta tropical (0,80), os pesquisadores puderam estabelecer uma relação mensurável entre as áreas verdes e taxas de mortalidade.

Urbanismo saudável

Para cada aumento de 0,10 (12,5%) no que é chamado de Índice de Vegetação por Diferença Normalizada , as doenças cardíacas diminuem em 13 mortes por 100 mi habitantes. Para cada aumento de um micrograma no material particulado por metro cúbico de ar, as doenças cardíacas aumentavam em cerca de 39 mortes por 100 mil habitantes.

“Pudemos comprovar que áreas com melhor qualidade do ar têm mais áreas verdes, e que ter maiores áreas verdes, por sua vez, está relacionado a uma menor taxa de mortes por doenças cardíacas”, disse William Aitken, um bolsista de cardiologia da University of Miami Miller Escola de Medicina da Flórida.

O combate à poluição e aos altos índices de doenças cardíacas associados à ela precisam incluir o aumento de áreas verdes nas cidades. Foto: Gayatri Malhotra | Unsplash

“Comprovados os benefícios cardiovasculares potenciais gerados com mais áreas verdes, é importante que o diálogo sobre a melhoria da saúde e qualidade de vida inclua políticas ambientais que apoiem ​​o da cobertura vegetal nas cidades”, disse ele.

Mudanças climáticas

A pesquisa também é significativa no combate às mudanças climáticas. Os países asiáticos, especialmente a Índia e a China, têm sérios problemas com morte precoce e doenças como resultado da poluição do ar. Eles concentraram seus esforços para reduzir a poluição do ar, reduzindo o tráfego e suprimindo a queima de carvão.

Fica claro com essa pesquisa que, além destes esforços para diminuir a emissão de poluentes, o aumento da extensão de áreas verdes em suas cidades vai ajudar estes países a reduzir as mortes precoces. Aumentar a cobertura vegetal e incentivar a construção e manutenção de parques são ferramentas importantes.

Resultados práticos

Os pesquisadores esperam os resultados da pesquisa sirvam como ferramenta para intervenções ambientais com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e a saúde da população, como o plantio de árvores e a ampliação de áreas verdes.

Área verde em Chicago, Estados Unidos. Foto: George Bakos | Unsplash

Ao comentar a pesquisa Joel Kaufman, especialista voluntário da American Heart Association e professor de saúde ambiental e ocupacional da Universidade de Washington, disse que os fatores ambientais se mostraram muito importantes para a manutenção da saúde, além das atitudes individuais como não fumar, praticar atividades físicas e cuidar da alimentação, por exemplo.

O Dr. Kaufman disse ainda que as ações para combater a poluição ar se concentram no controle e diminuição das emissões, mas que é importante que a ampliação das áreas verdes em centros urbanos também entre para o escopo de ações.

Em um comunicado, a American Heart Association disse que a exposição a longo prazo à poluição do ar reduziu a expectativa de vida de vários meses a alguns anos, dependendo dos índices. A redução da poluição, em contrapartida, melhorou rapidamente a saúde e a expectativa de vida das pessoas que viviam nas áreas estudadas.