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Artigo da UFSM publicado em jornal britânico apresenta nova hipótese sobre origem de grupo de dinossauros

Compartilhe:     |  27 de agosto de 2020

Uma lacuna na base evolutiva dos ornitísquios — ordem dos dinossauros herbívoros caracterizados por chifres e armaduras, como o triceratops e o estegossauro — pode ter sido preenchida. Um artigo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), publicado no jornal científico britânico Biology Letters nesta quarta-feira (26), propõe a hipótese de que parentes distantes desses dinossauros, encarados até então como “linhagens fantasmas”, podem ser considerados ancestrais de fato.

Na árvore evolutiva dos dinossauros, dois grupos se destacam: os ornitísquios e os saurísquios (como o tiranossauro rex e o velociraptor). O segundo é bastante encontrado nos três períodos da era mesozóica — Triássico, Jurássico e Cretáceo, informa o estudo. O primeiro, no entanto, tem escassez de fósseis no período mais “antigo”, o Triássico.

Até o momento, a sugestão de que os ornitísquios surgiram mesmo no Triássico se dá por espécies semelhantes mas de características diferentes, que não eram considerados dinossauros. Agora, com o estudo da dupla, os antepassados primitivos do triceratops, os silessaurídeos, podem ter sido reconhecidos como “parentes próximos”. (Veja nas ilustrações)

“Algumas formas [de fósseis] começam a acumular características que vão estar presentes nos ornitísquios, muitas relacionas à dentição e algumas a ossos do crânio. A mandíbula também é uma espécie de projeção óssea, que é comum nos silessaurídeos”, explica Müller.

Esquema apresenta nova hipótese com silessaurídeos na base evolutiva dos ornitísquios — Foto: Márcio Castro/Reprodução

Esquema apresenta nova hipótese com silessaurídeos na base evolutiva dos ornitísquios — Foto: Márcio Castro/Reprodução

Os silessaurídeos são conhecidos em rochas de vários lugares do mundo, incluindo o Brasil. Entre eles, Sacisaurus agudoensis, um pequeno animal que viveu cerca de 225 milhões de anos atrás e foi encontrado em Agudo, na Região Central.

Ao todo, a dupla fez mais de 17 mil pontuações em uma matriz de dados para chegar a esta conclusão. Müller conta que foram analisadas 277 características de esqueleto de 62 espécies. Com a pesquisa, ele espera que ideias anteriores possam ser revisadas e ajudar a orientar novas descobertas.

“Tem muitas hipóteses vigentes. Em certos aspectos, esta é mais plausível, em outras, não. Vamos testar nas várias matrizes e ver o resultado. Mas tem um impacto, sim, porque a origem dos dinossauros é bem debatida”, afirma o paleontólogo.

Outra novidade que a hipótese alternativa revelou foi que os ancestrais dos ornitísquios eram, possivelmente, carnívoros. O mesmo padrão também tem sido observado no grupo dos sauropodomorfos (os gigante pescoçudos, como o bontossauro), que teriam sido originados de um ancestral pequeno, bípede e carnívoro, embora sejam herbívoros.

O Sacisaurus agudoensis, pequeno animal que viveu cerca de 225 milhões de anos atrás, foi encontrado em Agudo — Foto: Márcio Castro/Reprodução

O Sacisaurus agudoensis, pequeno animal que viveu cerca de 225 milhões de anos atrás, foi encontrado em Agudo — Foto: Márcio Castro/Reprodução



Fonte: G1 RS - Matheus Beck



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