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As tendências da sustentabilidade aceleradas pela pandemia

Compartilhe:     |  2 de novembro de 2020

A pandemia do novo coronavírus foi o mais recente capítulo numa série de fatos importantes que ocorreram ao longo do último ano e que apontavam para um modelo de economia mais sustentável. Ricardo Voltolini, CEO da consultoria Ideia Sustentável, destaca que a crise sanitária só acelerou a urgência sobre como as empresas enxergam sustentabilidade na dinâmica de seus negócios. Em agosto de 2019, 181 grandes empresas nos Estados Unidos assinaram um manifesto propondo um recomeço no chamado “business as usual”, manifesto logo depois reforçado por 230 investidores europeus.  Em novembro, um alerta feito por 11 mil cientistas decretava emergência climática.

Já em 2020, Ricardo destaca que no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nunca se dedicou tanto tempo para se tratar de sustentabilidade. Também no começo do ano, Larry Fink, CEO da BlackRock, maior empresa de investimentos do mundo, divulgou uma carta aberta importante sobre a urgência de tratar a sustentabilidade como estratégia. “Foi muito dura e muito objetiva. Então somando tudo isso, já estávamos caminhando para um movimento de alta discussão da sustentabilidade nas empresas e esses fatos todos tem um poder muito grande, pois é o próprio capitalismo se revendo”, avalia Ricardo em entrevista à Época NEGÓCIOS, lembrando que se a carta fosse de um grupo de ambientalistas, teria sido esquecida no dia seguinte.

Apesar de em um primeiro momento a pandemia ter sido vista como um freio – e até mesmo um fator de retrocesso – nas questões de sustentabilidade, logo se viu um aprofundamento da discussão do tema. “A pandemia nos fez refletir como consumidores, investidores, gestores ou colaboradores de empresas. A pandemia nos colocou a todos no mesmo estágio de vulnerabilidade e incertezas quanto ao futuro e aí começa uma revisão’, acredita Ricardo.

Ricardo Voltolini (Foto: Divulgação)
Sustentabilidade: Consultor Ricardo Voltolini fala sobre as tendências em que as empresas devem se concentrar para fazer negócios mais sustentáveis (Foto: Divulgação) 

Outra pressão que ficou mais evidente nesse período veio dos investidores. Os fundos estão valorizando mais os critérios ESG (Ambiental, Social e Governança em inglês) em suas decisões de investimentos. “O ESG nada mais é que o olhar financeiro que premia esses critérios, e o capital tem aversão a risco. E a sustentabilidade tem menos risco porque custam menos para a sociedade e para o meio ambiente. É o raciocínio econômico que cai nas graças dos investidores”.

A Ideia Sustentável vai lançar no próximo dia 14 de outubro o estudo Tendências de Sustentabilidade No Outro Normal, que foi realizado em meio a esse momento de revisão geral entre os stakeholders. O documento elenca as 11 tendências que ganharam mais fôlego na pandemia e que devem pautar os negócios para uma retomada econômica baseada na Agenda 2030, da ONU. Seriam elas: o propósito antes do lucro, humanos tratados como humanos e não mais como recursos; menos competição e mais cooperação na construção de  respostas para os dilemas da sociedade; a ascensão da noção de interdependência; maior transparência; investimento social privado cada vez mais estratégico; a urgência da regeneração; nos negócios como parte da solução e não parte do problema; a reputação baseada no valor compartilhado; a hora e vez da liderança orientada por valores e a tenção maior às mudanças climáticas.

Para Ricardo, entre o que mais ganhou força por a ascensão da ideia de interdependência. “Essa ideia está na base do conceito de sustentabilidade. Tudo e todos estão conectados”. Mas um ponto importante do debate fica de fora, diz Ricardo. É a questão geracional. O consultor lembra que a geração milenial (nascidos entre o começo dos anos 1980 e meados dos anos 1990) não é mais apenas consumidora e está chegando à liderança, como gestores e investidores. “Essa turma já tem essa questão da sustentabilidade em seu modelo mental. Trazem de três a quatro décadas de pressão por negócios mais sustentáveis. Essa é uma discussão que não volta mais”.

Outra mudança foi das empresas se vendo como parte da solução e não apenas como parte do problema, assim como entendendo que é importante não só preservar, mas recuperar o que foi degradado. A grande mudança de comportamento está levando que empresas reflitam e façam suas mudanças seja nos produtos ou no processo produtivo. “Se antes ainda tinham dificuldade de enxercar o valor da sustentabilidade nos negócios, agora está mais claro que sustentabilidade não é despesa ou custo”.

Todo esse debate vai exigir lideranças orientadas por valores, mais humanista, cuidadora, ecocêntrica e mais ética, perfil importante principalmente para este momento de transição. “É importante entender a urgência, agora emergência, do tema mudanças climáticas”, orienta Ricardo. E ele ressalta que para qualquer um dos desafios climáticos de hoje, vai ser necessário inovar, seja para reduzir uso de água na produção, para eliminar combustíveis fósseis, para produzir mais com menos ou mesmo para começar a ver mais regeneração, não só redução de impacto.

Mobilização
O lançamento do estudo, acompanhado de uma mobilização liderada pela consultoria Ideia Sustentável, Rede Brasil do Pacto Global e grandes empresas como Ambev, Braskem, Sodexo, Ultragaz e Vivo, será marcardo pelo Dia dos Negócios Sustentáveis – Oito Princípios.

Fonte: Época Negócios



Fonte: Gestão & Sustentabilidade - Época Negócios



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