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Arquitetos apostam em cimento feito à base de sal para construções mais sustentáveis

Compartilhe:     |  12 de julho de 2020

Dois arquitetos dos Emirados Árabes Unidos (EAU) querem revolucionar o setor da construção civil. Olibanês Wael Al Awar e o japonês Kenichi Teramoto, dois dos donos da waiwai, empresa baseada em Dubai e em Tóquio, no Japão, buscaram em universidades japonesas e árabes conhecimento científico para desenvolver um cimento feito a base de sal. O material seria uma alternativa até mesmo mais sustentável à composição tradicional, cuja produção gera grandes quantidades de emissão de carbono na atmosfera.

Inspirados pelas sebkhas, salinas naturais características de regiões áridas e muito presentes no país árabe, os arquitetos perceberam que a produção de salmoura feita a partir de usinas de dessalinização poderia ser reaproveitada no setor. O subproduto contém minerais de magnésio que, transformado em cimento, podem ser tão eficazes quando o material tradicional mais usado atualmente em construções.

Os arquitetos Kenichi Teramoto e Wael Al Awar querem revolucionar a indústria de construção civil

Os Emirados Árabes Unidos produzem cerca de um quinto da salmoura do mundo. O composto não pode ser despejado no mar para não causar danos ao ecossistema marinho. Encontrar formas de aproveitar o produto, sem prejudicar o meio-ambiente, é um desafio importante para o país — que está sendo ajudado por Al Awar e Teramoto.

O procedimento para a composição desses blocos é feito a partir da extração de um composto de magnésio da salmoura, que é rica em minerais do tipo. A partir disso, o material é moldado em formato de blocos que, posteriormente, são colocados em uma câmara de dióxido de carbono para “descansar”. Essa última etapa é considerada uma inovação pois acelera o processo de conclusão.

Segundo Al Awar, seria possível construir prédios de um andar hoje mesmo com essa tecnologia, mas é preciso esperar para seguir caminhos maiores. Apesar da inovação, há pontos de atenção a serem notados. Como o produto é feito à base de sal, ele precisaria ser reforçados com outros materiais para não corroer, como tempo, o aço utilizado ao redor.

Sebkhas: salinas naturais características de regiões áridas e muito presentes nos Emirados Árabes

Em entrevista à “CNN”, Al Awar explicou que ele e Teramoto tem trabalhado para tentar transformar a arquitetura em um meio cada vez mais sustentável. “Dadas às emissões de gás carbônico no mundo, ao aquecimento global e a todos esses alarmes que tocam há muitos anos, é nosso dever e nossa responsabilidade agir”, disse.

O cimento salino foi parcialmente desenvolvido no campus da Universidade de Nova York localizado em Abu Dhabi e submetido a testes tanto no país árabe quanto no Japão. Um pesquisador da Universidade de Tóquio contou à emissora de TV americana que até um algoritmo foi desenvolvido para calcular a segurança dos blocos de construção feitos com o material. O novo cimento também passou por avaliações de rigidez e resistência.



Fonte: Hypeness



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