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Artigo Científico – Estudo da cadeia produtiva da farinha com utilização dos biodigestores

Compartilhe:     |  28 de junho de 2019

Resultado de imagem para farinha de mandiocaEstudo da cadeia produtiva da farinha em uma comunidade na Reserva Extrativista do Médio Rio Purus no município de Lábrea, Amazonas e o impacto socioeconômico para os produtores e comércio local e proposta do análise da utilização dos biodigestores em substituição ao gás de cozinha nas comunidades ribeirinhas da Amazônia com o uso de biomassas regionais

Por Raimundo Nonato Duarte Amâncio* – Carlos Victor Bessa Correa** – Johnson Pontes de Moura***

 

RESUMO

Este estudo analisa a dinâmica sócio produtiva em torno da cadeia produtiva da mandioca na comunidade rural José Gonçalves que fica dentro da área da Reserva Extrativista do Médio Purus na cidade de Lábrea-AM. No intuito de analisar o processo produtivo, bem como, desenvolver a partir deste contexto, uma cartilha contendo boas práticas a serem empregadas pelos produtores na comunidade, como contribuição no processo produtivo e melhoria na qualidade do produto final. Para concretização desta pesquisa foi necessário utilizar subsídios essenciais para coleta e análise dos dados. Dentre os métodos empregados na pesquisa pode-se introduzir na pesquisa o uso bibliográfico de autores que defendem este tema abordado, pesquisa de campo, observação e aplicação de questionários semi-estruturados. Tais metodologias foram necessárias para comprovação dos dados e conhecimento da realidade na qual se encontram as pessoas investigadas. Pode-se ressaltar com base nos resultados obtidos, que a cadeia produtiva da mandioca na comunidade José Gonçalves tem grande importância para a geração de renda para os moradores, fonte de distribuição para população local e circunvizinha, como Canutama, Tapaúa, Pauiní, Manaus e Porto Velho. O produto final da mandioca, a farinha é um alimento muito utilizado diariamente por todas as famílias que gostam do produto, este é fundamental para o consumo. Portanto, como mostrado nos resultados à farinha é fundamental para os produtores e a espécie mais cultivada é a flexa amarela, por apresentar um produto final de maior qualidade e viabilidade econômica. Diante do exposto, apresenta-se uma Cartilha com boas práticas para o cultivo e fabricação da farinha, com intuito de contribuir para melhoria na cadeia produtiva do produto.

 

PALAVRAS CHAVE: cadeia produtiva; importância, alimento, consumo. 

 

ABSTRACT 

This study analyzes the dynamic productive partner around of the productive jail of the cassava in the rural community José Gonçalves who stays inside the Reserve area Extrativista of the Medium Purus in the city of Lábrea-AM. In intuito of analyzing the productive process, as well as, develop to leave of this context, a primer contend good practices to are employed by the producers in the community, like contribution in the productive process and improvement in the quality of the final product. For materialization of this research was necessary to use essential subsidies for data collection and analysis. Among the methods employees in the research can introduce into the research authors’ bibliographical use who defend this boarded theme, field research, questionnaires semi-structured observation and application. Such methodologies were necessary for reality data and knowledge confirmation in which are the investigated people. It can stress with base in the obtained results, that the productive jail of the cassava in the community José Gonçalves has great importance for the income generation for the distribution inhabitants source for local and neighboring population, like Canutama, Tapaúa, Pauiní, Manaus and Porto Velho. The final product of the cassava, the flour is a food very used daily for everybody the families who like the product, this is fundamental for the consumption. Therefore, as shown results the flour is fundamental for the producers and the most cultivated species is for flexa yellow, for presenting a final product of larger quality and economic viability. In front of the exposed, it presents a Primer with good practices for the flour cultivation and production, with intuito of contributing for improvement in the productive jail of the product.

Keywords: Productive jail; Importance, food, consumption.

 

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O Brasil, com aproximadamente 2 milhões de hectares, é um dos maiores produtores mundiais de mandioca, com uma produção de 24 milhões de toneladas de raízes frescas. A industrialização das raízes de mandioca diminui perdas pós-colheita, agrega valor ao produto, proporciona maior retorno financeiro aos produtores, além da geração de emprego e renda (OLIVEIRA, REBOUÇAS, 2008). O país possui aproximadamente dois milhões de hectares cultivados. E um dos maiores produtores mundiais, com 23 milhões de toneladas anuais de raízes frescas de mandioca (BARRETO, 2008).

A mandioca se destaca como uma das principais culturas no Brasil sendo que a maior parte de sua produção destina-se à fabricação de farinha fazendo parte da refeição diária de muitos brasileiros. A cultura da mandioca (Manihot esculenta Crantz) desempenha elevada importância social como principal fonte de carboidratos para mais de 700 milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento.

A mandioca (Manihot esculenta Crantz) no Estado do Amazonas é uma das culturas mais importante em se tratando de alimentação humana. O Estado é o segundo maior produtor dessa cultura na região Norte, com uma área cultivada de 97.393 ha e uma produção de 995.876 toneladas de raiz para uma produtividade de 10,23 t/ha, considerada baixa (IBGE, 2009).

Na mandioca a parte mais importante da planta e a raiz, esta é rica em fécula que são bastante utilizadas na alimentação humana e animal ou como matéria prima para diversas indústrias. A cultura da mandioca é a fundamental fonte econômica rica em carboidratos.

Segundo Cunha (2003), como o principal produto da mandioca são as raízes, ela necessita de solos profundos e friáveis (soltos), sendo ideais os solos arenosos ou de textura média, por possibilitarem um fácil crescimento das raízes, pela boa drenagem e pela facilidade de colheita.

Para o cultivo da mandioca o solo não deve ser muito argiloso, pois, os solos mais compactos dificultam o crescimento das raízes, apresentando maior risco de encharcamento e de apodrecimento das raízes, o que contribui para o atraso da colheita, principalmente em local de várzea e costa de praia.

O escopo deste trabalho está em analisar a cadeia produtiva da farinha na Comunidade José Gonçalves em Lábrea. Neste sentido, compreender como se organiza o processo, quais os atores envolvidos e também como se distribui o produto.

Especificamente objetivamos; a) identificar as espécies de mandioca cultivadas na comunidade; b) avaliar o processamento da farinha de mandioca e seu processo produtivo; c) verificar a viabilidade sócio econômica desse cultivo; d) e por fim mais não menos importante elaborar um manual de boas práticas para as casas de farinha da comunidade.

Para a verificação das analises, foram coletados dados em fontes de bancos de dados oficiais e com apoio de um referencial teórico de aportes da geografia e de trabalhos referentes à cadeia produtiva da mandioca. A descrição da cadeia produtiva da farinha na Comunidade José Gonçalves no município de Lábrea foi feito por meio de trabalho de campo na comunidade, buscando entender todo o processo e sua relevância para o local e, por fim, relatadas considerações gerais sobre a temática em análise.

O desenvolvimento do trabalho é tratado em uma abordagem a cerca da cadeia produtiva da farinha mais especificamente, e ainda abordaremos temáticas relacionadas à produção do espaço geográfico da comunidade estudada encadeando com os atores envolvidos, as relações sociais e os meios que dão suporte a cadeia produtiva e possuem uma dinâmica econômica, social e política.

No primeiro momento buscou-se uma análise minuciosa do processo produtiva da farinha em seguida partiu-se à relacionar a base teórica de como funciona a cadeia produtiva da farinha com a apresentação dos resultados práticos dessa atividade em Lábrea.

Na sequencia, verificou-se as características do município investigado, bem como os aspectos legais que envolvem a área da Comunidade José Gonçalves. Sendo que esta localiza-se em uma RESEX no município de Lábrea.

Ressalta-se a importância da cadeia produtiva da farinha como atividade econômica para a população de Lábrea. A relevância do produto para os produtores e consumidores, procurou-se entender como se caracteriza e quais as relações existentes na atividade em Lábrea?

É necessário destacar que é a partir deste questionamento iniciou-se a preocupação em analisar e compreender a curiosidade acerca da temática em questão, sendo que este produto esta na mesa dos ribeirinhos e labrenses diariamente, é fundamental na alimentação e por isso objetivo de investigar  o desenvolvimento detalhado deste processo e de sua importância para os produtores da Comunidade José Gonçalves.

A preferência de delimitar o estudo de forma mais especifica na Comunidade José Gonçalves no município de Lábrea é relacionada a uma cadeia produtiva da farinha que se caracteriza por processos simples, sem aparatos de tecnologias mais adequados que apesar de desprovidos da falta de estrutura que favoreçam o desenvolvimento do trabalho mecanizado, estes apresentam uma produção em alta escala.

O cultivo de mandioca nas comunidades ribeirinhas da RESEX Médio Purus está intimamente relacionado à produção de farinha amarela. A comercialização deste produto é significante para a economia regional, abastecendo cidades como Manaus, Porto velho no estado de Rondônia e Rio Branco no Acre. Muito apreciada por seu valor energético, a farinha amarela constitui-se como componente fundamental na dieta local, juntamente com o peixe, e em muitos casos representa a conexão das comunidades com o mercado.

A produção agrícola baseada na exploração da propriedade e da força de trabalho familiar remete aos primórdios da civilização humana, perpassando por diversas sociedades ao longo da história, sejam elas escravistas, feudais, capitalistas e socialistas (FERNANDES, 2002).

A agricultura familiar permanece presente como categoria produtiva, com diferentes graus de interligação aos mercados (WILKINSON, 2008).

Os cultivares de mandioca apresentam adaptação específica a determinadas regiões e dificilmente uma mesma cultivar comporta-se de forma semelhante em todos os ecossistemas. Um dos motivos para isso é o grande número de pragas e doenças que afetam o cultivo, restritas a determinados ambientes. Isso justifica, em parte, a grande diversidade de cultivares utilizada pelos agricultores de mandioca do Brasil (CUNHA, 2003).

A farinha de mandioca no Amazonas é fabricada em pequenos estabelecimentos denominados casas de farinha, onde a mesma serve como fonte de renda e garantindo o sustento do cidadão que trabalha na roça. A dinâmica produtiva em áreas ribeirinhas da Amazônia baseia-se na diversificação de espécies e na sucessão ecológica, num misto de roça e floresta, onde o termo “roça” é regionalmente utilizado para denominar o cultivo de mandioca.

A instabilidade na produção de farinha amarela na várzea e a especialização dos cultivos de mandioca em terra firme abrem portas para estudos que busquem distinguir os sistemas produtivos e investigar as relações que existem entre estes agroecossistemas (AGUIAR & FRAXE, 2000).

A maioria da farinha de mandioca fabricada na comunidade José Gonçalves é para o próprio consumo das famílias dos agricultores e o excedente é comercializado para o município de Lábrea e outros centros consumidores, não conseguindo abranger as necessidades do município. Esse produto é fabricado, em locais denominados “casas de farinha” possuindo estruturas bastante rudimentares, que muitas vezes não possuem as condições físico-estruturais adequadas e necessárias para o seu bom funcionamento.

