Notícias

Astrofísicos descobrem matéria que estava perdida no universo

Compartilhe:     |  25 de junho de 2018

Em artigo publicado pela Nature, cientistascomprovaram a descoberta de parte da matéria bariônica perdida no Universo desde o Big Bang. Essa matéria, também chamada de matéria ordinária, é formada por bárions, partículas subatômicas que incluem os prótons e os nêutrons e são responsáveis por compor a maior parte da matéria visível no Universo, como galáxias, planetas e até nós mesmos.

A matéria bariônica preenche uma pequena parte do Universo: são 5% contra 25% de matéria escura e 70% de energia escura — dessa porcentagem, apenas dois terços haviam sido realmente detectados pelos cientistas. O restante permaneceu um mistério, uma teoria sobre um terço da matéria proveniente do Big Bang estava perdida no espaço. E foi aí que o estudo de um grupo internacional de astrofísicos mudou tudo.

“Depois de 18 anos de contínuas tentativas de diversos grupos de pesquisa diferentes ao redor do mundo, nossas observações finalmente encontraram a matéria ordinária perdida do Universo”, afirma o coautor Fabrizio Nicastro, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália. “A matéria que nós encontramos é do mesmo tanto e está exatamente onde era esperado pela teoria, então nós podemos dizer que nós resolvemos um dos maiores mistérios da astrofísica moderna: o problema do bárion perdido.”

Pesquisas anteriores já suspeitavam que a matéria perdida estivesse espalhada entre as galáxias, mas ninguém havia comprovado isso antes. Agora, sabe-se que a matéria bariônica deve estar distribuída pelo Universo como uma rede cósmica, e os bárions perdidos estão localizados nas estruturas filamentosas que conectam essa rede intergaláctica, também chamada de meio intergalático quente (da sigla em inglês WHIM).

Mas descobrir isso não foi nada fácil. Primeiro, porque o material é extremamente quente, podendo chegar a mais de um milhão de graus Celsius, e isso transforma os componentes que formam o material bariônico. Neste caso, o hidrogênio existente dos filamentos, que é o elemento mais abundante nessa rede, fica ionizado e se torna muito difícil de ser visto. Outro ponto é que o material tem uma densidade muito baixa, está muito disperso pelo espaço, o que faz com que a luz que o atravessa quase não seja afetada.

A busca

Para superar esses desafios, os astrofísicos usaram uma série de satélites que monitoraram o quasar 1ES 1553+113, a 2.200 megaparsecs de nós, por três semanas.

Foi então que um fraco sinal de absorção foi detectado: era algum tipo de matéria absorvendo fótons. Outras observações feita entre 2015 e 2017 também conseguirão captar o mesmo sinal. Pelo padrão regular do fenômeno, os astrofísicos descartaram a possibilidade do material ter sido expelido do quasar ou pelo ser projetado por uma galáxia e concluíram de que se trata da matéria a tanto tempo procurada no Universo. Mais tarde, os cientistas também confirmaram a presença de oxigênio a uma temperatura de um milhão de graus Celsius.

Agora, a equipe de pesquisadores precisa observar novos quasares para comprovar que toda a matéria bariônica foi contabilizada, considerando o oxigênio encontrado como parte desse meio intergalático quente.



Fonte: Galileu



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Lei que proíbe piercings e tatuagens em animais é sancionada no Distrito Federal

Leia Mais