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Astronautas treinam para conquistar o espaço dentro de uma caverna

Compartilhe:     |  6 de outubro de 2019

Seis astronautas decidiram trocar o traje espacial por um equipamento de espeleologia e o espaço sideral pelas entranhas de uma caverna eslovena, um universo tão exigente quanto o cosmos. Eles podem ter feito dezenas de simulações em um espaço sem gravidade, mas entrar nas profundezas da terra gera um outro tipo de apreensão.

“Em uma caverna, você tem medo de cair todos os dias”, admitiu o veterano da NASA Joe Aca, 52 anos, depois de passar pelas cavernas de Divaska Jama, no oeste da Eslovênia.

As cavernas da Eslovênia são uma das principais atrações turísticas deste pequeno país da antiga Iugoslávia.

Para os astronautas, também são um campo de treinamento excepcional, “um ambiente terrivelmente difícil, diferente e arriscado”, disse Loredana Bessone, responsável pelo programa de treinamento da Agência Espacial Europeia (ESA) para essas missões subterrâneas.

Seis astronautas viram a luz na quarta-feira, 02, depois de passar seis dias dentro das cavernas escuras e parcialmente inundadas do carste esloveno, com temperaturas entre 6 e 10 graus e uma taxa de umidade de 100%.

Um ambiente ideal, de acordo com a ESA, para testar homens e mulheres que devem explorar o espaço.

“Viver em uma caverna é muito semelhante, mentalmente, a viver no espaço. Na verdade, acho que foi muito mais difícil do que morar no espaço”, declarou o astronauta japonês Takuya Onishi, 43 anos.

Foi a sexta vez, desde 2011, que a ESA levou os astronautas para o fundo da terra, mas foi a primeira vez na Eslovênia, em um local inscrito no Patrimônio Mundial da Unesco.

As últimas missões foram realizadas na Sardenha.

Cavernonautas

Os “cavernonautas” foram formados por duas semanas no campo da caverna antes de entrar na caverna propriamente, com vários objetivos: mapear a rede de cavidades e lagos subterrâneos, coletar dados científicos e treinar em um ambiente particularmente desconcertante.

“O objetivo é que eles trabalhassem em equipe e realizassem um projeto em um ambiente muito complexo”, disse Francesco Sauro, chefe científico do projeto “CAVES” da ESA.

Para o astronauta Alexander Gerst, o silêncio e a escuridão das profundezas o impressionaram tanto quanto o do cosmos.

“Dentro da caverna, você se sente privado de qualquer simulação sensorial, fora da sua zona de conforto”, disse o alemão de 43 anos, que realizou duas missões na Estação Espacial Internacional.

“Você passa meio dia caminhando pelos túneis e, quando volta pelo caminho, não reconhece nada, porque só vê as coisas através do faxo da lanterna”, acrescentou.

“Para mim, o maior desafio foi descer por um túnel vertical de 200 metros de altura”, disse o veterano Joe Aca.

Planeta único

Apesar destas condiciones extremas, sua colega da NASA Jeanette Epps, confessa que, quando teve que deixar a caverna, se sentiu muito triste.

“Mas então eu olhei para cima e foi magnífico”, explicou a astronauta de 48 anos. Após sua saída, o japonês Onishi reconheceu que suas preocupações eram muito mais mundanas.

“Francamente, me senti um pouco estranha porque não sabia como estava cheirando mal depois de seis dias de vida dentro de uma caverna. Fiquei feliz em ver as pessoas na superfície, mas tentei ficar longe delas”, acrescentou, rindo.

“Voltaremos no próximo ano!”, disse Loredana Bessone, acrescentando que astronautas de todo o mundo querem participar do programa.

E embora a dimensão científica da aventura tenha cativado Alexander Gerst, o retorno à superfície foi uma experiência igualmente intensa.

“Percebe-se que nosso planeta é muito especial, único no espaço”, concluiu.



Fonte: Exame - AFP



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