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Armazenamento do cordão umbilical gera dúvidas entre pais no Brasil

Compartilhe:     |  10 de junho de 2015

Um assunto tem deixado milhares e milhares de brasileiros indecisos quando estão prestes a ganhar um bebê. É quando surge a possibilidade de guardar o sangue do cordão umbilical, na expectativa de que as céulas-tronco presentes ali sirvam como uma espécie de garantia no futuro, para tratar determinadas doenças. No Brasil, esse material é guardado por bancos públicos e particulares, com finalidades diferentes.

Ana Beatriz chegou fazendo barulho, e também uma boa ação. Enquanto mãe e filha se olham pela primeira vez, o cordão que as uniu por nove meses começa a ser preparado. O sangue dele será doado para um banco público.

“O doutor falou com a gente que ia pra lata do lixo uma coisa tão preciosa”, diz Bruno Macedo, pai da Ana Beatriz.

No Brasil, mais de 90% dos cordões são descartados mesmo. E com eles, lá se vão milhões de células-tronco, capazes de gerar todos os tipos de tecidos e órgãos do corpo.

Nos últimos 15 anos, cerca de 19 mil bolsas foram coletadas desta forma e estão armazenadas em bancos públicos do Brasil; 178 já foram usadas em transplantes. Os bancos particulares têm um estoque bem maior, mais de 100 mil bolsas, e um índice menor de aproveitamento – 13 transplantes.

O banco privado guarda o material genético para uso pessoal. No primeiro ano, são pagos cerca de R$ 3 mil. Depois, são mais R$ 700, em média, para a taxa anual de manutenção.
No banco público, não existem cobranças. A doação é voluntária e o material fica disponível para qualquer pessoa que precise dele.

Há dez anos, quando esperava a Fernanda, a veterinária Simone Luvisário ouviu várias promessas que a convenceram a pagar pelo armazenamento em um banco particular.
“Se falava até em neurologia, paralisias, Alzheimer, Parkinson”, diz Simone.

“Essas alternativas de tratamento continuam em base experimental, em pesquisa, e a única indicação precisa para o uso das células do sangue do cordão umbilical são tratamentos relativos a doenças do sangue e câncer”, afirma Luis Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Inca.

As células do cordão umbilical são usadas hoje em transplantes nos pacientes com doenças no sangue, como por exemplo as leucemias. Essas doenças podem ter origem em alterações genéticas presentes também nas células-tronco. Quando isso acontece, o material armazenado não tem utilidade para o seu próprio dono.

As células-tronco de Fernanda acabaram salvando o irmão mais velho dela, o Matheus, que teve leucemia. “Nunca imaginei que poderia ser utilizada pelo Matheus. Eu guardei pensando na Fernanda utilizar o cordão”, conta a mãe.

Nos bancos privados, os transplantes entre irmãos representam hoje o principal uso das células-tronco. Em apenas cinco casos o material coletado logo após o parto, serviu, anos depois, para a própria criança.

A terapia genética ainda oferece promessas de novos tratamentos. E os bancos privados no Brasil criaram um conselho de ética para evitar a propaganda enganosa.

“Tanto a potencialidade terapêutica como as limitações terapêuticas, todas têm que ser explicadas de forma transparente e clara para que as famílias tomem uma decisão informada, não tomem decisões baseadas em hipóteses”, explica Roberto Waddington, presidente da Associação Brasileira dos Bancos de Células-Tronco.



Fonte: Jornal Nacional



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