Nestes locais é produzida, principalmente a farinha amarela, mas também são produzidos a farinha de tapioca, o beiju, pé-de-moleque, tendo também como subprodutos goma, tucupi e a cruera que é utilizada como alimento para pequenas criações. O escoamento da produção pode ser feito de forma coletiva em barcos regionais, ou individualmente em canoas com motor rabetas.

Produzir farinha se não se transformou em um excelente negócio, capaz de atender não apenas as demandas locais do produto, mas também, proporcionar a melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas com essa atividade, criar alternativas de mercado, fortalecer o desenvolvimento socioeconômico do local e garantir o atendimento das necessidades atuais e das futuras gerações, mas para tal acontecimento deve-se obter um produto de alta qualidade num ambiente adequado e higiênico, com isso pode-se aplicar um manual de boas práticas para as casas de farinha.

Devido principalmente a baixa produção de farinha de mandioca para o abastecimento do município, e também à qualidade da farinha produzida na comunidade em estudo. Este estudo proporcionará aos agricultores informações e técnicas para aumentar a qualidade de vida destes e assim gerar renda para o município.

1.1   Justificativa

No município de Lábrea o índice de consumidores de farinha é muito grande e os produtores de pequenas comunidades rurais são os responsáveis pela fabricação deste alimento.

No sentido de analisar a cadeia produtiva da farinha de mandioca, desde seu plantio até seu produto final, verificando as deficiências e dificuldades nas áreas cultivadas e no processamento da farinha. Essas cadeias produtivas são desenvolvidas ao longo dos anos a partir de aspectos geográficos, históricos, culturais e econômicos que as envolvem com definição fundamental de identidade e coerência igualitária.

2. CARACTERÍSTICAS DO MUNICÍPIO INVESTIGADO

O município de Lábrea possui uma população estimada em 37.701 habitantes, sua extensão territorial é de 68.233,961 km2 e uma densidade demográfica de 0,55 habitantes/km2, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo Demográfico 2010.

A distância de Lábrea para a capital Amazonense (Manaus) 710 km em linha reta, sendo que por via fluvial essa distancia é de 1672 km, estando localizada na Sub-região do Purus e faz limite com os municípios de Canutama, Tapauá, Pauiní, Boca do Acre e Porto Velho capital de Rondônia.

A cidade é cortada pela Rodovia BR 230 ou Transamazônica como é popularmente conhecida, é a terceira maior rodovia brasileira, construída no governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969 a 1974) sendo uma das grandes obras “faraônicas” da história do Brasil.

A rodovia Transamazônica é intransitável na maior parte do ano e dificulta as atividades econômicas no município, no sentido de impossibilitar o tráfego em determinados trechos. Como é comum nas cidades amazônicas, Lábrea tem sua base econômica no setor primário, ou seja, na agricultura, na pesca, pecuária (com uma forte crescente no sul do município onde há maior concentração de pastos) e atividade madeireira.

O principal rio que banha a cidade é o Purus com qual possui uma relação por questões de transporte fluvial de pessoas e mercadorias durante o ano todo e por ser uma fonte de recursos para abastecimento de água e pescado. Seu afluente principal é o rio Ituxi que também tem sua importância para região, sendo estes rios jovens altamente meandrantes e com grande biodiversidade mostrando potencial também para pesca.

O rio Purus nasce no Peru, a cerca de 500 m de altitude, e estende-se por cerca de 3.218 km até a foz, no rio Amazonas. A rede hidrográfica do rio Purus é bem desenvolvida: o baixo Purus e o médio Purus são navegáveis tanto no período de chuvas quanto no período da seca, por pequenas e grandes embarcações.

O alto Purus apresenta-se sem condições de navegabilidade por grandes embarcações, no período da seca. Nas proximidades do município de Lábrea há formação acentuada de bancos de areia, o que dificulta a sua navegabilidade. O rio Purus serve de escoamento de produtos (agrícolas e industriais) para os municípios de Boca do Acre, Porto Velho, Acre e Manaus no Amazonas.

A região do Purus abriga unidades de conservação federais e estaduais e municipais, tais como: a Flona de Macaua; a Flona do Purus; a Flona Balata Tufari; a Flona do Iquiri; a Flona do Mapinguari; a Rebio do Abufari; a Floresta de Antimary; o Parna do lago do Jarí; a Resex do Médio Purus; a Resex do Ituxi; a Estação Ecológica do Rio Acre, a APA do Médio Purus, a Reserva Municipal de Quelônios; a RDS Piaguaçú-Purus; e a RDS – Canutama).

O rio Purus é um dos principais afluentes do Rio Amazonas. Em seu curso médio, na margem direita localiza-se a sede do município de Lábrea, um marco da ocupação e colonização da Região, iniciada principalmente pela expansão da fronteira seringalista. Assim, os dois grandes ápices do ciclo da borracha no século XX deram grande impulso para o desenvolvimento da Região do Médio Purus.

O crescimento da população, a implantação de rotas comerciais e práticas agrosilviculturais tornaram essa Região um importante centro comercial no sudoeste do Amazonas. Com o declínio do preço da borracha e consequentemente redução da exploração, atividades como a pesca, a extração da madeira e da castanha passaram a construir as principais as principais fontes de subsistência para a Região.

As atividades pesqueira e madeireira, apesar de regulamentadas, em alguns casos eram realizadas de forma ilegal e predatória. Além disso havia cobrança de renda sobre produtos da floresta e também sobre o peixe e a farinha, por   antigos supostos donos de antigos seringais. Este sistema, antigo e danoso contribuiu com a super exploração do ambiente.

Tal quadro aliado às políticas de desenvolvimento aventadas pelo Governo do Estado relacionadas à ocupação e implantação de fronteiras agropecuárias, significou em curto prazo uma mudança drástica na distribuição e disponibilidade dos recursos naturais, dos quais depende a população da Região.

A solicitação para criar a RESEX do Médio Rio Purus data de janeiro de 2001 e foi requisitada pela associação dos Produtores da Reserva Extrativista do Médio Rio Purus (APREMP), hoje Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (ATAMP).

Os objetivos de sua criação foram melhorar a qualidade de vida dos ribeirinhos que viviam na calha dos rios Purus, Ituxi, e Seruini; garantindo o uso dos recursos agroextrativista da Região e proteger as populações locais e os recursos da ação criminosa de grileiros, pesqueiros, madeireiros e garimpeiros por meio da regularização fundiária da Região.

Vale ressaltar ainda que a criação da RESEX do Médio Rio Purus veio a contribuir com o mosaico de áreas protegidas composto por terras indígenas, florestas nacionais e reservas extrativistas do sul do estado do Amazonas.

Para a criação da RESEX Médio Rio Purus foi levado em consideração o reconhecimento dos recursos naturais, de sua disponibilidade e formas de utilização, além das condições de vida dos ribeirinhos, que foram de fundamental importância na tomada de decisão para garantir a manutenção das necessidades físicas e tradições culturais das comunidades ribeirinhas.

A ocupação do atual território de Lábrea data da segunda metade do século XIX, por volta do ano de 1870. A fundação oficial da cidade é de 14 de maio de 1881. A igreja católica estabeleceu sua primeira missão na foz do rio Ituxi, nomeando-a de Nossa Senhora de Nazaré do rio Ituxi.

No momento de sua criação, o município de Lábrea foi um desmembramento de Manaus. Seus limites iam desde a boca do rio Aburari até a Bolívia. Inicialmente, seu fundador, o cearence Coronel Antônio Rodrigues Pereira Labre, idealizou a cidade na localidade denominada Terra Firme do Amaciary. Posteriormente, ela foi assentada no local atual, a margem direita do Rio Purus.

O vale do Purus tem uma longa história de ocupação indígena antes da chegada dos colonizadores. Ali são encontradas nações indígenas como Apurinã, Paumari, Zuruahá, Jamamadí, Deni, entre outras. Esses povos foram duramente combatidos durante a expansão do extrativismo iniciada por volta de 1840.

O Médio Purus assistiu a uma onda inicial de exploração dos produtores da floresta, chamados de “drogas do sertão”, entre os séculos XVII e XVIII, nos quais produtos como cacau, salsaparrilha e canela eram extraídos da floresta por indígenas e exportados para a Europa.

A fundação de Lábrea foi resultado direto da expansão da produção de borracha. A industrialização da Europa e dos Estados Unidos, a invenção do processo de vulcanização (aproveitamento industrial do látex) e o crescimento da demanda por borracha na segunda metade do século XIX causaram uma verdadeira corrida pela borracha extraída das seringueiras da Amazônia, abrindo novas vias de extração e comercialização no vale do Purus.

O Coronel Labre estabeleceu-se na região com uma leva de migrantes nordestinos, começando a exploração do látex. A área logo se tornou uma importante porta de entrada para as florestas ricas em seringueiras que se estendiam até o Acre.

A figura predominante na região de Lábrea neste período, e durante décadas seguintes, é a do seringalista conhecido como coronel de barranco ou patrão.

A decadência da economia da borracha trouxe às comunidades extrativistas novos problemas. Fez avançar, a partir dos anos 70, a fronteira do desmatamento desde o Estado de Rondônia e Acre, trazendo consigo a grilagem de terras, o desmatamento, as queimadas, a abertura de estradas ilegais, a exploração madeireira e a expulsão das populações ribeirinhas ali residentes para instalação de fazendas de gado, entre outras mazelas.

Conforme descrito anteriormente, Lábrea é o principal município em toda extensão do rio Purus, que por sua vez é um dos principais tributários do rio Amazonas. A partir de Manaus, a sede do município localiza-se a 1.926 km pelo rio, e a 783 km em linha reta.

Historicamente sabe-se que a importância econômica do município entrou em declínio a partir de 1974, quando a economia da borracha tomou novos rumos e a borracha passou a ser produzida em grande escala na Ásia.

Mesmo que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) utilizado pelas Nações Humanas não seja um Instrumento que melhor reflita a realidade amazônica, é importante considerar que o Brasil ocupou a 63ª posição em relação a outros países, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Tal posição significou que houve melhoras no que se refere ao desenvolvimento social2.

Apesar dos dados apontarem para uma pequena melhora nas condições de vida da população brasileira, tais indicadores revelam que a região norte e, especialmente Lábrea, não apresentou mudança significativa na qualidade de vida, pois está em 4.695º lugar entre os 5.512 municípios brasileiros, com índice de 0,598, na posição acima apenas de três dos seis municípios da calha do rio Purus3.

O município de Lábrea está localizado na parte sul do estado do Amazonas, nas divisas com o Estado de Rondônia e Acre, o acesso a capital se dá de avião com vôo durando entre duas e duas horas e meia, de barco com duração de três a quatro dias e via terrestre com estrada precária de difícil trafegabilidade que pode durar dias.

Com sede a uma altitude de 75 m, pertence à Microrregião do Purus e a Mesorregião Sul e conta com uma população atual de 39 022 habitantes, apresentam características geográficas com área de 68.229.009 km², densidade de 0,57 hab./km², clima equatorial úmido, fuso horário UTC-4, apresenta indicadores de índice de desenvolvimento humano 0,598 médio PNUD 2014, PIB R$ 231,676 milhões em 2010.

