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As consequências da obesidade infantil – Conheça os melhores tratamentos

Compartilhe:     |  28 de agosto de 2020

Excesso de tempo em frente às telas. Falta de atividades físicas. Alimentação inadequada, pobre em nutrientes e rica em gorduras, sal e açúcar. Essa tríade é a responsável por um alarmante crescimento nos casos de obesidade entre crianças.

De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), de 2019, uma em cada três crianças brasileiras está acima do peso. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, em 2025, cerca de 75 milhões de crianças serão obesas no mundo. Esse é um grave problema de saúde pública em todas as faixas etárias, mas a infância é a fase mais propícia para uma mudança real de hábitos, que podem fazer toda a diferença e ajudar a diminuir as estatísticas de obesidade.

Saiba abaixo o que configura a doença, quais as complicações e melhores tratamentos.

O que é obesidade infantil

A obesidade na infância, período que configura a faixa etária entre 0 e 12 anos, ocorre quando há um desequilíbrio caracterizado pelo excesso de peso. Esse aumento de gordura corporal é prejudicial à saúde, podendo levar a doenças, como diabetes, problemas cardiovasculares, entre outros.

Geralmente o ganho de peso corporal entre crianças está mais associado a maus hábitos alimentares, sedentarismo e genética. Menos de 5% dos casos ocorrem em decorrência de doenças endocrinológicas. Na infância existe ainda um velho mito de que a gordura é sinal de saúde, principalmente entre bebês. Mas isso não é verdade. Todas as crianças e adolescentes precisam ser avaliados de acordo com as curvas específicas de índice de massa corporal (IMC) que são mais adequados para a idade e gênero. Ter gordura sobrando não é um bom sinal. Essa é uma velha crença que precisa ser eliminada.

Crianças com pais obesos têm ainda mais chances de sofrerem com o problema. Algumas pesquisas mostram que esse risco é de até 50%, caso um dos pais seja obeso, e 100% se os dois forem. Além do componente genético, existe uma influência grande do ambiente. Pais obesos tendem a ter uma alimentação inadequada e a criança aprende a se alimentar assim. Já existem estudos que mostram que crianças acima do peso têm 75% mais chance de serem adolescentes obesos e 89% dos adolescentes obesos tendem a se tornar adultos com obesidade.

O distúrbio tem ainda um importante impacto na saúde emocional, e pode influenciar em quadros de ansiedade e depressão, além de favorecer um isolamento social por parte da criança obesa, que se sente excluída e diminuída por sua condição.

As consequências da obesidade infantil

Uma criança obesa tende a se tornar um adulto obeso, e levar para a vida toda problemas graves de saúde. A obesidade está associada a um aumento no risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, colesterol alto, doenças da vesícula biliar, alguns tipos de câncer, má formação do esqueleto, problemas de crescimento, distúrbios respiratórios e problemas ortopédicos.

A obesidade impacta no tempo de vida da criança e na qualidade de vida. Por isso deve ser combatida e, preferencialmente, prevenida, com medidas de reeducação alimentar, inserção de exercícios físicos e menor tempo de exposição a aparelhos eletrônicos.

Os melhores tratamentos para obesidade na infância

Como a obesidade está muito relacionada aos maus hábitos alimentares e sedentarismo, o ideal é que toda a família passe por uma mudança importante na forma como se alimenta e passe a se exercitar. Isso ajuda a criança a conseguir cuidar da própria saúde, de modo mais confortável e positivo.

O tratamento da obesidade envolve um enfrentamento multidisciplinar, mas alguns cuidados ajudam – e muito – na tarefa de evitar que a criança continue obesa:

  1. Estimule a prática de atividades físicas – O sedentarismo é um dos principais inimigos de uma boa saúde. O corpo foi feito para se movimentar. Porém, no caso das crianças, essa tarefa não pode ser maçante e burocrática. É preciso que seja lúdica. Pular corda, amarelinha, praticar um esporte, dançar. Tudo isso é atividade física e ajuda os pequenos a aprenderem e gostarem de se movimentar. O recomendado é que as crianças façam pelo menos 1 hora de brincadeiras com movimentos;
  2. Invista em uma alimentação de qualidade – Tão importante quanto praticar atividades físicas é se alimentar corretamente. Para isso, os adultos precisam participar dessa mudança de hábitos, caso contrário a criança não vai aderir à mudança. Uma alimentação saudável é rica em produtos in natura, como frutas, verduras, legumes, sementes e grãos, variada e colorida. Evite ao máximo alimentos industrializados, que são ricos em açúcar, gordura e sódio, e podem viciar o paladar da criança. Não precisa abolir o doce, mas deixe-o para os fins de semana, ocasiões especiais.
  3. Diminua o tempo de telas – Na mesma medida em que praticar atividades físicas é importante, reduzir o tempo que as crianças passam em frente aos eletrônicos é igualmente essencial. O excesso de telas é prejudicial em todas as idades, mas na infância é ainda mais grave, pois tira da criança o tempo de brincar, se movimentar e aprender. Novamente, a dica aqui não é cortar o jogo que a criança tão gosta, mas reduzir o tempo de uso;
  4. Seja o exemplo – Não adianta muito modificar apenas os hábitos alimentares da criança, e continuar comendo salgadinhos e bolachas perto dela. O exemplo é a melhor forma de ensinamento na infância. Se os pais não compram guloseimas, os filhos têm bem menos acesso a esses produtos. Então, na hora de fazer as compras, pense nisso, e invista em alimentos saudáveis, integrais. Vá mais na feira do que ao supermercado e acrescente receitas novas no cardápio
  5. Esqueça as dietas – Impor uma alimentação rigorosa não funciona. Deixar a criança no regime o tempo todo só a desestimula. O ideal é que essa mudança seja feita aos poucos e de modo permanente. A reeducação alimentar permite que a criança continue comendo de tudo, mas alimentos melhores. A partir do momento que os pais conseguem reeducar o paladar dos filhos, eles mesmo não vão querer ficar consumindo produtos industrializados, muito doces ou cheios de gordura. É um empoderamento para toda a vida;
  6. Dê a alimentação a importância que ela tem – A hora de comer precisa ser tranquila e, de preferência, à mesa. Evite também pedir comida fora, sirva porções moderadas para a criança e jamais a force a “limpar” o prato, se ela não quiser. Peça ajuda para fazer pratos diferentes, inclua a criança na hora de preparar as refeições. Ela certamente vai gostar e se interessar mais em comer melhor. Procure materiais para ajudar nessa tarefa. O Guia Alimentar para a População Brasileira traz ideias de cardápio saudáveis e ensina a reconhecer o que é um alimento in natura, minimamente processado ou ultraprocessado e qual deles é melhor ou pior para a saúde. O site da Rita Lobo também ensina inúmeras receitas de “comida de verdade”.

O lado emocional da obesidade

Os especialistas já sabem há algum tempo que existe uma influência emocional nos quadros de obesidade. A mestre em psicologia Ana Rosa Gilber fez um estudo com crianças entre 6 e 10 anos e suas respectivas mães e descobriu que todas elas apresentavam agressividade reprimida e voracidade. Muitas delas tinham também sintomas de depressão e usavam mecanismos defensivos para lidar com situações ruins. O ambiente de casa e o externo interferiram na história de vida das crianças que se tornaram obesas.

A obesidade prejudica o desenvolvimento de uma autoestima saudável na vida da criança, que pode sofrer bullying e se isolar. Pode acontecer dela desenvolver ansiedade também, o que tende a levá-la a comer ainda mais, criando um ciclo vicioso. Vale lembrar ainda que quanto menor for a criança, maiores serão as dificuldades dela de expressar o que está sentindo. Por isso é importante ficar de olho no comportamento, pois é geralmente assim que elas demonstram que há algo errado.

É possível prevenir a obesidade na infância, e os pais e cuidadores da criança devem ter em mente que essa atitude de mudança de hábitos é uma demonstração de amor. Comer precisa ser algo bom e saudável para que a criança possa desenvolver todas as potencialidades que possui.



Fonte: GreenMe - Cíntia Ferreira



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