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Asma e animais de estimação: boa convivência entre alérgicos e pets é possível

Compartilhe:     |  29 de setembro de 2020

Controladas, as alergias respiratórias não impedem o convívio com um animal de estimação. É o que garante uma médica Priscilla Filippo, membro da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia do Rio de Janeiro (Asbai-RJ). Ela alerta porém que, principalmente em tempos de crescimento do home office, quando o convívio de donos com seus animais de estimação tende a ser maior, torna-se imprescindível caprichar nesse controle, sob pena de sofrer crises em série.

Embora tenha rinite, a advogada Patrícia Goldman, de 39 anos, conta que tem cães desde a infância.

– Quando eu era menor, tinha muita alergia. Mas fiz tratamento com vacinas e minhas crises melhoraram. Tomo precauções. Tento manter a casa limpa e arejada e dou banho com frequência no meu cachorro para evitar que haja ácaro no pelo dele – conta a moradora da Barra, dona do vira-lata Alf.

Segundo Priscilla Filippo, os ácaros são mesmo os responsáveis ​​pela maioria das alergias respiratórias: apenas entre 10% e 15% dos pacientes com asma e rinite apresentam alergia a animais. Mas mesmo quem não tem pode apresentar mais sintomas nasais e oculares, como nariz entupido e olhos lacrimejando, se houver localização no pelo deles.

– Se alguém tem rinite ou asma, o ideal é ser acompanhado por um médico – afirma a médica.

A veterinária Ana Paula Cardoso, da Cat Clinic, concorda e acrescenta que o quadro pode ser diferente no caso dos gatos:

– estale, a alergia respiratória está relacionada com uma proteína da saliva dos gatos. O siberiano é o mais indicado para os alérgicos, porque não produz essa proteína. E hoje podemos recomendar mais banhos para os animais de estimação casos especiais.

No caso da Patrícia a alergia é em dose dupla. Ela é alérgica tanto a ácaros quanto a pelo de cachorros. Mesmo assim, graças ao tratamento correto e às precauções diárias, diz que não há razão para pensar em se separar de Alf.

– Minha alergia não me impeça de conviver com ele. Em geral, não preciso tomar remédio. Eventualmente, quando estou com uma crise, uso um corticoide. Se estiver muito ruim, tomo um antialérgico, mas é raríssimo – conta.

O tratamento com vacinas é longo, pode durar de dois a cinco anos. Durante esse período, cada aplicação introduz nos pacientes doses pequenas de alérgenos, o que aumenta gradativamente a tolerância a essas substâncias.

— Após adquirir essa tolerância, para haver uma crise é preciso que se entre em contato com uma quantidade muito grande de um alérgeno. Mas não adianta só fazer a vacina se você não tiver um bom controle do ambiente na sua casa nem seguir as indicações médicas — observa Priscilla.

A especialista também explica que pesquisas dizem que não nascemos alérgicos. Desenvolvemos alergias a partir de um grupo de fatores que envolvem potencial genético e disposição ambiental.

– Se a pessoa tem contato com animais como cachorros e gatos durante o seu primeiro ano de vida, há uma diminuição do risco de desenvolver uma doença alérgica, o que também depende de outros fatores, como genética. É preciso um teste para identificar a origem dos sintomas e depois buscar o tratamento adequado. Alergia não tem cura, mas tem controle – afirma ela.



Fonte: O Globo - Karina Maia



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