Economia: o município localiza-se às margens do rio Purus e atravessado por vários de seus afluentes, tais como o Ituxi, Punicici e Siriquiqui, o município tem nos rios a força de sua economia, por meio da produção agroextrativista, da pesca e da agricultura de pequena escala. Na porção sul do município se destaca a pecuária.

2.1 Localização da Comunidade José Gonçalves (praia do buraco), localizada dentro da Reserva Extrativista do Médio Purus

Neste tópico, trataremos de apresentar a localização exata da Comunidade José Gonçalves (Praia do Burado), que fica situada dentro da RESEX do Médio Purus, localizada geograficamente nas seguintes coordenadas: SUL: 7º 17’47’’, OESTE: 64º 58’28’’, sendo que para chegar até a comunidade é possível somente por meio fluvial, pois, esta se encontra a aproximadamente 2 horas de barco (deslisadeira) e aproximadamente 6 horas de motor rabeta da sua sede Lábrea.

Foi fundada por José Gonçalves e é habitada por moradores tradicionais sendo formada a maioria por familiares ressaltando dessa maneira que a comunidade é formada por populações tradicionais. Possui uma associação denominada APAC JG- Associação dos Produtores Agroextrativista da Comunidade José Gonçalves cujo objetivo é a obtenção de direitos e procura de melhor mercado para a comercialização destes produtos.

Está organizada em associação e é formada por 16 residências e povoada por 18 famílias totalizando 126 habitantes, com 38 agricultores, dos quais todos cultivam mandioca, mas somente 10 agricultores que cultivam a mandioca serão visitados para observação de campo in loco e assim poder fazer comparações e então propor alternativas para o melhoramento do cultivo e produção de farinha.

Quanto aos tipos de construções, as comunidades apresentam residências construídas em madeira uma ao lado da outra, com distâncias variadas de uma para outra variando de 20 a 30 metros aproximadamente, em outras são mais distantes e chegam a se distanciar uma das outras cem, duzentos, quinhentos e até metros de distância.

A comunidade possui capela (igreja pequena), escola municipal, casa de motor gerador de energia elétrica, todas construídas em madeira, a capela é localizada entre as casas, a escola foi construída em local estratégico dividindo as distâncias entre as residências, a casa do gerador de energia foi construída distante das demais casas e escola devido os ruídos causados pelo motor.

Os moradores residem nas comunidades há muitos anos, uma família reside a mais de 50 anos, outra há 26 anos, outra há 32 anos e assim sucessivamente, receberam a terra de seus pais, que antes de ser área de Reserva Federal era de posse de proprietários que utilizavam o sistema patronal que arrendavam as terras para as famílias, onde era firmado um contrato verbal onde quem recebia o direito de usar a terra passava a ser cliente do proprietário, sistema patrão-freguês.

Segundo o texto da Constituição Federal de 1988, em seu capitulo II, artigo 7º, parágrafo IV, o valor recebido mediante o salário mínimo deve ser:

[…] capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim. (BRASIL, 2006).

Atualmente as comunidades estão localizadas dentro da Reserva Extrativista do Médio Purus e o sistema jurídico dessa posse está tramitando, os moradores estão aguardando a expedição do Termo de Concessão do Uso da Terra.

Fonte:  ICMBio junho/ 2013

Figura 2 – Vista de cima da comunidade José Gonçalves (praia do Buraco).

A área em questão denominada Reserva Extrativista do Médio Rio Purus foi criada em 08 de maio de 2008 e se localiza numa região estratégica para a conservação da Amazônia, ou seja, no Sul do Estado do Amazonas, na Região do Médio Rio Purus, Região pressionada pela nova fronteira agropecuária brasileira (FRANCO,2011) e (MENEZES,2009).

A Reserva Extrativista do Médio Purus está inserida na categoria de Unidades de Conservação de Uso Sustentável, pois permite que as populações que nela habitam, obtenham seu sustento através do extrativismo. Criada através do decreto de 8 de maio de 2008, com uma área aproximada de 604.209 hectares abrangendo os municípios de Lábrea, Pauiní, e Tapauá. Tem como objetivos principais proteger os meios de vida e garantir a utilização dos recursos naturais renováveis.

 

2.2 Características do espaço investigado

Figura 3 – Mapa RESEX Médio Purus com suas respectivas comunidades agroextrativistas

A Reserva Extrativista do Médio Rio Purus está localizada na Região do Médio Rio Purus, pertence a Microregião do Purus e a Mesoregião Sul amazonense, abrange espaço território em sua maior parte no município de Lábrea, ocupando uma parte do espaço território do município de Pauini, e uma parcela menor do município de Tapauá.

A área da RESEX formada principalmente por comunidades extrativista ribeirinhas que residem as margens do rio Purus nos municípios de Lábrea e Pauini, possui uma extensão territorial aproximada de seiscentos e quatro mil, duzentos e nove hectares e vinte e cinco centiares, com base cartográfica elaborada a partir das folhas SB-19-Z-D, S-20-Y-C, na escala 1:250.000, publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

Maior parte da área territorial da RESEX Médio Purus está situada dentro do município de Lábrea, no estado do Amazonas e é cortado pelo rio Purus em seu curso médio. O terreno é relativamente plano a levemente ondulado. Tem clima quente e apresenta duas estações bem definidas. Um verão mais seco de maio a outubro e um inverno bastante chuvoso de novembro a abril.

O rio é largo, meandrante e possui um leito estável. Ele pode ser descrito como um ecossistema de águas brancas devido a presença de muitas partículas em suspensão em sua água. Rios e igarapés de água preta e cristalina também são encontradas na área da RESEX. O sistema possui um regime periódico de enchente, no inverno, e vazante no verão, determinando as características físicas e a composição florística e faunística em sua área de influência.

A paisagem é composta por dois ambientes dominantes, formações vegetais periodicamente inundadas (várzea, chavascais etc) e florestas de terra firme nas terras altas. Essas duas principais paisagens são subdivididas em fitofisionomias distintas.

Quanto à vegetação está classificada como Floresta Tropical Aberta, apresentando dois grupos de formações: a) Floresta Aberta aluvial, que ocupa as planícies inundadas (igapó), inundáveis e terraços; b) Floresta Aberta das Terras Baixas, distribuindo-se pelos vales e encostas (RADAMBRASIL, 1978). Segundo Haugaasen (2006), as florestas de terra firme são floristicamente mais diversas, enquanto as de várzeas são intermediárias, e as de igapós são as mais pobres em espécies.

Os solos da região do Purus classificam-se como gleissolos, plintossolos e argissolos. Conforme Haugaasen (2006) os solos de várzea apresentam concentrações elevadas de nutrientes, enquanto os solos de terra firme e de igapó são comparativamente pobres em nutrientes. O clima da região do Purus, de acordo com a classificação de Koopen é do tipo “Af”, com precipitação pluviométrica anual média de 2.500 mm variando de 1.550 a 3.450 mm. A temperatura média 25,0º C oscilando de 39 a 15º C, com umidade relativa do ar variando de 73,4 a 94% ao longo do ano (ASSIS, 2008).

A área da RESEX limita-se com diversas terras indígenas e com os municípios de Lábrea pelo leste, com Pauini pelo oeste, com Tapauá a norte e com a BR 364 ao sul – Rodovia Transamazônica que permite a entrada de grileiros que tem exercido uma grande pressão sobre moradores desta área.

Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, as Unidades de Conservação dividem-se em duas categorias, de Proteção Integral e de Uso Sustentável.

A RESEX Médio Purus é uma unidade de Conservação de Uso Sustentável, é um espaço para populações tradicionais tirarem o seu sustento por meio de extrativismo, admitindo também a agricultura de subsistência e criação e criação de animais de pequeno porte. A exploração dos recursos renováveis deve ser feita de forma controlada.

A RESEX é área de domínio público, não podendo abrigar propriedades particulares. Esse tipo de Unidade de Conservação surgiu da proposta do seringalista e líder sindical Chico Mendes, no Acre.

Dentro de uma RESEX pode haver domínio público com concessão de uso, deve ter conselho deliberativo, pode haver visitação, pode-se desenvolver pesquisa científica e plano de manejo para extração agroextrativista, não podendo explorar recursos minerais e recursos madeireiros sem plano de manejo.

O instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi criado pela Lei 11.516, de 28 de agosto de 2007. É uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). A sua principal missão institucional é administrar as Unidades de Conservação (UCs) federais, que é o caso da RESEX Médio Purus.

Cabe ao ICMBio executar as ações da política nacional de uso de Unidades de Conservação, podendo propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as UCs criadas pelo governo federal.

O Instituto tem também a função de executar as políticas de uso sustentável dos recursos naturais renováveis e de apoio ao extrativismo e as populações tradicionais nas Unidades de Conservação federal de uso sustentável.

As suas outras missões institucionais são fomentar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das Unidades de Conservação federal.

Plano de Utilização da Reserva Extrativista do Médio Purus, Estado do Amazonas, conforme Portaria Ministerial nº 126, de 08 de novembro de 2012. De acordo com o art. 21, do capítulo vi, do anexo i do decreto nº 7.515, de 08 de julho de 2011, o qual aprovou a estrutura regimental do Instituto Chico Mendes, publicado no Diário Oficial da União no dia 11 de julho de 2011 e pela portaria nº 304, de 28 de março de 2012, publicada no Diário Oficial da União do dia 29 de março de 2012.

O Plano de Utilização direciona o uso dos recursos naturais, estabelece relações sociais e objetivos comuns na busca da sustentabilidade socioambiental e econômica dos extrativistas produtores e pescadores da RESEX Médio Purus, mantendo os ecossistemas ecologicamente equilibrados, serão respeitados: a cultura, a forma ribeirinha de vida, e os trabalhos extrativistas, que utilizam os recursos naturais em escala comercial, como o pescado, a castanha, a copaíba e muitos outros produtos da floresta, bem como garantida a conservação da biodiversidade, através do manejo adequado da fauna e da flora.

O Plano de Utilização consiste nas regras internas construídas, definidas e compactuadas pela população da RESEX Médio Purus quanto às suas atividades tradicionalmente praticadas, ao manejo dos recursos naturais, ao uso e ocupação da área e a conservação ambiental, considerando-se a legislação vigente.

Com relação ao cultivo da agricultura, a RESEX ressaltar que todas as comunidades poderão utilizar as áreas agricultáveis (capoeiras, praias, várzea, terra firme) para produzir alimentos e produtos da agricultura familiar como: feijão, milho, abóbora, melancia, batata, maxixe, banana, macaxeira e outros, ficando liberado o reaproveitamento das capoeiras.

Em caso de novas aberturas, fica definido em até 02 hectares por família/ano; quando não houver área de capoeira nas proximidades, nos casos de queimada em área de plantio é obrigatório o uso de aceiro de 3 a 5 metros e comunicar aos vizinhos. Nas áreas de plantação de cada família devem ser respeitadas, ficando proibido a utilização de produtos agrotóxicos e venenos na produção agrícola nas áreas utilizadas para produção de alimentos da agricultura familiar ou em outras práticas produtivas.

2.3 Cadeia Produtiva da Farinha

De acordo com Oliveira et al. (2010), as variedades locais ou crioulas de mandioca representam o alicerce dos sistemas de produção familiar, sendo consideradas um patrimônio genético e importante para a segurança alimentar desses agricultores e para a preservação da biodiversidade.

Neste contexto, as variedades locais cultivadas por agricultores familiares ao longo dos anos, têm demonstrado em muitos casos, que possuem potencial genético, desde que lhes deem condições para expressar essa qualidade. A cultura da mandioca é a principal produção das famílias que moram na comunidade José Gonçalves.

MANDIOCA*
Espécie Variedade Características Onde é plantada?
 

MANDIOCA

 

Flexa amarela

Talo da folha branco, casca branca, batata amarela, maniva amarelada, arbusto de pote alto chegando a mais de 2 metros de altura  

Área de várzea e terra firme

 

Minerva

Toco mole, talo da folha branco, casca amarela, batata amarela, maniva branca, arbusto de porte médio chegando a 2 metros de altura.  

Área de várzea e terra firme

 

MANDIOCA

 

Amarelinha

Talo da folha branco, casca amarela, batata amarela, maniva branca, arbusto de pote médio chegando a medir 2 metros de altura  

Área de várzea e terra firme

 

MANDIOCA

 

Janauacá

 

Talo da folha vermelho, casca vermelha, batata amarela, maniva escura arbusto de porte alto chegando a medir até 2.5 metros

 

Essa espécie é cultiva normalmente em área de terra firme, exige mínimo de um ano para colheita.

 

 

MANDIOCA

 

Cobiçada

 

Talo da folha vermelho, casca vermelha, batata amarela, maniva escura, arbusto de porte alto chegando a medir 2.5 metros

 

Essa espécie é cultiva normalmente em área de terra firme, exige mínimo de um ano para colheita.

 

MANDIOCA

 

Sumaúma

Talo da folha branco, casca branca, batata embranquecida, maniva branca, arbusto alto chegando a medir 2.5 metros  

Essa espécie é cultiva normalmente em área de terra firme, exige mínimo de um ano para colheita.

 

MANDIOCA

 

Macaxeira pão

Talo branco, casca branca, batata branca, maniva branca, arbusto alto chegando a medir 2.5 metros  

Área de várzea e terra firme

 

MANDIOCA

 

Macaxeira caboquinha

 

Talo branco, casca branca, batata branca, maniva escura, arbusto de porte médio muito ramificado

 

Área de várzea e terra firme

 

*A mandioca é uma planta heliófila, perene, arbustiva, pertencente à família das euforbiáceas.

2.4 Fluxo de Processamento

2.5 Descrição do Fluxo de Processamento

Limpeza da terra 

A limpeza da terra é uma importante etapa que deve ser levada em consideração, pois, a partir da limpeza que o solo terá nutrientes necessários para produzir batatas com qualidade.

No local investigado, é necessário limpar a área de plantio (roçagem) no período em que a água chega, com a enchente a terra fica limpa, passa por um processo de aterrada e adubação natural realisada pela deposição de sedimentos trazidos pela água. Este processo de limpeza da terra é essencial para sair uma praia boa para o plantio na época apropriada. 

Plantação da maniva 

A alternativa de cultivo de mandioca é um processo usualmente adotado por pequenos, médios e grandes produtores, e deve necessariamente ser conduzida de forma adequada, a produção torna-se bastante lucrativa, podendo ser comercializada facilmente por ser um alimento altamente consumido.

Para plantação da maniva é necessário que o agricultor corte as sementes do mesmo tamanho, com aproximadamente 10 cm. Faz-se o buraco com o auxílio de uma enxada, põe a maniva e fecha o orifício com a terra. Esse processo é totalmente manual e deve ser realizado na época certa. 

Colheita da Mandioca

As raízes de mandioca para fabricação de farinha são colhidas com a idade de 6 a 7 meses, entre os meses de dezembro e janeiro, esse é o período em que o rio está enchendo e os produtores realizam suas colheitas.

O processo deve acontecer impreterivelmente logo quando começam os primeiros repiquetes, ou seja, quando o rio apresenta sinal de enchente, é um alerta para os agricultores experientes, para que estes não percam a produção.

Para inicio da colheita ou arranca como é conhecida popularmente pelos produtores, deve-se cortar a maniva deixando cerca de 40 a 50 cm acima da terra e o tronco e arrancado manualmente. No segundo momento decotam as batatas, lavam para retirar o excesso da terra e iniciam o processo de carregamento para casa de farinha e sequencialmente para fermentação.

Figura 4 – Processo de colheita

Lavagem 

As raízes da mandioca devem ser lavadas para eliminar a terra aderida à sua casca e evitar a presença de impurezas que prejudicam a qualidade do produto final. 

Descascamento

O ato de descascar elimina as fibras presentes nas cascas, as substancias tânicas, que escurecem a farinha, e parte do ácido cianídrico que se concentra em maior proporção nas entrecascas.

O descascamento é manual, feito com facas afiadas ou raspador.
Após o descascamento manual, as raízes devem ser novamente lavadas para retirar as impurezas a elas agregadas durante o processo.

A lavagem e o descascamento bem feitos resultam na obtenção de farinha de melhor qualidade. Após o processo de arranca há dois tipos de procedimento para o beneficiamento da batata:

Figura 5 – Amolecimento da batata

Nesse processo a mandioca é posta a pubar, passa por um período de molho, dois a três dias em média, resultando na massa puba que origina a farinha de massa puba ou farinha d’ água. Nesse processo são utilizados caixas d’água, sacos de fibra, canoas, caixas de madeira e poços delimitados por palha, feitos nas encostas de rio ou em igarapés como reservatórios para colocar a mandioca de molho.

Figura 6 – Massa puba

Ralação-das-Raízes

Depois das batatas estarem raspadas e amolecidas, estão prontas para ralagem, são levadas para o banco de cevar mandioca, como é conhecido na região, que nada mais é que uma cevadeira que contem um rolete ralador (catitu) que é um objeto cilíndrico provido de lâminas de metal, que reduz as raízes a pedaços mais ou menos finos, funciona puxada por motor rabeta movido a gasolina, interligados por uma pulia, onde o produtor retira a rabeta e adapta o mesmo no banco de cevar mandioca, após esse processo a massa está pronta para prensagem.

Antes de ralar a batata o produtor deve verificar o equipamento, os eixos e as polias e a manutenção das serras são indispensáveis para homogeneização da massa, definição da granulometria e aumento do  rendimento do produto.

Figura 7 – Ralação das raízes

O processo de raspagem da batata é realizado manualmente com utilização de facas para a retirada da casca da batata deixando as prontas para ralagem.

Limpeza e raspagem das raízes: Nesse processo as batatas são limpas, e raspadas e posteriormente lavadas, o processo de raspagem é utilizado quando o produtor pretende obter farinha seca ou farinha branca, quando vai produzir farinha sem ser de massa puba e sim de massa ralada.

Depois do processo da arranca e amolecimento da batata, os demais procedimentos acontecem na casa de farinha. Normalmente os produtores utilizam o local mais próximo e viável, quanto ao carregamento de água quando vão tirar goma. A lenha a ser utilizada no forno também fica próxima a área.

Figura 8 – Cevadeira                                       Figura 9 – Rolete da cevadeira ou tarisca ou caititu

Prensagem da Massa Ralada

A prensagem da massa deve ocorrer logo após a ralação, para impedir a fermentação e o escurecimento da farinha. É realizada em prensas manuais de parafuso e tem como objetivo reduzir, ao mínimo possível, a umidade presente na massa ralada para impedir o surgimento de fermentações indesejáveis, economizar tempo e qualidade na torração.

A água resultante da prensagem da massa ralada é chamada “manipueira” e é muito tóxica e poluente. Uma tonelada de mandioca produz cerca de 300 litros de “manipueira”.

Para melhor detalhar esse processo, a saber: a massa é depositada na prensa em panos de fibra ou tela, onde é prensada, durante o processo de prensagem todo o excesso de liquido contido na massa é retirado, a massa fica seca em um tempo médio entre 1 hora a 1 hora e meia, pronta para passar pelo processo de peneragem.

Figura 10 – Prensa

 

Esfarelamento/Peneiragem

Depois que a massa sai da prensa, ela está compactada e deve-se passar para o processo de peneragem. Esse esfarelamento pode ser feito manualmente, com o auxílio de uma peneira e uma gamela feita de madeira. Em seguida passa-se a massa na peneira, na qual ficarão retidas as frações grosseiras contidas na massa, chamada crueira, que podem ser utilizadas na alimentação de animais.

Nesse processo a massa prensada e seca passa pela peneira separando a parte mais grossa “crueira”, que serve de alimentação para o gado, galinhas, patos, porcos, enquanto a parte mais fina (massa) é levada ao forno para ser torrada e transformada em farinha.

 

Figura 11 – Peneiragem

 

Torração 

Após a massa ser peneirada ela é colocada no forno com cuia ou com casco, geralmente o produtor coloca uma casco para escaldar de cada vez, depois de escaldar 5 cascos ele começa o processo de torração, onde retorna ao forno a massa já escaldada e peneirada novamente. Cada escaldada dura em torno de 20 minutos, onde o torrador deve manter a temperatura do forno branda para não queimar o pó da farinha e mantê-la com boa qualidade.

O torrador usa um remo de madeira, vai mexendo, uniformemente, até a secagem final da farinha, que é em torno de 2 horas 2 horas e 30 minutos depois.
Os fornos de secagem devem estar localizados em locais com paredes para proteger o torrador e a farinha contra chuvas e ventos.

A torração tem grande influência sobre o produto final, porque define a cor, o sabor e a durabilidade da farinha e deve ser realizada no mesmo dia da ralação das raízes para manter qualidade do produto final.

Figura 12 – Torração

 

Para torração final o forno deve estar bem aquecido. A lenha geralmente é retirada no mato de um ano para o outro.  O agricultor guarda lenha em baixo da casa de farinha por um logo período, onde ela não deve pegar sol nem chuva para manter a qualidade.

O forno é sentado sobre uma estrutura de barro e madeira embutida a cipós, estes devem ser fortes para aguentar o peso do forno.

Figura 13 – Forno aquecendo                                      Figura 14 – Lenha

 

Empacotamento 

Após a torração completa da farinha, esta deve ser embalada ou empacotada em sacas que seguirão para o armazenamento. O saco é feito a partir de fibras e suporta aproximadamente 80 kg.

 

Armazenagem da Farinha 

 A farinha deve ser armazenada em local seco e ventilado, exclusivo para essa finalidade. Os sacos devem estar colocados sobre estrados de madeira ou grades e empilhados com espaço entre as embalagens. A maioria dos agricultores da comunidade José Gonçalves guardam sua produção desta forma ou em grandes caixas feitas de madeira e forradas com zinco ou alumínio para evitar a umidade e a perda da farinha.

Diariamente o local é inspecionado pelos agricultores, pois, a presença de insetos, ou goteiras podem levar ao comprometimento do produto estocado.

Figura 15 – Casa de farinha

Foto: Duarte / dezembro / 2013

 

A casa de farinha normalmente é construída pelo chefe da família com ajuda dos filhos mais velhos ou de parentes que também a utilizarão, o proprietário da casa de farinha é o chefe da família, sendo que quando algum parente ou amigo precisa utilizá-la, é cedida emprestada para que possa fazer sua farinha.

A estrutura normalmente é construída em madeira roliça ou quadrada retirada na própria comunidade, a estrutura é normalmente coberta em palha ou em alumínio, as laterais são abertas.

No interior da casa de farinha são encontrados os diversos elementos necessários a serem utilizados na fabricação da farinha, são eles: o forno com chapa de metal instalada em uma estrutura onde a base é construída em barro e madeira, remo ou rodo de madeira utilizado para mexer a farinha enquanto está sendo torrada, a prensa e os cepos de madeira que é utilizada no processo de prensagem, a peneira, tachos, gamelas ou cochos de madeira, o banco de cevar mandioca ou cevadeira.

Todo o processo de preparação da farinha é feito dentro da casa de farinha onde ela sai pronta para o consumo, exceto a tirada da mandioca de molho que normalmente acontece fora da casa de farinha.

A época de produção da farinha depende de onde o produtor cultiva a mandioca, se cultivada em área de várzea a produção se dá nos meses de dezembro e janeiro, isso depende muito da cheia, pois o processo de produção se desenrola conforme a subida das águas.

Se cultivada em área de terra firme a produção se dá no mínino quando o plantio de mandioca completa pelo menos 1 ano de idade, quando o plantio ocorre em setembro/outubro à colheita pode ser iniciada um ano depois, nos meses de outubro/novembro, porém a mandioca plantada em terra firme pode ficar até dois anos para ser colhida, isso possibilita ao produtor produzir quando necessitar.

No período de produção da farinha o tempo de trabalho se dá conforme a quantidade de farinha o produtor vai produzir, quando a produção ocorre em área de várzea, normalmente a farinhada se da em torno de dois meses de trabalho, o produtor e seus ajudantes trabalham de segunda a sábado, isso quando as águas sobem normal, pois, quando percebem que a cheia pode comprometer o plantio, o produtor acelera o processo de produção chegando a trabalhar de segunda a domingo para não perder a roça que corre risco de ficar embaixo d’água.

Quando a produção ocorre em área de terra firme, normalmente o produtor trabalha na farinha por período, ou seja, cada período pode durar até um mês de trabalho.

No processo de produção da farinha os participantes do processo variam de família para família, existem casos que toda família participa do processo, nesse caso os homens participam de todo o processo junto com as mulheres e filhos que ajudam nos trabalhos de raspagem da mandioca, tiragem de molho e peneragem, existem casos que a mulher ajuda o marido na torrar, em outros casos somente os homens e os filhos homens participam do processo.

Os tipos de farinha produzidos na região variam de produtor para produtor, uns produzem farinha d’água de massa puba, outros produzem farinha seca de mandioca sevada, outros produzem farinha seca de mandioca sevada misturada com massa puba, mistura na proporção de 50% cevada e 50% puba, outros produzem farinha seca branca de macaxeira, a cor da farinha vai depender do tipo de mandioca que o produtor plantou a granulação, se grossa ou fina também vai depender do diâmetro dos furos da peneira e da experiência do produtor na hora de escaldar a massa.

Normalmente são encontradas farinhas dos seguintes tipos: tipo 1: amarela tipo ova, tipo 2: amarela com caroços granulados não padronizados, tipo 3: amarela grossa com caroços grossos e rústicos.

A quantidade produzida nos dois últimos anos varia de produtor para produtor, em área de várzea a quantidade produzida em 1 hectare é aproximadamente de 50 a 60 sacos de farinha com 50 quilos cada saco, em área de terra firme a quantidade produzida em 1 hectare é de aproximadamente de 60 a 80 sacos de farinha com 50 quilos cada saco.

A farinha produzida em área de várzea normalmente é vendida para regatões, para barcos que levam para os municípios vizinhos e para Manaus e para o comércio local, a farinha produzida em área de terra firme normalmente é vendida no comercio local, vendida para Manaus e para o estado de Rondônia, especificamente para a cidade de Porto Velho.

3. ESTRATÉGIA METODOLÓGICA 

3.1 Materiais e métodos 

Inicialmente foram levantados dados bibliográficos em diversos órgaos responsáveis pelo setor. Após esse procedimento, realizou-se visita in loco e entrevista com os pesquisadores. A coleta de dados foi realizada por meio da realização dos seguintes instrumentos: Entrevistas formais, através de questionários aplicados aos entrevistados e observação no local investigado.

Na opinião de LAKATOS e MARCONI (1999, p. 79):

A observação ajuda o pesquisador a identificar e a obter provas a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. Desempenha papel importante nos processos observacionais, no contexto da descoberta e obriga o investigador a um contato mais direto com a realidade. É o ponto de partida da investigação.

Primeiramente realizei observação sistemática para poder conhecer o meio agrícola, social e familiar a ser investigado, onde essa observação constituiu em anotações e registros para obtenção de dados que pudessem ser usados posteriormente.

Outro meio utilizado foi o questionário, através desse método os dados qualitativos ficam claros quanto aos objetivos de análise que é trabalhar a resposta dos investigados de maneira indutiva, sem uso de hipótese, pois, os dados coletados entrelaçam explicações exclusivas.

Com o uso de um questionário aberto, as perguntas terão respostas livres, onde os pesquisados poderão dar suas respostas de forma simples.

Primeiramente foi realizada observação sistemática para poder conhecer o meio agrícola, social e familiar a ser investigado, onde essa observação constituiu em anotações e registros para obtenção de dados que pudessem ser usados posteriormente.

Outro meio utilizado foi o questionário, através desse método os dados qualitativos ficam claros quanto aos objetivos de análise que é trabalhar a resposta dos investigados de maneira indutiva, sem uso de hipótese, pois, os dados coletados entrelaçam explicações exclusivas.

Com o uso de um questionário aberto, as perguntas terão respostas livres, onde os pesquisados poderão dar suas respostas de forma simples. 

3.2 Observações de campo 

Elaboração e aplicação de um questionário para verificar a viabilidade sócio econômica. (anexo 1)

As observações de campo foram realizadas com acompanhamento dos procedimentos desde a colheita, escolha, separação, até a preparação da farinha.

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Neste tópico trataremos de apresentar a análise teórica dos dados coletados no campo da pesquisa a partir da temática que está inserida neste contexto. Após a devida coleta e tratamento dos dados, trataremos de analisá-lo e interpretá-lo cuidadosamente a fim de extrair as respostas para os problemas que foram objeto de investigação.

A utilização de questionário se faz necessária pelo fato das informações serem coletadas através de um roteiro nas pesquisas qualitativas. As referidas respostas e opiniões dos investigados são escritas para serem analisadas posteriormente. Procurou-se manter as perguntas dos questionários claras e objetivas, por ser uma maneira eficaz de garantir o entendimento dos investigados e, portanto, a realização dos resultados esperados.

Nessa pesquisa, entendemos a observação como um meio de obtenção de informações que possibilita um contato mais direto com os investigadores em questão e a aplicação de questionários semi-estruturados.

Foram realizadas observações diretas e anotadas em ficha de campo as etapas do processo produtivo e processamento da farinha, verificando também as deficiências na produção e comercialização da mesma. Os dados serão tabulados para uma melhor compreensão na análise e discussão. Os registros fotográficos comprovam o processo da cadeia.

A importância da amostragem incide em selecionar parte de um determinado número de pessoas para ser investigada, para que possamos obter informações acessíveis sobre essa população e para que seja possível avaliar os dados essenciais e imprescindíveis a cerca da problemática em questão. Neste caso, selecionou-se 10 famílias de produtores de farinha, moradores da Comunidade José Gonçalves.

A amostragem que foi empregada ressaltou-se na aplicação de elementos planejados, de maneira definida e antecipada, tornando-se assim uma forma propositada de se obter a amostra desejada.

Para as condições em que se conduziu o experimento e considerando apenas um ano agrícola permitem chegar as seguintes conclusões: A variedade local Flexa Amarela foi a espécie que apresentou melhor rendimento de raiz, podendo ser recomendada para plantio na região de Lábrea- AM e por isso é a mais cultiva nesta comunidade.

GRÁFICO 01 – QUANTIDADE DE PESSOAS NA FAMÍLIA QUE FAZEM PARTE DO PROCESSO PRODUTIVO DA FARINHA

Ao questionarmos sobre a quantidade de pessoas que moram na residência, os dados apresentam que 60% das famílias possuem de 3 a 5 membros, totalizando 30% das análises que residem na casa de 7 a 10 pessoas e resultando 10% as famílias que possuem acima de 10 moradores.

Com relação às pessoas que residem na casa, pode-se analisar que se trata de famílias pequenas que incluem homens, mulheres e crianças. Apesar de representar um índice baixo de moradores em uma única residência para uma comunidade rural, pode-se analisar que os mesmos apresentam disponibilidade e interesse na produção da farinha para manterem o mercado local abastecido do produto.

Dentre estas famílias investigadas, algumas afirmaram possuir membros que estão na capital Manaus ou em Lábrea cursando uma faculdade, o que lhes deixa muito satisfeitas em saberem que, em alguns anos terão pessoas com nível superior em sua família.

GRÁFICO 02 – FAZEM PARTE DE ALGUMA ASSOCIAÇÃO

De acordo com a pesquisa realizada com os produtores em relação a fazerem parte de alguma associação ou sindicado de trabalhadores ou agricultores, os dados mostram que 80% dos moradores participam ativamente da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Comunidade José Gonçalves, 10% participam da associação comunitária do Apaieral e 10% não participam de nenhuma associação.

A associação do Apaieral se trata de uma comunidade na terra firma, onde os moradores que participam desta associação também mantêm roçado. Ao questionar o porquê dos investigados não participarem de nenhuma associação, os mesmos relatam que não participam por falta de tempo e por problemas pessoais. Porém, estes são conscientes que os moradores devem estar participando dos acontecimentos que ocorrem em favor da comunidade.

Segundo Arbage (2000) as atividades econômicas evoluíram em todo o mundo ganhando dimensões cada vez maiores e tornando as relações produtivas mais complexas. Para um maior entendimento dessas relações surgiu, entre outros conceitos, o de agronegócio como é usado no Brasil.

O agronegócio representa um “conjunto de setores e subsetores, agentes e instituições que apresentam seu foco principal de trabalho voltado ao setor primário”, ou seja, organizações que produzem alimentos, pelo extrativismo vegetal e pela produção de outras matérias-primas de origem primária, entre outras atividades.

GRÁFICO 03 – QUAIS AS ESPÉCIES MAIS CULTIVADAS

Ao questioná-los quanto às espécies de maniva mais cultivada na comunidade, estes afirmaram totalizando 70 % que preferem a Flexa amarela e a macaxeira pão, por produzir uma farinha de maior qualidade e favorecer as vendas, estas apresentam cor amarelada e sabor original. Ressaltando que a macaxeira pão é responsável pela farinha seca ou branca como também é conhecida e esta é bastante vendável e seu valor financeiro é maior que o da farinha d’água.

Diante das análises percebe-se que 20% dos produtores preferem cultivar a mandioca socó, por se tratar de uma maniva boa e que não se estraga com facilidade e outros 10% afirmaram que preferem plantar a amarelinha, cobiçada ou minerva. Sendo que estas últimas mais cultivadas na terra firma.

GRÁFICO 04 – COMO É FEITO AQUISIÇÃO E ARMAZENAMENTO DAS SEMENTES

Quando perguntados sobre o processo de aquisição e armazenamento das sementes, os entrevistados responderem somando 90% dos dados analisados que os mesmos plantam roçado na terra firme, para guardarem as sementes de um ano para o outro, pois, nos roçados a maniva demora mais conservada e fica protegida para ser plantada. Os demais produtores que juntos totalizaram 10% dos resultados afirmaram que os mesmos, conseguem as manivas com moradores da comunidade que plantam na terra firme ou conseguem com parentes na cidade.

Como pode-se observar nos referidos dados, grande maioria dos investigados guardam suas sementes em locais protegidos e seguros, para quando chega a época da plantação, estes não terem dificuldades em obterem as sementas das melhores manivas que consideram.

GRÁFICO 05 – VERIFICAÇÃO DAS ETAPAS DE CULTIVO: BROCA, PLANTIO, CAPINA E COLHEITA

Ao se tratando do calendário agrícola ao longo da processo produtivo da mandioca, quanto a época da brocagem, da limpeza, do plantio e da colheita da mandioca, os dados analisados dos entrevistados foram unanimes  quanto a este calendário. De acordo com os resultados 100% dos mesmos fazem o mesmo processo durante o ciclo da mandioca. Sendo que existe uma diferenciação da plantação da mandioca da várzea (praia), onde deve ser realizada a colheita impreterivelmente quando a água se aproxima por se tratar de uma área que alaga, que é o caso investigado e da terra firme que dura até três anos.

O calendário agrícola do processo produtivo da mandioca na comunidade José Gonçalves, segue o seguinte fluxo: nos meses de dezembro e janeiro ocorre a broca da praia, ou seja, os agricultores limpam a área a ser utilizada, pois, quando o rio enche fica enche fica encarregado de levar todo o lixo retirado das praias e quando seca a área já esta limpa e adubada e pronta para ser plantada novamente. Porém, este processo depende do fluxo da água que naturalmente faz o seu papel de acordo com o nível de água e tempo de demora para começar a vazar.

Outro fator que deve ser levado em consideração é a brocagem, pois, se a praia não sai boa para plantação, deve haver o processo da broca, onde os agricultores vazem pequenos ou grandes acertos na terra para que esta fica nivelada e apropriada para o plantio. A plantação da praia acontece nos meses de junho e julho que é o período em que começa a vazante do rio. Depois de plantada a mandioca não necessita de cuidados diários, é preciso que a roça seja limpa uma vez por mês, nos decorrer dos meses agosto, setembro, outubro e novembro para quando chegar a época da colheita, a plantação esteja no limpo e apropriada para fabricação da farinha, que é exatamente nos meses de dezembro e janeiro. Ressaltando que este processo depende da enchente e vazante do rio.

Portanto, pode-se analisar que se trata de um processo extenso, porém proveitoso e rendável. Também observa-se que nos meses de dezembro e janeiro acontece a broca e no mesmo período do ano seguinte ocorre a colheita, ou seja, uma safra dura em torno de 12 meses para o produto final.

GRÁFICO 06 – COMO É REALIZADO TODO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA FARINHA SECA

O processo de produção da farinha, ocorre de forma unanime com todos os entrevistados, sendo que 100% fabricam da mesma forma. Com relação a farinha d`água que apresentou-se a mais cultivada, os investigados afirmam que inicialmente decotam a maniva cerca de 1m acima do solo, em seguida arrancam as batata, sacode ou lava para retirar o excesso da terra, dando continuidade corta-se a cabeça da batata, carregam para o local onde ficarão de molho para fermentação, após três dias tiram a massa, separando estas das cascas que são reservadas e servem como ração animal, depois de tirada toda massa, carregam para casa de farinha onde irão coloca-la na prensa para que se extraia toda umidade da massa.

Enquanto a massa está na prensa, demora cerca de 1h e 30 minutos, o fogo deverá ser feito para o processo de escaldação e torrefação da farinha. Depois que massa sai da prensa, ocorre o processo de peneragem, onde os agricultores utilizam uma peneira e uma gamela (caixa de madeira) onde colocam a massa peneirada. Em seguida o torrador faz a escaldação da massa, onde vai colocando um casco de massa e escalda com fogo baixo para não queimar o pó da farinha, depois de escaldada a massa e reserva e outra pessoa peneira novamente, é necessário 5 casco de massa escaldada para formar uma fornada grande com cerca de 40 litros de farinha.

O torrador fica na beira do forno em todo o processo de torragem, sempre atentando para o fogo não alastrar e comprometer a qualidade da farinha. Após, 2h e 30 minutos depois a farinha já está torrada e pronta para ser embalada.

GRÁFICO 07 – COMO É REALIZADO TODO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA FARINHA TOCO MOLE

O processo de fabricação da farinha toco mole, é realizado de forma tradicional por 100% dos agricultores, sendo que realizam esse processo através de experiências próprias e vivenciadas por seus antepassados que também eram agricultores e repassaram seus conhecimentos de geração em geração. Inicialmente o processo de fabricação da farinha toco mole acontece de forma semelhante ao dá farinha d`água, diferença entre os métodos de produção é que na farinha toco mole, enquanto a massa encontra-se em estado de fermentação, os agricultores fazem outra arranca de mandioca e ralam para cevar e misturam com a massa puba, os demais processos ocorrem de maneira singular. A farinha toco mole é muito rentável e de boa qualidade. Porém, os agricultores fabricam por encomenda, por exigir um trabalho mais complexo, demorado e necessita de mais mão de obra.

GRÁFICO 08 – QUEM FAZ PARTE DO PROCESSO PRODUTIVO E AS FUNÇÕES DE CADA UM ENVOLVIDO

De acordo com os resultados da pesquisa, 40% são referentes a mulheres e crianças, estes ficam com os serviços mais leves como: decotar, tirar massa, peneirar e rapar. Os homens fazem o serviço pesado que é: arrancar, carregar e torrar.

Pode-se analisar que todos os membros desempenhos funções no processo de fabricação da farinha, a ajuda é mútua e os envolvidos estão aptos a fazerem suas tarefas com qualidade e perfeição, pois, este processo exige muito tempo e trabalho.

“Atualmente a produção de mandioca é responsável por gerar, direta e indiretamente, cerca de 10 milhões de empregos. A maior parte – cerca de 50% – trabalha com a produção de farinha”. “É, sem dúvida, um tipo de cultura que tende a fixar o homem no campo”. A produção de mandioca no Brasil é de cerca de 26 milhões de toneladas por ano. (PEDUZZI, 2009).

GRÁFICO 09 – QUAIS OS TIPOS DE FARINHA PRODUZIDA NA COMUNIDADE

O estudo realizado mostrou que a preferencia dos produtores é por dois tipos de farinha: a d’água e a toco mole. Sendo que 90%  dos investigados optam na escolha da farinha d`água por possuir um mais prática mas não menos trabalhoso, do que a produção da farinha toco mole que exige mais mão de obra e trabalho dobrado A opção pela fabricação desta qualidade de farinha totalizou 40% dos resultados das análises dos dados.

Para fabricação da farinha d`água os produtores utilizam a massa puba e na farinha toco mole usam a massa puba mais massa cevada, sendo estas duas misturadas em uma proporção de ¼ cevada para ¾ de puba. Segundo os agricultores é necessário esta mistura para se obter uma farinha de maior qualidade e não provocar a sensação de saciedade, ou seja, se a farinha não for bem feita e com as combinações de misturas balanceadas, esta poderá causar efeito de azia e inchaço no estomago.

GRÁFICO 10 – QUAL A IMPORTÂNCIA (SOCIO-ECONÔMICA) DA FARINHA PARA A MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA? (SUSTENTO FAMILIAR).

Quando interrogados sobre a importância sócio econômica da produção da farinha para as famílias investigadas, 100% afirmaram que é fundamental, pois, contribui diretamente no sustento da família. Pode-se analisar que a renda principal destas famílias é através da produção de farinha, sendo que os mesmos possuem outras ocupações, mas o primordial é a produção da farinha.

Almeida (2005) salienta a importância das atividades econômicas crescerem com sustentabilidade e conforme esse mesmo autor sustentabilidade seria “o resultado do equilíbrio entre a dimensão ambiental, econômica e social nos empreendimentos humanos”.

Já PORTILHO (2005) define a sustentabilidade como a interação entre o fator ambiental e o social, onde se enfatiza a satisfação das necessidades humanas considerando a preocupação com as gerações futuras, e Cronway (2003) afirma que a agricultura sustentável, considerando uma visão ambientalista, seria uma maneira de prover alimentos suficientes sem degradar os recursos naturais. A contribuição dos setores agrícolas para a poluição aumentou e suas consequências são muito graves, principalmente a deterioração dos recursos naturais.

GRÁFICO 11 – QUAIS AS DIFICULDADES ENFRENTADAS NA PRODUÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO DA ESPÉCIE MAIS CULTIVADA.

Quanto às dificuldades encontradas na produção e comercialização da farinha, os resultados da pesquisa apontam que 80% dos principais empecilhos encontrados é a falta de uma casa de farinha mecanizada e adaptada para a produção da farinha e 20% afirmam que a principal deficiência é a falta de tanque próprio, pois, os mesmos são feitos em madeira e se não houver os cuidados necessários poderão estragar com facilidade, então pedem a outros produtores emprestados para sua produção, e se, houver o acaso do proprietário está usando o tanque, então fica difícil de atender as duas demando e logo, alguém vai se prejudicar e comprometer sua produção.

GRÁFICO 12 – COMO É FEITA A DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO

Em se tratando da distribuição e comercialização do produto final da mandioca, a farinha, os entrevistados afirmam na sua maioria, totalizando 70% que os mesmos trazem o produto para cidade para comercialização e 30% relatam que os compradores se dirigem até a comunidade para comprarem a produção.

Ressaltam que o valor do produto, foi valorizado em comparação aos anos anteriores, uma vez, que devido a elevação da água, a enchente foi grande e a maioria dos produtores perderem sua produção, o que dificulto o abastecimento do produto local, por isso o aumento no custo da farinha.

Na safra passada, os produtores vendiam a saca de farinha com 80 litros de R$ 80,00 e nesta, o valor financeiro saiu por R$ 350,00 um aumento grande para o vendedor e para o consumidor. No entanto, como a safra foi escassa, os produtores guardaram parte de sua produção para o consumo, e a população também sofreu com esta deficiência, pois, o valor para o consumidor foi elevado.

GRÁFICO 13 – PARA QUEM COMERCIALIZAM

Segundo os dados da pesquisa, quanto a comercialização da farinha, 60% afirmam que distribuem diretamente para os comerciantes, 20% relatam que comercializam para parentes e 20% tratam diretamente com terceiros ou atravessadores.

Diante dos resultados, analisa-se que os produtores fazem a distribuição da farinha principalmente para os comerciantes locais, onde também fazem a comercialização para outras localidades, fazendo o transporte fluvial para Canutama, Tapauá, Pauini e Manaus e por rodovia para Porto Velho.

Há também a venda do produto na feira local, onde a farinha é de ótima qualidade e o preço também é tabelado.  E também existe diferença entre as qualidades da farinha, sendo classificadas pela cor e pelo sabor. Quanto mais amarela a farinha, o custo desta torna-se mais elevada.

GRÁFICO 14 – POSSUEM INCENTIVO DO GOVERNO QUANTO A FINANCIAMENTO

Diante das indagações pertinentes a pesquisa, pode-se questionar os entrevistados se os mesmos receberam algum tipo de incentivo financeiro por parte do Governo, sendo que 80% afirmaram que não e 20% relataram que já receberam financiamento do governo através do Programa PRONAF do Governo Federal. Onde os agricultores faziam um financiamento no valor de até R$ 3.000,00 por pessoa da família e tinham um período de carência, para começarem a pagar. Com este valor, os agricultores podiam comprar seus utensílios para serem usados na agricultura, bem como motor de polpa ou rabeta, gerador, canoa, forno, etc.

Diante da oportunidade, os pesquisados que foram beneficiados com este financiamento também puderam ganhar incentivos do governo estadual. Relatam também que quando tinham um acompanhamento da EMATER, atual IDAM, segundo os investigados nesta época os agricultores eram mais assistidos pelo governo.

GRÁFICO 15 – QUAIS FINANCIAMENTOS O PRODUTOR RECEBE OU RECEBEU DO GOVERNO?

Ao interrogados sobre o incentivo que recebem por parte do Governo, os mesmos afirmam totalizando 80% que não recebem ou já receberam incentivo algum, quanto a produção e comercialização da farinha e 20% relatam que há exatamente 15 anos atrás ganharam do Governo Estadual, referente ao Programa 3° ciclo no mandato do prefeito José Olímpio Filho em Lábrea e na gestão do Governador do Amazonas o Sr. Amazonino Mendes, os mesmos garantem que receberam forno, caititu, motor de polpa, motor gerador de energia, enxada, terçado, enxadeco, boca-de-lobo, entre outros utensílios que foram doados para os agricultores, para auxiliar na produção da farinha e na agricultura familiar de modo geral.

Os participantes da pesquisa que afirmaram já terem recebi do Governo apoio financeiro para produção agrícolas, afirmam que são os moradores mais antigos desta comunidade e que moraram em outra comunidade quando  foram contemplados com estes utensílios.

GRÁFICO 16 – JÁ RECEBE ORIENTAÇÃO TÉCNICA AGRÍCOLA EM SUA PROPRIEDADE.

De acordo com os dados analisados, 80% dos entrevistados não receberam nenhuma orientação técnica agrícola na sua propriedade e 20% afirma que já receberam orientações na propriedade por equipe formada por funcionários da EMATER, atual IDAM, composta entre eles o senhor Joaquim.

Segundo os moradores da comunidade José Gonçalves que afirmaram já terem recebido orientações, listam que estas se tratavam de: dicas de como plantar a maniva, o espaçamento entre uma cova e outra, para não impedir o crescimento das batatas, como fazer a farinha toco mole. Estas informações foram essenciais, pois, apesar de possuírem experiência na produção da farinha, oriundas de seus antepassados necessitavam de outras orientações sobre a melhor prática de produzir a farinha.

GRÁFICO 17 – QUAIS OS PROBLEMAS QUE IMPEDEM O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA NO MUNICÍPIO

Ao questionados sobre os problemas encontrados que impedem o desenvolvimento da agricultura local, os entrevistadores responderam totalizando 70% que faltam incentivos do Governo, com financiamentos, doação de utensílios agrícolas e apoio as associações, nas questões de regularização das associações para pegaram contrato com empresas de grande porte.

E somando 30% das demais análises dos dados encontram-se os produtores que afirmam que o maior problema identificado que impede o desenvolvimento da agricultura no mercado local é a carência de assistência técnica especializada, oferecendo orientações e maneiras diferenciadas de fazer o cultivo da mandioca, para obter maiores resultados.

GRÁFICO 18 – VOCÊ TEM VONTADE DE MELHORAR O PLANTIO EM SUA PROPRIEDADE

Para a implementação de um biodigestor em regiões ribeirinhas da Amazônia, devem-se realizar várias etapas. Começando com a viabilidade do projeto, planejamento da planta de biogás e finalizando com a sua operação. Sendo que todas essas etapas têm que levar em consideração os recursos humanos e financeiros disponíveis.

É importante, para isso, que sejam consideradas com o mesmo grau de detalhamento desde o início do projeto as três áreas apresentadas na figura 1.(GORISCH; HELM, 2006).

Figura 16. Diagrama do planejamento de uma planta de biogás. Fonte:GÖRISCH, U; HELM M

            A Bacia Amazônica abrange uma área de aproximadamente 4,5 milhões de Km² no território brasileiro, dos quais 75% são solos de baixa fertilidade (Sanchez et al.,1982), o que consiste num problema para qualquer tipo de cultivo, principalmente quando se considera a escassez de infraestrutura da região no que se refere à disponibilidade de insumos agrícolas.

A temperatura média anual é de aproximadamente 26,7 °C, tendo uma variação entre 23,3 °C e 31,4 °C.Possui duas estações distintas:Chuvosa (inverno), de dezembro a maio; e a seca (verão), de junho a novembro, e temperatura média acima de 35 °C.

O uso da terra consiste no desmatamento, remoção da madeira com expressividade econômica, quando não uso como lenha para suas casas ou utilização de queimadas para fazer pastos ou plantações em larga escala. Segundo Diez et al.(1991), as mudanças no conteúdo de nutrientes e nas propriedades físicas do solo tem sido relacionadas com diferentes formas de cultivo. Vários estudos relataram aumento no pH do solo, no teor de cátions trocáveis e redução da acidez trocável decorrentes do desmatamento e queima da floresta (Martins et al.,1991), além do desmatamento também afetar a concentração de C/N.

Além dessas deve-se levar em consideração várias circunstâncias, como a profundidade dos lençóis freáticos, a área para a instalação do biodigestor, a capacidade de biogás produzido, entre outros. Se caso for preciso diminuir a profundidade, deve-se aumentar o diâmetro, e vice-versa. Tendo como base o biodigestor indiano, que é mais prático para se observar a sua dimensão Sganzela (1983) criou duas tabelas que tem como relação profundidade X diâmetro e levando em consideração o fator clima.

Tabela 1 – Biodigestores com pouca profundidade

Capacidade do Tanque Digestor (em m³) Dimensões do Tanque Digestor (diâmetro x m) Dimensões da Campânula

Clima Frio/Temperado Clima Tropical

(diâmetro X m)              (diâmetro X m)

8m³ 2,00 x 2,60 1,80 x 1,10 1,80 x 2,30
10 m³ 2,20 x 2,70 2,00 x 1,10 2,00 x 2,50
12 m³ 2,35 x 2,80 2,15 x 1,10 2,15 x 2,50
15 m³ 2,53 x 3,00 2,33 x 1,20 2,33 x 2,50
18 m³ 2,70 x 3,15 2,50 x 1,20 2,50 x 2,60
 

Relação Biomassa/ Biogás                              2,4:1 m³                          1:1 m³

Fonte: SGANZERLA, 1983, p. 42.

 

Tabela 2 – Biodigestores com maior profundidade

Capacidade do Tanque Digestor (em m³) Dimensões do Tanque Digestor (diâmetro x m) Dimensões da Campânula

Clima Frio/Temperado Clima Tropical

(diâmetro X m)              (diâmetro X m)

8m³ 1,70 x 3,60 1,50 x 1,50 1,50 x 3,30
10 m³ 1,85 x 3,80 1,65 x 1,50 1,65 x 3,40
12 m³ 1,97 x 4,00 1,77 x 1,55 1,77 x 3,55
15 m³ 2,10 x 4,40 1,90 x 1,60 1,90 x 3,80
18 m³ 2,20 x 4,80 2,00 x 1,75 2,00 x 4,10
 

Relação Biomassa/ Biogás                              2,4:1 m³                          1:1 m³

Fonte: SGANZERLA, 1983, p. 43.

 

As tabelas 1 e 2 mostram a diferença entre as dimensões devido ao clima. Além disso, em regiões de clima frio temperado, a produção do biodigestor segue à relação 2,4m³ de biomassa para um m³ de biogás, já em clima tropical, a relação muda para 1m³ de biomassa para 1m³ de biogás. Isso denota que a variação de temperatura interfere na produção, mas há uma solução para biodigestores de clima frio ou temperado, segundo Sganzela, que é instalando um sistema de aquecimento da água a ser misturado à biomassa, tal aquecimento pode ser realizado pela energia solar ou do próprio biogás. Com esse aquecimento a relação de biomassa/ biogás chega aproximadamente à 1:1 m³.

Levando em consideração que a implantação do biodigestor será nas zonas rurais, submete-se que o substrato será composto de resíduos animais e de resíduos agrícolas. A produção de biogás irá amenizar a falta de energia elétrica nas residências, o desmatamento e haverá uma grande economia na própria energia.

Já o biofertilizante poderá ser utilizado para uso próprio ou então para a comercialização.

O dimensionamento da planta levando em consideração os dados levantados foi definido em um modelo contínuo e devido à baixa renda dos produtores rurais os biodigestores chinês e indiano são os mais recomendados para a construção.

A tabela 3, a seguir, apresenta as características gerais dos biodigestores dos modelos Chinês e Indiano, demonstrando as vantagens e desvantagens de cada um.

Tabela 3 – Comparação de características de construção

SISTEMA CHINÊS SISTEMA INDIANO
MATERIAIS

Tijolo, pedra, concreto, areia, cimento, ferro.

SISTEMA
Abastecimento periódico,

esvaziamento não periódico

Abastecimento e esvaziamento

periódicos.

POSSIBILIDADE DE AUTO-INSTALAÇÃO
Pode ser montado inteiramente pelo usuário, desde que tenha bastante habilidade como pedreiro. Pode ser montado pelo usuário, mas a câmara de gás deve ser feita em oficina metalúrgica.
ISOLAMENTO TÉRMICO
Feito dentro da terra, tem bom isolamento natural e a temperatura é mais ou menos constante. Pode-se melhorar o isolamento fazendo o biodigestor sob currais ou estábulos. Tem perdas de calor pela câmara de gás metálica, difícil de isolar, menos indicado para climas frios.
PERDAS DE GÁS
A parte superior deve ser protegida com materiais impermeáveis e não- porosos; difícil obter construção estanque. Sem problemas
MATÉRIAS-PRIMAS USADAS
Esterco e outros restos orgânicos (incluindo materiais fibrosos), excrementos humanos. Esterco, excrementos e materiais fibrosos acrescentados como aditivo.
PRODUTIVIDADE
Tempo de digestão 40-60 dias; produção de 150 a 350L por m³ do volume do digestor/dia. Se for perfeitamente estanque pode produzir até 600L/m³/dia Tempo de digestão 40-60 dias, produção 400 a 600 L/m³ do digestor/dia.
MANUTENÇÃO
Deve ser limpo uma ou duas vezes por ano. A câmara de gás deve ser pintada uma vez por ano.
CUSTO
Custo baseado principalmente no preço da alvenaria Custo baseado principalmente no preço do metal de construção
MELHORIAS POSSÍVEIS
Abóbada impermeável, adoção de agitadores, montagem de aquecimento. Campânula inoxidável, melhoria no isolamento térmico da mesma.

Fonte:BARRERA, Paulo, 1993.

 

Tendo em vista os dados apresentados, optou-se o dimensionamento de um biodigestor do tipo chinês, devido principalmente ao custo de implantação e disponibilidade de materiais, além da mão de obra especializada requerida para construção de um biodigestor indiano.

Ao se dimensionar biodigestores do modelo chinês, é necessário levar em conta uma série de fatores, tais como altura, raio, centro do gasômetro (campânula), volume de biogás requerido por dia e tempo de retenção (FLORENTINO, 2003)

Para dimensionar o biodigestor, isto é, determinar sua vazão de substrato, utilizam-se as seguintes equações:

Onde Q é a vazão média de substrato, TRH é o tempo de retenção hidráulica do substrato e V é o volume útil do biodigestor.

Para resíduos orgânicos domésticos, o TRH é de aproximadamente 25 dias (DEUBLEIN; STEINHAUSER, 2008).

As dimensões adequadas ao biodigestor, adaptadas de Costa; Silva; Gomes (1983, p44), são as seguintes:

  1. Raio da Cúpula (r1) – 1,66m;
  2. Altura sobre a laje para fixação do gabarito – 1,22m
  3. Raio da escavação do Cilindro (R) – 1,58m;
  4. Profundidade da escavação do Cilindro (P) – 2,9m;
  5. Raio interno do Cilindro (r2) – 1,45m;
  6. Altura do Cilindro (h2) – 2,03m;
  7. Profundidade de escavação do degrau superior da Caixa de Descarga (PS) – 1,31m;
  8. Profundidade de escavação do degrau inferior da Caixa de Descarga (PI) – 2,41m;
  9. Desnível do degrau inferior da Caixa de Descarga (DDI) – 0,49m;
  10. Raio de escavação da Caixa de Carga (RCC) – 0,61m;
  11. Profundidade de escavação da Caixa de Carga (PCC) – 0,20m;
  12. Altura da Carga de Carga (HCC) – 0,70m.

A quantidade de materiais exigidos para fazer o biodigestor foi baseado nas dimensões oferecidas por Costa; Silva; Gomes (1983, p.44) e o custo prévio foi baseado na tabela 7.

Desta forma, com estas condições estabelecidas, pode-se calcular o volume útil do biodigestor, que será:

Com o volume útil calculado, pode-se então obter a vazão de substrato necessária, levando em conta um TRH de aproximadamente 25 dias.

 

Logo após a obtenção do volume útil do biodigestor (V) basta multiplicar o fator de rendimento (K) para conhecer o volume de biogás teórico (B) que será produzido ao final da fermentação, segundo Ortolani ET AL.(1991).

V= K.B

Barrera et, al (1993) Fala que o valor de K varia entre 0,7 a 4 dependendo dos seguintes fatores: Temperatura, tipo de substrato, diluição e reabastecimento.

Seguindo as restrições do modelo indiano no formato cilíndrico vem que:

VB =  >1,1. V

0,6≤ Di/ H ≤1

Onde,

Di – é o diâmetro do cilindro

VB – É o volume do biodigestor até o nível do substrato

H – Alturas do substrata

            Os materiais do biodigestor chinês se resumem a cimento, tijolos, areia, pedra brita, barras de ferro, tubos de PVC e canos galvanizados. Para se ter uma noção de custos com os materiais, foi realizado uma pesquisa de preço em 2 empresas de materiais de construção em Manaus: SHOP LU Materiais de Construção e S.S. Materiais de Construção. Na tabela a seguir, apresenta-se o custo unitário de cada material a partir dos orçamentos realizados.

TABELA 4 – CUSTO DOS MATERIAIS PARA A CONSTRUÇÃO

Fonte: Pesquisa de Campo – Out.2014, Manaus.

Como as lojas de materiais de construção não vendem ferro galvanizado foi necessário fazer o orçamento em outra empresa especializada nesse tipo de material: a Tubo Aço e o valor da barra é o que está representado na tabela acima.

A quantidade de materiais exigidos para fazer o biodigestor foi baseada nas dimensões oferecidas por Costa; Silva; Gomes (1983, p.44) e o custo prévio foi baseado na tabela 4.

TABELA 5 – MATERIAIS E CUSTO DA CONSTRUÇÃO DO BIODIGESTOR

Fonte: Pesquisa de Campo – Out.2014, Manaus.

 

Este total de R$6941,20, não inclui o frete, a mão de obra qualificada, ou a preparação do local. Outro fato a ser considerado é que a pesquisa de preço foi feito na capital amazonense, podendo haver convergências de preço. O preço final da construção do biodigestor pode chegar ao máximo ao seu dobro R$13.882,40.

Com essas dimensões do biodigestor, ele irá produzir 4,20m³/dia de biogás, atendendo as necessidades básicas de quatro pessoas. Segundo Costa, Silva e Gomes (1985, p.37), “no caso de uma família de cinco pessoas, usando o gás para atender às necessidades de cozimento, ferro de passar roupa, geladeira e iluminação, a reserva útil deve ser igual a 941 litros, quando se dispõe de um biodigestor com produção diária de 5m³ (5000 litros)”.

Figura 17. Tambor da esquerda: reservatório de gás e o da direita câmara de fermentação.

Para analisarmos a quantidade de biogás produzido pelas biomassas regionais da Amazônia, foi construído um biodigestor caseiro adaptando os estudos realizados por Silva.

Os materiais para a construção segundo Silva, são: 2 tambores de 200 lt; 1 tambor de 50 lt; 6 m de mangueira de 3/4; 1 barra de ferro 3/8 de 6m; solda; 3 registros 3/4; 2 registros de 1/2 , dois registros de 1″; 1,5 m de cano PVC de 2″; cola plástica; durepox.

Figura 18. Tambor de 50L e filtros do biogás.

 

Procedimentos para construção: tanto no tambor da câmara de fermentação e no reservatório de gás, foram feitos dois furos na lateral, de cada tambor, para ser instalado tubos com roscas para fixar os registros. No tambor de fermentação o registro superior de 1/2 será para saída de biofertilizante menos viscoso e no inferior 1″ para o mais viscoso e na superfície superior foi feito um furo para um registro de 3/4 e um para ser feito um funil por onde será despejado a biomassa, já no reservatório de gás, foi utilizado para controlar o nível e a vazão de água, em relação às especificações dos registros são as mesmas do outro e foi realizado o mesmo procedimento de instalação do tubo na lateral. Depois de feito a instalação dos registros foi aberto o tambor do reservatório de biogás para ser colocado o tambor de 50lt no seu interior, após isso, usando a barra de6m foram feitos cortes dividindo ela em 4 pedaços com 1,5m e soldado no fundo do tambor de 200lt para servir de limitador, para o tambor menor não ficar se movimentando para os lados e sim somente para cima e para baixo. O tambor menor é o recipiente de gás e estará emborcado e rodeado por água, sendo que a água é um ótimo impermeabilizante e isolante dificultando a vazão de gás, com o decorrer dos dias ele estará subindo para indicar que já está produzindo gás e quando estiver descendo é que está sendo usado ou possui algum vazamento. No fundo do menor será feito dois furos para a instalação de dois registros de 3/4 um para o recebimento de gás do tambor de fermentação e um para a saída de gás para o fogão ou pra outra utilidade que necessita de pouco gás.O cano de PVC foi dividido em duas partes, onde irá funcionar como um filtro no biodigestor

O custo médio para a construção de um biodigestor caseiro é de aproximadamente R$600,00 e ele pode ser utilizado por produtores rurais que não possuem uma condição financeira favorável e o custo pode ser barateado dependendo do material utilizado para produzi-lo. Seguindo essas especificações, esse projeto piloto pode sustentar uma família de 4 pessoas produzindo biogás para preparar alimentos e o biofertilizante para a sua plantação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Diante das indagações, acerca da melhoria em todos os processos de cultivo da mandioca os entrevistados, relatam somando 50% das análises que estes possuem vontade de aumentarem a quantidade do produto, sendo que é possível através da implantação de casa de farinha mecanizada, uma vez, que o serviço torna-se mais produtivo e consequentemente, a quantidade do produto será maior. E segundo os entrevistados, que juntos somaram 50% das análises relatam que gostariam de aumentar a produtividade, logo, em consonância com os demais investigados que optarem em aumentar a quantidade do produto, estes, estão com o mesmo pensamento, de aumentarem a produtividade.

Tal aumento é ocasionado com incentivos financeiros por parte do governo, assistência técnica agrícola. Por meio de técnicas e estudos específicos para fertilização do solo, os produtores poderão ter maior qualidade no cultivo das batatas e logo, o aumento da produção.

 

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  1. Professor amazonense ganha prêmio internacional com projeto que reutiliza cascas de frutas http://globotv.globo.com/rede-amazonica-am/amazonas-tv/v/professor-amazonense-ganha-premio-internacional-com-projeto-que-reutiliza-cascas-de-frutas/3734622/ Acessado em: 20 de Junho de 2019.

43.    Biodigestor transforma frutas em gás de cozinha, no AM

http://g1.globo.com/am/amazonas/amazonas-tv/videos/t/edicoes/v/biodigestor-transforma-frutas-em-gas-de-cozinha-no-am/3939928/

 

  1. MOURA, J. P. . PRODUÇÃO DE BIOGÁS-PARTE 1. REVISTA AGRIMOTOR, v. 8, p. 24, 2012; Meio de divulgação: Vários. Homepage:http://www.agrimotor.com.br/Flip/AR/AR_72/index.html#/24/; Série: 72; ISSN/ISBN: 21780625.
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  3. MOURA, J. P. . PRODUÇÃO DE BIOGÁS-PARTE 3. REVISTA AGRIMOTOR, v. 8, p. 48, 2012; Meio de divulgação: Vários. Homepage:http://www.agrimotor.com.br/Flip/AR/AR_74/index.html#/48/; Série: 74; ISSN/ISBN: 21780625.

 

  1. TORRES, A. ; PEDROSA, J. F. ; MOURA, J. P. . IMPLANTAÇÃO DE BIODIGESTORES EM PROPRIEDADES RURAIS-PARTE 1. REVISTA AGRIMOTOR, v. 8, p. 26, 2012; Meio de divulgação: Vários. Homepage: http://www.agrimotor.com.br/Flip/AR/AR_75/index.html#/26/; Série: 75; ISSN/ISBN: 21780625.

 

*Raimundo Nonato Duarte Amâncio – Diretor do Centro de Estudos Superiores de Lábrea da Universidade Estadual do Amazonas

**Carlos Victor Bessa Correa – Coordenador-Geral do Curso Superior de Tecnologia em Alimentos da Universidade do Estado do Amazonas-UEA

***Johnson Pontes de Moura – Engenheiro Químico e Mestre em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (E-mail: [email protected])

 



Fonte: Espaço Ecológico



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